Rebelião curda no Irã em 1979

A rebelião curda no Irã de 1979 [2] irrompeu em meados de março de 1979, [2] cerca de dois meses após a conclusão da Revolução Iraniana, e se tornou a maior entre as insurreições de âmbito nacional no Irã contra o novo regime e uma das mais intensas revoltas curdas no Irã moderno. Inicialmente, os movimentos curdos estavam tentando alinhar com o novo governo do Irã, procurando enfatizar a sua identidade muçulmana e buscar pontos comuns com os xiitas. O Partido Democrático do Curdistão Iraniano ainda que brevemente identificasse si mesmo como organização não "separatista", supostamente criticando aqueles que clamavam pela independência, mas, no entanto, pedindo por uma autonomia política. [7] As relações, no entanto, rapidamente se deterioraram entre os curdos e o novo governo islâmico, e apesar dos xiitas curdos e alguns líderes tribais se voltarem para o novo Estado islâmico xiita, esquerdistas curdos sunitas continuaram o projeto nacionalista em seu enclave na província do Curdistão. [1]

Rebelião curda no Irã em 1979
Revolução Iraniana e Conflito curdo-iraniano[1]
Data Março de 1979-1981[2]/1983[3]
Local Curdistão iraniano
Desfecho vitória iraniana
  • A maior parte da força iraniana desviada para a frente da Guerra Irã-Iraque a partir do fim de 1980
  • Bolsões de resistência do PDKI permanecem até 1983 [3]
  • Importantes baixas de forças curdas e iranianas
Beligerantes
Irão Conselho da Revolução Islâmica (mais tarde Governo do Irã)

Kurdish Democratic Party KDP
KDP-I

Komalah
União dos Militantes Comunistas
IPFG
Mujahedin e-Kalq

Tribos anti-governo
Comandantes
Irão Ruhollah Khomeini

Irão Abulhassan Banisadr
Irão Mohsen Rezaee
Irão Ali Sayad Shirazi
Irão Sadegh Khalkhali
Irão Hossein Hamadani[4]

Irão Bahman Bagheri
Abdul Rahman Ghassemlou

Ahmad Moftizadeh
Mansoor Hekmat
Ashraf Dehghani

Massoud Rajavi
Forças
7.000 (de acordo com o KDPI)[2]
Baixas
5.000 mortos[2] 1.200 prisioneiros políticos curdos executados[2]

12 oficiais iranianos executados por se recusar a combater[2]

Total: 3.000[5] - 10.000 mortos[6]

Embora primeiramente, combatentes curdos, principalmente do Partido Democrático do Curdistão Iraniano, fizeram alguns ganhos territoriais na região de Mahabad e expulsaram as tropas iranianas da região, uma ofensiva em grande escala na primavera de 1980, pela Guarda Revolucionária Iraniana inverteu o curso da guerra.

Na sequência da erupção da Guerra Irã-Iraque em setembro de 1980, um esforço ainda maior foi feito pelo governo iraniano para esmagar a revolta curda, que era a única das insurreições de 1979 que ainda continuavam (as rebeliões árabe, baluchi e turcomena já haviam sido derrotadas por essa altura). Ao final de 1980, as forças regulares iranianas e da Guarda Revolucionária expulsaram os curdos de seus redutos, mas grupos de combatentes curdos continuavam a executar ataques esporádicos contra as milícias iranianas. Os confrontos na área continuaram até 1983.

Cerca de 10.000 pessoas foram mortas no decorrer da rebelião curda, com 1.200 destes sendo políticos curdos presos, brutalmente executados nas últimas fases da rebelião, principalmente pelo governo xiita no Irã. [2] O conflito curdo-iraniano ressurgiria somente em 1989, na sequência do assassinato de um líder do Partido Democrático do Curdistão Iraniano.


Referências

  1. a b Denise, N. The Kurds And the State: Evolving National Identity in Iraq, Turkey, And Iran:p.145 2005. Siracuse University Press. "Instead of creating a cohesive Kurdish nationalist movement, some Kurdish leaders such as Husayni's brother Shaykh Jalal accepted Iraqi military assistance and formed a Sunni militia opposed to the Iranian government and Kurdish nationalist parties. Qasimlu differentiated his real Kurdish nationalist party from traitors within the KDPI. Others, such as the prominent Ghani Bolourian, tried to negotiate with the central government. After the revolution some Shi'a Kurds from Ilam, Kermanshah and West Azerbaijan turned away from Kurdish nationalists and towards non-Kurdish Shi'a communities. Sunni Kurdish leftists continued to direct the nationalist project in their enclave in Kurdistan Province, having marginal influence over Shi'a Kurds in other regions." [1]
  2. a b c d e f g h Ward, R.S. Immortal: a military history of Iran and its armed forces. 2009. pp.231-233. [2]
  3. a b kurdistan-Iran
  4. «What Is Iran Doing in Syria?». Foreign Policy. Consultado em 23 de setembro de 2012. Arquivado do original em 26 de setembro de 2012 
  5. [3]
  6. [4] "Sending in Pasdaran (Revolutionary Guard) rather than regular army troops, and dispatching the Ayatollah Sadiq Khalkhali—the “Hanging Judge”—resulted in the deaths of nearly 10,000 Kurds in the 1979‐82 period alone, many in mass executions ordered by Khalkhali."
  7. Denise, N. The Kurds And the State: Evolving National Identity in Iraq, Turkey, And Iran:p.144-5. 2005. Siracuse University Press. "Free to discuss its political views, the KDPI came out of thirty years of clandestine existence and made public claims for political autonomy"; "Despite its criticisms of the regime, in its early post-revolutionary public discourses the KDPI called itself an authentically national and Iranian party". [5]