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Professora Rita Segato concede entrevista à Secom UnB (39390738295).jpg
Rita Laura Segato
Nascimento Rita Laura Segato
14 de agosto de 1951 (68 anos)
Buenos Aires,  Argentina
Nacionalidade Argentina
Ocupação Antropóloga, etnomusicóloga
Movimento literário Feminismo, estudos descoloniais
Magnum opus La nación y sus otros
Las estructuras elementales de la violencia

Rita Laura Segato (Buenos Aires, 14 de agosto de 1951) é uma antropóloga e feminista argentina residente entre Brasília e Tilcara. É especialmente conhecida por suas investigações sobre questões de gênero nos povos indígenas e comunidades latinoamericanas, sobre violência de gênero e as relações entre gênero, racismo e colonialidade.

PhD pelo Departamento de Antropologia Social da Queen's University of Belfast (1984), foi professora do Depto, de Antropologia da Universidade de Brasília entre 1985 e 2010, e professora dos Programas de Pós-graduação em Bioética e em Direitos humanos até se aposentar como professora titular em 2017. É pesquisadora 1A do CNPq desde 1998. Seus índices de citações são h 32 e i10 63. Publicou, além de numerosos artigos, os seguintes livros, entre outros: Santos e Daimones (Editora da Universidade de Brasilia 1995 e 2005. 2a. edição); Las Estructuras Elementales de la Violencia (Buenos Aires: Prometeo, 2003 y 2013, 2ª. Edição); La Escritura en el cuerpo de las mujeres asesinadas en Ciudad Juárez. Territorio, Soberanía y Crímenes de Segundo Estado (México, DF: Universidad del Claustro de Sor Juana, 2006); La Nación y sus Otros (Buenos Aires: Prometeo, 2007); L'Oedipe Noir (Paris: Petite Bibliothèque Payot, 2014); Las nuevas formas de la guerra y el cuerpo de las mujeres (México, DF: Pez en el Árbol, 2014); La crítica de la colonialidad en ocho ensayos y una Antropología por Demanda (Buenos Aires: Prometeo, 2015); La Guerra contra las Mujeres (Madrid: Traficantes de Sueños, 2016) Co-editou o volume Religions in transition (Uppsala Studies in Cultural Anthropology, 2003). É membro de comissões editoriais de diversas publicações periódicas, entre elas, a prestigiosa Revista Signs.

Foi co-autora da primeira proposta de cotas para estudantes negros e indígenas na educação superior do Brasil, e co-autora, com 41 mulheres indígenas, da primeira proposta de políticas públicas para mulheres indígenas (2002). Colaborou com a FUNAI na série de oficinas realizadas entre 2003 e 2012 junto a mulheres indígenas de todo o país, assim como também com organizações de mulheres do México, El Salvador, Guatemala, Nicaragua e Honduras.

Participou como experta no Tribunal de Direitos das Mulheres Viena+20 (Bilbao: Mugarik Gabe, 2013). Atuou como perita para el Ministério Público de Guatemala no Tribunal para o caso Sepur Zarco (2014 a 2016). Foi juíza do Tribunal Permanente dos Povos Capítulo México (2014) e no Tribunal de Justicia y Defensa de los Derechos de las Mujeres, Foro Social Panamazónico, Tarapoto, Amazonia Peruana, 2017. Foi incluída na página Heroínas.net (2014). A revista mexicana La Tempestad a incluiu entre os quatro intelectuais representativos do Pensamiento Latinoamericano contemporâneo (março, 2017). Para a agencia espanhola EsGlobal foi uma das 30 intelectuais ibero-americanas mais influentes em 2017. Em 2018 recebeu o Premio Latino-americanos y Caribenho de Ciências Sociais CLACSO 50 anos.

TrajetóriaEditar

Cursou o ensino primário na Escuela Normal en Lenguas Vivas Juán Ramón Fernández e o ensino secundário no Colégio Nacional de Buenos Aires (1970). Estudou também no Conservatório Municipal Manual de Falla (1967) e na Escuela Nacional de Danzas (1973). Cursou licenciatura em Ciências Antropológicas na Universidad de Buenos Aires até sua primeira formatura em 1974. Se especializou em etnomusicologia no Instituto Interamericano de Etnomusicología y Folklore de Caracas com Isabel Aretz (1975), onde permaneceu como investigadora do arquivo de música latinoamericana até 1980.[1]

Obteve seu doutorado em antropologia social na Universidade Queen’s de Belfast onde estudou Antropologia da Música com John Blacking e Antropologia Social com Milan Stuchlick e Gerd Baumann.

Foi professora do Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília entre 1985 e 2010. Em 2011 migrou para docência de pós-graduações interdisciplinares de Bioética e Direitos Humanos na mesma universidade, além de atuar como professora visitante em diversos programas de doutorado na América Latina.

Em 1993 se aproximou da análise da violência contra as mulheres por encargo do governo da cidade de Brasília, em 1993. Inicialmente, acreditou que seria uma pesquisa temporária, no entanto, a análise das violências machistas a acompanhou até a sua recente jubilação.

É investigadora do Conselho Nacional de Investigações do Brasil desde 1998.

Entre seus livros, destacam-se Las estructuras elementales de la violencia (2003), La nación y sus otros (2007) e Las nuevas formas de la guerra y el cuerpo de las mujeres (2014).

Em 2006 realizou uma investigação sobre os crimes de Ciudad Juárez.[2]

A partir da análise do feminicídio de Ciudad Juárez, Segato propõe pensar a violência contra as mulheres como um sistema de comunicação que mostra a força e a impunidade daqueles - tanto no estado como de modo paraestatal - que reinam na fronteira.

 
Professora Rita Segato recebe o título de professora emérita da UnB. Foto: Beto Monteiro / Secom UnB.

Se o ato violento é entendido como mensagem e os crimes se percebem orquestrados em um claro estilo responsorial, nos encontramos com uma cena onde os atos de violência se comportam como um idioma capaz de funcionar eficazmente para os entendidos, os avisados, os que falam, ainda quando não participem da ação enunciativa. É por isso que, quando um sistema de comunicação com um alfabeto violento se instala, é muito difícil desinstala-lo, elimina-lo.

Posição sobre a violência de gêneroEditar

Considera que a violência contra as mulheres da maneira como pode ser observada na Argentina tem relação com o momento mundial em que "há donos do poder" em uma época de possessividade ("dueñidad") o que faz estourar no inconsciente coletivo na maneira em que os homens que obedecem a um mandato de masculinidade, que é um mandato de poder, provam o seu poder através dos corpos das mulheres.

Considera que as relações de gênero são um campo de poder e que é um erro falar de crimes sexuais, que deveriam ser considerados "crimes de poder, da dominação, da punição".[3] Prefere falar em violência de gênero do que de violência contra as mulheres. Explica: "prefiro chamá-la assim, o conceito de gênero foi uma descoberta para poder falar de uma estrutura que organiza os corpos, desde um teatro de sombras e é uma categoria muito útil".[4]

Considera que a violência de gênero tem um "efeito de chamada", é "contagiosa" e pode ser transformada em espetáculo.

Sobre a crença generalizada sobre se a reincidência é inevitável no caso de estupradores, ela considera que: "é obrigatório pensar que todo o ser humano pode mudar. É muito difícil, às vezes. É necessário dar as condições para que possa mudar, condições que não estão dadas na atualidade."

LivrosEditar

  • Santos e Daimones. O politeísmo afrobrasileiro e a tradição arquetipal (Editora da Universidade de Brasília 1995 y 2005)
  • Las Estructuras Elementales de la Violencia. Ensayos sobre género entre la antropología, el psicoanálisis y los Derechos Humanos (Buenos Aires: Prometeo, 2003 y 2013, 2ª. Edición)
  • La Escritura en el cuerpo de las mujeres asesinadas en Ciudad Juárez. Territorio, Soberanía y Crímenes de Segundo Estado (México, DF: Universidad del Claustro de Sor Juana, 2006)
  • La Nación y sus Otros (Buenos Aires: Prometeo, 2007)
  • L’Oedipe Noir (París: Petite Bibliothèque Payot, editorial Payot et Rivages, 2014)
  • Las nuevas formas de la guerra y el cuerpo de las mujeres (México, DF: Pez en el Árbol, 2014)
  • La crítica de la colonialidad en ocho ensayos (Buenos Aires: Prometeo, 2015)
  • La Guerra contra las mujeres (Madrid: Traficantes de Sueños, 2016)
     
    "Asamblea de las Mujeres" en el Teatro Cervantes  Buenos Aires, 23 de Marzo de 2019.- Se llevó adelante la "Asamblea de las Mujeres", con la participación de la antropóloga Rita Segato y la periodista María O´Donell, en el Teatro Nacional Cervantes  Foto: Carlos Mei / Secretaría de Cultura de la Nación

PrêmiosEditar

2018Editar

  • Professora Emérita da Universidade de Brasilia, Universidade de Brasilia.
  • Professora Honoris Causa da Universidade Autônoma de Entre Rios, Argentina, Universidade Autônoma de Entre Rios, Argentina.
  • Professora Honoris Causa da Universidade Nacional de Salta, Argentina, Universidade Nacional de Salta, Argentina.
  • Professora Honoris Causa da Universidade Provincial de Córdoba, Universidade Provincial de Córdoba, Argentina.
  • Catedrática da Cátedra Aníbal Quijano do Museu Reina Sofía da Madri, Museu Reina Sofía da Madri, Espanha.
  • Catedrática da Cátedra Rita Segato de Pensamento Incômodo,, Universidad Nacional de San Martin-UNSAM, Argentina,.
  • Medalha de Prata da Ordem de San Ignacio de Loyola., Universidad Iberoamericana de México.
  • Personalidade Destacada da Cultura da Cidade de Buenos Aires, Cámara Legislativa da Cidade.
  • Um dos 25 intelectuais mais influentes de Iberoamérica, Agencia EsGlobal.

2017Editar

  • Premio - LAS 30 INTELECTUALES MÁS INFLUYENTES DE IBEROAMÉRICA, Esglobal.
  • Premio - Latinoamericano y Caribeño de Ciencias Sociales CLACSO 50 Años, Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales, CLACSO..
  • Uma das 30 intelectuais mulheres mais influentes de Iberoamérica, Agencia EsGlobal.

2016Editar

  • Premio - Os quatro (4) autores representativos do Pensamento Contemporâneo Latinoamericano, Revista La Tempestad do México.

2015Editar

  • Premio - Parceiro da Imprensa, Universidade de Brasilia.

2014Editar

  • Premio - Professora do Programa de Doutorado em Estudos Culturais Latinoamericanos, Universidade Andina Simon Bolivar.
  • Premio - Figura da Galeria de Heroinas, http://heroinas.blogspot.com.es/.

2012Editar

  • Membro do jure do Premio Extraordinario de estudios sobre la presencia negra en la América y el Caribe contemporáneos, Casa de las Américas.

Ver tambémEditar

Referências

  1. «Ciclo de Encuentros "Trayectorias": entrevista a Rita Segato». Colegio de Graduados en Antropología (CGA). Dezembro de 2014. Consultado em 12 de dezembro de 2018 
  2. Segato, Rita (2006). «La escritura en el cuerpo de las mujeres asesinadas en Ciudad Juárez. Territorio, soberanía y crímenes de segundo estado» (PDF). Consultado em 12 de dezembro de 2018 
  3. Carbajal, Mariana (16 de abril de 2017). «"Con más cárcel no solucionamos el problema"» (em espanhol). Página 12. Consultado em 4 de julho de 2017 
  4. Reguero, Patricia (18 de maio de 2017). «"La masculinidad busca mostrar potencia, aunque sea monstruosa"». www.pikaramagazine.com (em espanhol). pikara magazine. Consultado em 4 de julho de 2017 

Ligações externasEditar