Salmacis

Na mitologia grega, Salmacis era uma náiade atípica, que rejeitara os modos virginais da deusa Ártemis a favor da vaidade e do ócio. O estupro[1] tentado por ela vitimando o deus Hermafrodito constitui no único caso em que uma ninfa o pratica, ao invés de sofrê-lo, nos cânones mitológicos da Grécia Antiga.

Estátua da Salmacis por Thomas Brock (c. 1870).

Relato de OvídioEditar

Lá morava uma Ninfa, não para caçar ou para dar flechadas

incapaz de corridas a pé. Ela era a única náiade que não seguia o bando de Diana
suas irmãs com frequência advertiam-lhe: "Capture um javali, ou
agite uma aljava, e troque seu lazer pela caça!"
Mas ela não apanhou um javali, ou atirou setas,
nem trocou o lazer pela caça.
Invés disso banhava seu belo corpo e penteava o cabelo, com sua
água como espelho.

Ovídio, Metamorfoses. Livro IV, 306-312.

No relato do poeta Ovídio, ela tornou-se uma só pessoa com Hermafrodito, e este almadiçoara seu lago para que tivesse o mesmo efeito em outras pessoas. Mas é bastante provável que Ovídio tenha engendrado todo este mito, uma vez que o relaciona à sua frase "praetereo, dulcique animos nouitate tenebo". Pode-se traduzir nouitate como sendo algo estranho, ou como novidade, o que insinua que aquela versão era algo novo. O mito de Salmacis poderia ter sido criado na Metamorfoses para contrastar com outros mitos relatados anteriormente, em que a figura masculina é dominante sobre o feminino esquivo.

Notas e referências

  1. Algumas legislações, como a brasileira, não aceitam a figura do estupro tendo como vítima pessoa do sexo masculino
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