Subfóssil

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Subfóssil ou semifóssil é um termo antigo que referia-se a restos biológicos cujo processo de fossilização era considerado incompleto, seja pela falta de tempo ou porque a condição em que eles foram soterrados não produziram alterações diagenéticas no material preservado. Também foi usado para restos de seres do Holoceno, para diferencia-los dos fósseis "genuínos", que seriam mais antigos que 11 000 anos.

O fóssil de um Dodô.

Atualmente há na paleontologia a recomendação do abandono do termo,[1] pois esta ciência desconsidera a necessidade de alteração química para a classificação de um resto biológico como fóssil devido ao fato de que há numerosos exemplos de fósseis que não sofreram tais alterações. Naturalmente, a grande maioria dos fósseis sem alteração química é proveniente de depósitos quaternários, mas há, por exemplo, fósseis que permanecem com composição original por bilhões de anos.[2][3][4][5][6][7] É o caso dos palinomorfos.

Somente restos ou vestígios de organismos com mais de 11 mil anos são considerados fósseis. Esse tempo, calculado pela ultima glaciação, é a duração estimada para a época geológica em curso: o Holoceno ou Recente. Não é imprescindível que o organismo fossilizado seja um ser extinto. Muitos animais e vegetais que vivem nos dias de hoje são encontrados no registro fossilífero. Alguns grupos sofreram poucas modificações ao longo do tempo geológico e por isso são denominados fósseis-vivos ou formas-relíquias, como por exemplo o Ginkgo biloba.

Subfossil Theba geminata

Aplicação especial do termo a conchas de moluscosEditar

Para restos, como conchas marinhas de moluscos, que frequentemente não mudam sua composição química ao longo do tempo geológico, e podem ocasionalmente até reter características como as marcações de cor original por milhões de anos, o rótulo 'subfóssil' é aplicado a conchas que são consideradas milhares de anos, mas são da idade do Holoceno e, portanto, não têm idade suficiente para ser da época do Pleistoceno.[8][9]

Importância na paleontologiaEditar

A principal importância desses restos de subfósseis de vertebrados (versus totalmente fossilizados) é que eles contêm material orgânico, que pode ser usado para datação por radiocarbono ou extração e sequenciamento de DNA, proteína ou outras biomoléculas. Além disso, as razões de isótopos podem fornecer informações sobre as condições ecológicas nas quais os animais extintos viviam. Subfósseis são úteis para estudar a história evolutiva de um ambiente e podem ser importantes para estudos em paleoclimatologia.[10]

Referências

  1. Tomassi, H. Z. & Almeida, C. M. O que é fóssil? Diferentes conceitos na Paleontologia In: XXII Congresso Brasileiro de Paleontologia, Natal. Atas, p.143-147. 2011. Disponível na internet em arquivo pdf.
  2. Mendes, J.C. 1977. Paleontologia geral. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos Editora e Editora da Universidade de São Paulo, 342p.
  3. Mendes, J.C. 1982. Paleontologia geral (2ª edição). Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos Editora, 368p.
  4. Brocks, J.J.; Buick, R.; Summons, R.E. & Logan, G.A. 2003. A reconstruction of Archean biological diversity based on molecular fossils from the 2.78 to 2.45 billion-year-old Mount Bruce Supergroup, Hamersley Basin, Western Australia. Geochimica et Cosmochimica Acta, 67(22):4321-4335.
  5. Brocks, J.J.; Logan, G.A.; Buick, R. & Summons, R.E. 1999. Archean Molecular Fossils and the Early Rise of Eukaryotes. Science, 285:1033.
  6. Sergeev, V.N.; Semikhatov, M.A.; Fedonkin, M.A.; Veis, A.F. & Vorob’eva, N.G. 2007. Principal Stages in Evolution of Precambrian Organic World: Communication 1. Archean and Early Proterozoic. Stratigraphy and Geological Correlation, 15(2):141-160.
  7. Buick, R. 2010. Ancient acritarchs. Nature, 463(18):885-886.
  8. Bouchet, Philippe ; Rocroi, Jean-Pierre ; Fryda, Jiri; Hausdorf, Bernard; Ponder, Winston ; Valdés, Ángel & Warén, Anders (2005). " Classificação e nomenclador das famílias de gastrópodes ". Malacologia . Hackenheim, Alemanha: ConchBooks. 47 (1–2): 1–397. ISBN 3-925919-72-4. ISSN  0076-2997
  9. Greve C., Hutterer R., Groh K., Haase M. & Misof B. (2010). "Evolutionary diversification of the genus Theba (Gastropoda: Helicidae) in space and time: A land snail conquering islands and continents". Molecular Phylogenetics and Evolution 57(2): 572-584. doi:10.1016/j.ympev.2010.08.021
  10. Fairbridge, Rhodes (31 de outubro de 2008). "história da paleoclimatologia". Em Gornitz, Vivien (ed.). Enciclopédia de Paleoclimatologia e Ambientes Antigos. Springer Nature. pp. 414–426. ISBN 978-1-4020-4551-6