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Uma página da Lei da Gotalândia Ocidental escrita por volta de 1280

O sueco antigo (em sueco Fornsvenska) é a denominação dada à língua sueca usada no período de 1225 a 1525, a seguir ao chamado sueco rúnico (Runsvenska), também designado de nórdico antigo.[1][2]

Costuma ser dividido em dois estádios:[1][2]

  • 1225–1375 Sueco antigo clássico — Klassisk Fornsvenska
  • 1375–1525 Sueco antigo recente — Yngre Fornsvenska

Com a chegado do cristianismo, os caracteres rúnicos tradicionais foram sucessivamente substituídos pelos caracteres latinos. Os textos da época eram principalmente escritos por "homens do rei" e por "homens da igreja". Os documentos mais antigos são diversos códigos de leis — a Äldre Västgötalagen (Velha Lei da Västergötland; século XIII) e a Magnus Erikssons landslag (Lei nacional de Magnus Erksson; século XIV). Pelo lado da igreja, monges traduziam textos religiosos gregos e latinos. Nesta época não havia nenhuma norma ortográfica: as pessoas escreviam como falavam.[3][2]

O vocabulário do idioma foi enriquecido com termos gregos e latinos trazidos pela Igreja Católica (kyrka, skola, biskop, martyr,...) e termos alemães trazidos pela Liga Hanseática (språk, stad, köpman, ränta,...).[2]

Traços típicosEditar

Traços típicos do sueco antigo eram:

  • a existência de casos — nominativo, acusativo, dativo e genitivo;
  • três géneros — masculino, feminino e neutro;
  • verbos conjugados segundo pessoa e número;
  • uso sucessivo do alfabeto latino, substituindo o alfabeto rúnico.

GramáticaEditar

Pronomes pessoaisEditar

Abaixo está uma tabela dos pronomes pessoais do sueco antigo:[4][5]

Singular Plural
1.ª pessoa 2.ª pessoa 3.ª pessoa 1.ª pessoa 2.ª pessoa 3.ª pessoa
masc. fem. neut. masc. fem. neut.
Nominativo iak, jæk þu han hon þæt vi(r) i(r) þe(r) þa(r) þe, þøn
Acusativo mik þik hana os iþer þa
Dativo mæ(r) þæ(r) hanum hænni þy þem
Genitivo min þin hans hænna(r) þæs var(a) iþer, iþra þera

NumeraisEditar

Os números de um a quatro são declinados nos casos nominativo, genitivo, dativo, e acusativo, e nos três gêneros (masculino, feminino e neutro); aqui são dadas as formas nominativas. Os números acima de quatro são indeclináveis.[5]

        Sueco antigo     Sueco moderno             Sueco antigo     Sueco moderno
    1     ēn, ēn, ēt     en, (dialetal f. e, ena), ett     11     ællivu     elva
    2     twē(r), twār, tū     två, tu     12     tolf     tolv
    3     þrī(r), þrēa(r), þrȳ     tre     13     þrættān     tretton
    4     fiūri(r), fiūra(r), fiughur     fyra     14     fiughurtān     fjorton
    5     fǣm     fem     15     fǣm(p)tan     femton
    6     sæx     sex     16     sæxtān     sexton
    7     siū     sju     17     siūtān     sjutton
    8     ātta     åtta     18     atertān     arton (arcaico aderton)
    9     nīo     nio     19     nītān     nitton
    10     tīo     tio     20     tiughu     tjugo

Os números 21–29, 31–39 e assim por diante são formados da seguinte maneira: ēn (twēr, þrīr, etc.) ok tiughu, ēn ok þrǣtighi, etc.[5]

        Sueco antigo     Sueco moderno             Sueco antigo     Sueco moderno
    30     þrǣtighi     trettio     70     siūtighi     sjuttio
    31     ēn ok þrǣtighi     trettioett     80     āttatighi     åttio
    40     fiūratighi     fyrtio     90     nīotighi     nittio
    50     fǣmtighi     femtio     100     hundraþ     hundra
    60     s(i)æxtighi     sextio     1000     þūsand     tusen

ExemploEditar

Um extrato da Lei da Gotalândia Ocidental (Västgötalagen), escrita por volta de 1280, mostra as semelhanças e as diferenças entre o sueco antigo e o sueco moderno.

Sueco antigo
Dræpær maþar svænskan man eller smalenskæn, innan konongsrikis man, eigh væstgøskan, bøte firi atta ørtogher ok þrettan markær ok ænga ætar bot. [...] Dræpar maþær danskan man allæ noræn man, bøte niv markum. Dræpær maþær vtlænskan man, eigh ma frid flyia or landi sinu oc j æth hans. Dræpær maþær vtlænskæn prest, bøte sva mykit firi sum hærlænskan man. Præstær skal i bondalaghum væræ. Varþær suþærman dræpin ællær ænskær maþær, ta skal bøta firi marchum fiurum þem sakinæ søkir, ok tvar marchar konongi.

Sueco moderno
Dräper man en svensk eller en smålänning, en man ifrån konungariket, men ej en västgöt, så bötar man tretton marker och åtta örtugar, men ingen mansbot. [...] Dräper man en dansk eller en norrman bötar man nio marker. Dräper man en utländsk man, skall man inte bannlysas utan förvisas till sin ätt. Dräper man en utländsk präst bötar man lika mycket som för en landsman. En präst räknas som en fri man. Om en sörlänning dräps eller en engelsman, skall han böta fyra marker till målsäganden och två marker till konungen.

Tradução

Se alguém matar um suíone ou um smålandês, um homem do reino, mas não um gauta ocidental, ele pagará oito örtugar e treze marcos, mas nenhum veregildo. [...] Se alguém matar um dano ou um norueguês, ele pagará nove marcos. Se alguém matar um estrangeiro, ele não será banido e terá que fugir para seu clã. Se alguém matar um padre estrangeiro, pagará tanto quanto por um compatriota. Um padre conta como um homem livre. Se um sulista for morto ou um inglês, ele pagará quatro notas ao autor e duas notas ao rei.

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b Gunnar Tingbjörn, Jan Thavenius, Kenneth Hyltenstam, Mikael Parkvall e Ulf Teleman. «Språkhistoria» (em sueco). Nationalencyklopedin (Enciclopédia Nacional Sueca). Consultado em 26 de outubro de 2019 
  2. a b c d Engstrand, Olle (2012). «Svenskan växer fram». Hur låter svenskan, ejengklien? (em sueco). Estocolmo: Norstedt. p. 117-122. 271 páginas. ISBN 9789113040929 
  3. Bergman, Gösta et al. (1971). «Vårt språks historia». Vårt språk (em sueco). Estocolmo: Svenska Bokförlaget. p. 187-200. 284 páginas. ISBN 91-24-10178-8 
  4. Roelcke, Thorsten, ed. (15 de janeiro de 2003). «23. Tschechisch und Slovakisch». Berlin, New York: Walter de Gruyter. ISBN 978-3-11-020202-1 
  5. a b c Noreen, Adolf (31 de janeiro de 1970). Altnordische Grammatik. I: Altisländische und altnorwegische Grammatik (Laut- und Flexionslehre) unter Berücksichtigung des Urnordischen. Berlin, New York: DE GRUYTER. ISBN 978-3-11-161058-0 

FontesEditar