Sutra do Lótus

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O Sutra do lótus ou Sutra do lótus branco do darma sublime (em sânscrito, Saddharnapuṇḍaríka; em chinês, Miàofǎliánhuájīng 妙法蓮華經; em japonês, Myoho Rengue Kyo 妙法蓮華經) é um dos sutras mais populares e influentes do budismo mahaiana. É considerado, por muitas Religiões budistas, como o ápice dos ensinamentos de Sidarta Gautama ou Sakyamuni. Faz parte do cânone do Zen () e é o fundamento das escolas japonesas Tendai (天台) e Nitiren (日蓮).

Fragmento de uma versão em sânscrito do Sutra do Lótus, do século V, encontrada em Hotan, em Xinjiang, na República Popular da China
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TraduçõesEditar

O Sutra do Lótus foi traduzido para o chinês por várias pessoas. Dessas traduções, a considerada mais precisa é uma versão de sete rolos com 28 capítulos escrita por Kumarajiva no ano de 406. Foi traduzido para a língua portuguesa por João Rodrigues, entre outros. O título chinês costuma ser abreviado para 法華經, lido como Fǎhuā Jīng em chinês ou Hokkekyo em japonês.

Interpretações pelas escolas budistasEditar

Para a tradição fundada e nomeada por Nitiren (日蓮) (1222-1282), o Sutra do Lótus seria a própria corporificação do darma.[1] Essa interpretação pode ser depreendida do título conferido ao sutra por esta escola budista e pela interpretação do texto do segundo capítulo, "Meios", onde o Buda Sakyamuni declara que, até a exposição do Sutra do Lótus, teria se utilizado de meios para ensinar os seres vivos e que, somente com a transmissão do Sutra do Lótus, ele iria revelar a verdade do Darma. Considera-se que o "Sutra dos infinitos significados" (Muryogui kyo) seja seu prefácio e que o "Sutra do bodisatva universalmente meritório", em japonês Fugen Kyo, seja sua conclusão. Nitiren propôs a recitação do mantra Namu Myoho Rengue Kyo, ou "Refugio-me no Sutra do Lótus", como fórmula para se chegar à iluminação espiritual.[2]

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Significado de Namu Myoho Regue Kyo

Como citado anteriormente, Myoho Rengue Kyo é o nome traduzido do sutra considerado mais importante de Buddha Shakyamuni, onde ele anuncia que deixa de se valer de meios hábeis (adaptação de seus ensinamentos à capacidade de seus ouvintes) e ensina a verdade do Dharma.

Myoho significa: Lei mística

Lei mística neste caso não é usado como algo transcendental, que supera a realidade no sentido mágico, porém, é usado no sentido das leis que regem a todo o universo e a existência da vida (não somente humana) , da qual, ainda que não possamos compreender em profundidade, continua a reger a tudo e a todos. As leis universais da existência regem a tudo, sem aplicar exceções. A estas leis do universo que abrangem desde o macro-cosmo como planetas, luas sistemas solares e galáxias, até o micro-cosmo como células e átomos dá-se o nome de lei mística, ou Myoho. Para budistas, também fazem parte das leis universais alguns ensinamentos Budistas como o Karma.

Rengue significa: flor de lótus.

Neste caso, a flor de lótus tem duas representações ou dois significados. O primeiro refere-se ao seu crescimento que se dá em meio ao lodo e ao barro. Sem o lodo e o barro, a flor de lótus jamais floresce, assim como nós, sem passar pelos sofrimentos e dificuldades da vida (lodo), jamais poderemos florescer. Este ponto está relacionado aos ensinamentos de "hendoku iyaku" (transformação do veneno em remédio) presentes no sutra de lótus, comentado por parábolas. O segundo significado está relacionado à simultaneidade de causa e efeito, karma, e Ichinen Sanzen (3 mil mundos num único momento da vida). Como estes ensinamentos são muito profundos e abrangentes, simplificamos a descrição para o efeito mais simples do Karma, sendo descrito por toda ação gerar simultaneamente uma reação, sendo como efeito manifesto (efeito visível) ou efeito latente (efeito não manifestado, porém existente).

Kyo significa: ação

A ação é um dos maiores poderes do Buddha, o qual pode ser definido por execução, assim podendo ser através do que é pensado, falado, ou agido ( pensamentos, palavras e ações), sendo estes os três poderes de execução do Buddha. Sua voz de longo alcance (um dos 32 aspectos do corpo de um Buddha) podendo atingir o coração de um ouvinte, e pode recitar textos sagrados, ou recitar a lei fundamental do universo (Namu Myoho Rengue Kyo). O Buddha é dotado de imensurável benevolência, ilimitada eloquência, poder, coragem, concentração, liberdade, e Samadhi, atravéz dos quais transforma seu mundo pelo poder da ação atravéz das 3 forças citadas (pensamentos, palavras e ações).

Namu ou Nam significa: devotar-se

O devoto do sutra do lótus é aquele que transforma os ensinamentos contidos nestre sutra em práticas diárias em sua vida, trazendo a profunda filosofia ao âmago de sua existência. Este devoto, que devota-se a esta lei ou a estes ensinamentos com sua própria vida, trás a essência de todo universo ao seu favor, transformando qualquer sofrimento em iluminação, e qualquer karma em missão, assim, se tornando um Bodhisatva, ou Buddha. Este é um breve resumo se "Nam".

Os cinco ou sete anagramas de Nam Myoho Rengue Kyo ainda tem mais profundas explicações sobre seu significado, mas pode-se entender resumidamente por:

Devoto-me à lei mística de causa e efeito atravéz da ação.




Referências

  1. Mc Cormick, Ryuei Michael, Rev. Who's Who on the Gohonzon? [1]. Acesso março de 2007
  2. O significado do Namu-myou-hou-rengue-kyou [2] Arquivado em 26 de janeiro de 2007, no Wayback Machine. Acesso Outubro de 2008

BibliografiaEditar

  • Nhât Hanh, Thích. Opening the Heart of the Cosmos.Insights on the Lotus Sūtra. Berkeley, Parallax Press, 2003.

Ligações externasEditar

 
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