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«Tasso no hospital de Santa Ana de Ferrara», pintura de Eugène Delacroix.

Tasso, Lamento e Trionfo (em português: Tasso, Lamento e Triunfo) é uma obra composta por Franz Liszt (um dos seus treze Poemas sinfónicos), escrita por ocasião do centenário de Goethe para servir de abertura à sua peça teatral Torquato Tasso, drama em cinco actos e escrita na década de 1780. Foi estreada em 28 de agosto de 1849, no Teatro da Corte de Weimar. A partitura foi muitas vezes revista, especialmente por Joachim Raff, e só em 1854 ficaria pronta uma versão definitiva.[1]

Está dividida em duas partes distintas: a primeira é monotemática, um canto de gondoleiro, que se constitui como leitmotiv; aí se transpõe para música a solidão e o desespero do poeta apaixonado por Leonor d'Este, irmã do duque de Ferrara; um minueto evoca a doçura da vida da corte em Ferrara.,[2] e o canto de Tasso explode na segunda parte no "triunfo", com forte presença dos metais da orquestra.

Esta obra está instrumentada para flautim, 2 flautas, 2 oboés, 2 clarinetes em si bemol, clarinete baixo em si bemol, 2 fagotes, 4 trompas em si bemol e dó, 4 trompetes em dó, 2 trombones tenores, trombone baixo, tuba, triângulo, caixa, prato, bumbo, harpa e secção de cordas.

No prefácio a Tasso, Liszt refere-se não apenas a Goethe mas também ao poema sobre Tasso de Lord Byron, admitindo que o influenciou.[3] Afirmou:

Tasso amou e sofreu em Ferrara, foi vingado em Roma, e mesmo hoje vive nas canções populares de Veneza. Estes três momentos são inseparáveis da sua fama imortal. Para os reproduzir musicalmente, primeiro fez-se a grande sombra que vagueia através das lagoas de Veneza, ainda hoje; depois o seu semblante surge, nobre e melancólico, quando olha para as celebrações em Ferrara, onde criou as suas obras primas; e finalmente seguimo-lo até Roma, a Cidade Eterna, que o coroou com a fama e, assim, presta-lhe homenagem, como mártir e poeta.[4]

Os românticos consideravam a alienação, particularmente a própria e a social, como uma característica do génio artístico. Ambas as formas de alienação estão presentes no poema de Byron e segundo alguns críticos isso influenciou o plano tonal e formal de Liszt para esta obra. O tema secundário é em mi maior, uma tonalidade maior relativamente distante da terceira aumentada da tonalidade menor da peça. Liszt queria usar a mesma relação de terceira aumentada, possivelmente com intenção semelhante, tanto em Prometheus como na Sinfonia Fausto. As expectativas tonais continuam no minueto central, escrito em fá sustenido e tonalmente distante da tónica dominante, provocando sensação de afastamento.[5]

BibliografiaEditar

  • Searle, Humphrey (1970). «The Orchestral Works». In: Alan Walker. Franz Liszt: The Man and His Music. Nova Iorque: Taplinger Publishing Company. ISBN 8008-2990-5 Verifique |isbn= (ajuda) </cite
  • Shulstad, Reeves (2005). «Liszt's symphonic poems and symphonies». In: Kenneth Hamilton. The Cambridge Companion to Liszt. Cambridge e Nova Iorque: Cambridge University Press. ISBN 0-521-64462-3 
  • François-René Tranchefort (1998). Guia da Música Sinfónica 1.ª ed. Lisboa: Gradiva. 903 páginas. 9-726-62640-4 

Referências

  1. Tranchefort, 24:814-815.
  2. Godfrey, Margaret (2009). «Tasso: Lamento e Trionfo, symphonic poem for orchestra (4 versions), S. 96 (LW G2)». allmusic.com (em inglês). Cópia arquivada em 2009 |arquivourl= requer |url= (ajuda) 
  3. Searle, 287.
  4. Citado em Searle, 287.
  5. Shulstad, p. 208.

Ligações externasEditar