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A teoria quantitativa da moeda é uma das duas principais teorias que analisam o equilíbrio da economia do lado monetário (a outra visão é a keynesiana, que introduz o motivo especulação).[1] Ela defende que o nível dos preços é determinado pela quantidade de moeda em circulação e pela sua velocidade de circulação.

A equação quantitativa da moedaEditar

A relação entre o nível de preços e a quantidade de moeda em circulação é expressa pela equação quantitativa da moeda:

Esta equação "revela simplesmente que, ao multiplicar a quantidade de moeda M pela velocidade V com que ela cria renda, teremos a própria renda nominal Py. Neste sentido, é uma tautologia ou truísmo (uma verdade em si mesma), que decorre simplesmente da maneira como a definimos. Ou seja, uma identidade contábil. Passa a ser uma teoria monetária quando estabelecemos hipóteses teóricas sobre o comportamento das variáveis (se V é ou não constante, se y está ou não a pleno emprego etc)." (Vasconcellos, 2001, p. 299).

Quantidade de moedaEditar

Na equação quantitativa da moeda, M representa os meios de pagamento.

Velocidade da moedaEditar

Na equação quantitativa da moeda, V é a velocidade de circulação da moeda (não observável). Também chamada de velocidade-renda da moeda, é a frequência média em que a unidade monetária é gasta num certo período de tempo, isto é, a quantidade de "giros" que ela dá durante um período determinado, criando renda. É o inverso do coeficiente marshalliano (k é a retenção de moeda, enquanto V é a utilização da moeda, em relação à renda nacional)..[2] No curto prazo a velocidade da moeda é constante, tal que, a equação quantitativa expressa a relação de proporcionalidade entre o estoque da moeda e o nível de preço, porque o produto também é constante, tal que:

MV = Py; o que implica que: P = MV/y

Nível de preços (P)Editar

Na equação quantitativa da moeda, P é o nível de preços juntamente com o dinheiro.

Produto real da economia (y)Editar

Na equação quantitativa da moeda, Y é o produto real da economia

Um exemploEditar

Se M = R$ 60 mil e Py (ou seja, o fluxo de renda nacional nominal) = R$ 1,440 milhões, então.Isso significa que a moeda circulou 24 vezes no decorrer do ano para criar R$ 1,440 milhões de renda. Isso mostra que, para gerar R$ 1,440 milhões de renda num ano, não são necessários R$ 1,440 milhões em moeda (ou em meios de pagamento), dado que o estoque de dinheiro circula, passando de mão em mão, gerando renda nesse processo.[2]

PressupostosEditar

A teoria baseia-se nos seguintes pressupostos:

CausalidadeEditar

o nível de preços é determinado pela quantidade de moeda em circulação, multiplicada pela velocidade da moeda (que é quase uma constante pela hipótese 2)

Velocidade de Circulação Estável ou PrevisívelEditar

Segundo VASCONCELLOS (2001, p. 299), "na teoria clássica, V é considerado relativamente estável ou constante a curto prazo, já que depende de alguns parâmetros que se modificam lentamente, tais como hábitos da coletividade (quanto maior a utilização de cheques e cartões de crédito, menor a necessidade de reter moeda) e o grau de verticalização da economia (por exemplo, quando a Ford comprou a Philco, diminuiu sua necessidade de manter moeda em caixa, dado que as operações entre Ford e Philco passaram a ser meramente contábeis, no âmbito do próprio grupo). Por raciocínio análogo, a terceirização também afeta a velocidade da moeda." (grifo do autor).

Neutralidade da moedaEditar

A quantidade de moeda não afeta a produção de uma economia (y) de forma permanente – ou seja, um aumento da quantidade de moeda pode gerar um aumento da produção real no curto prazo, mas esse efeito não é permanente.

Exogeneidade da moedaEditar

A Autoridade Monetária tem total controle sobre a oferta de moeda porque controla M e, como V é estável ou previsível, pode com M contrabalançar os movimentos de V e controlar o lado esquerdo da Equação de Trocas.

Efeitos da política monetáriaEditar

Supondo uma política monetária expansionista e uma velocidade-renda da moeda constante a curto prazo, o efeito de um aumento da oferta de moeda sobre a inflação dependerá de a economia estar ou não com recursos desempregados. Se a economia estiver com recursos plenamente empregados, o aumento de M provocará apenas um aumento no nível geral de preços (já que V é constante e y é constante em pleno emprego, para que a equação MV=Py valha, um aumento em M só pode alterar P). Esta é a versão original da Teoria Quantitativa da Moeda.

"Se a economia estiver com recursos desempregados, então é possível que a expansão monetária estimule a produção agregada y, sem necessariamente aumentar os preços." (Vasconcellos, 2001. p. 301) Para os monetaristas, liderados por Milton Friedman, que retomam seu emprego a partir da década de 1950, a moeda conseguiria induzir um crescimento do produto apenas no curto prazo, gerando, no longo, apenas inflação.

Referências

  1. VASCONCELLOS, Marco Antonio Sandoval de. Economia: micro e macro. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2001. Capítulo 11, O lado monetário da economia. P. 298.
  2. a b VASCONCELLOS, Marco Antonio Sandoval de. Economia: micro e macro. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2001. Capítulo 11, O lado monetário da economia. p. 299.

Ver tambémEditar

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