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Tratado de Ninfeu

Disambig grey.svg Nota: Para o tratado homônimo firmado em 1214, veja Tratado de Ninfeu (1214).

O Tratado de Ninfeu (em latim: Nymphaeum) foi um tratado e um pacto de defesa mútua firmado entre o Império de Niceia e a República de Gênova em Ninfeu em março de 1261. Tinha por objetivo a defesa mútua em caso de ataque oriundo da República de Veneza, e ao mesmo tempo uma série de concessões aos genoveses, especialmente comerciais, incluindo um bairro na capital imperial.

Tratado de Ninfeu
Mapa da região em 1265, logo após a queda do Império Latino (1261).
Tipo de tratado Aliança comercial e de defesa
Assinado Março de 1261
Local Ninfeu
Signatários Império de Niceia, República de Gênova

Outro objetivo desse tratado consistia na assistência militar dos genoveses aos nicenos na eminência dum cerco à capital do Império Latino, embora nunca foi necessário. Este tratado teria enorme impacto tanto no restaurado Império Bizantino como na República de Gênova e ditaria a história de ambos por diversos séculos depois de assinado.

Índice

ContextoEditar

Após o saque de Constantinopla na Quarta Cruzada em 1204, o Império de Niceia foi criado como um dos Estados sucessores do Império Bizantino. Após um violento e caótico início, Niceia conseguiu manter seu domínio sobre os territórios ao longo da costa da Ásia Menor contra o Império Latino ao norte e contra os turcos seljúcidas a leste. Após um tratado de Ninfeu de 1214, conseguiu lentamente expandir suas fronteiras às custas dos inimigos latinos e reconquistou uma boa parte (mas não todo) o território bizantino original e, já em 1230, o Império Latino não passava da capital Constantinopla. Por volta do final da década de 1250 e início da de 1260, Veneza ainda mantinha uma considerável frota com trinta navios no Bósforo para manter o controle sobre os estreitos e para manter os nicenos em xeque.[1]

 
Miguel VIII Paleólogo (r. 1259–1282).

A frota de Niceia - razoavelmente grande nesta época - foi capaz de retomar e exercer um controle efetivo sobre diversas ilhas do Egeu[2] e já representava uma ameaça direta à Constantinopla controlada pelos latinos,[3] mas ainda não era páreo para a frota veneziana aliada dos latinos. Este fato ficou claramente comprovado no cerco de Constantinopla em 1235, realizado por uma força conjunta niceno-búlgara, quando uma frota nicena com alegadas 100 naus foi derrotada por uma força veneziana quatro vezes menor.[4] O fracassado cerco de 1260 também comprovou a necessidade de uma frota poderosa para apoiar qualquer ataque a Constantinopla.

O tratadoEditar

Esta deficiência naval levou o imperador de Niceia, Miguel VIII Paleólogo (r. 1259–1261), a procurar uma aliança com os arquirrivais comerciais e navais de Veneza, a República de Gênova, que já estava em guerra contra Veneza. Em 13 de março de 1261, um acordo comercial e de defesa mútua foi firmado, pelo qual Gênova se aliaria aos nicenos no caso de uma guerra e proveria uma frota de até cinquenta navios para apoiar o planejado cerco niceno a Constantinopla, além de outros dezesseis a serem entregues imediatamente. Além disso, o tratado permitia que os nicenos comprassem cavalos e armas em territórios genoveses e que genoveses se alistassem nas forças nicenas.[5] Em troca, os genoveses receberiam isenção de impostos comerciais e de tarifas alfandegárias por todo o império, incluindo em seu próprio bairro em Pera, na costa do Chifre de Ouro de frente para Constantinopla.[1][6] O Tratado de Ninfeu tinha um objetivo similar ao tratado bizantino-veneziano de 1082, no qual Veneza conseguira consideráveis concessões do império.[7]

ResultadosEditar

 
Localização de Pera (atual Beyoğlu) em Constantinopla

A despeito deste tratado, Constantinopla foi recapturada de surpresa por Aleixo Estrategópulo em 25 de julho de 1261 sem precisar da ajuda dos genoveses. O Tratado de Ninfeu se tornou quase redundante para os bizantinos e Miguel VIII estava firme em seu propósito de criar uma forte marinha nacional. Porém, conforme Veneza e outros poderes católicos ameaçavam o Império Bizantino com invasões constantes, o tratado permaneceria válido, com pequenas modificações.[8]

Para Gênova, o tratado teve um enorme impacto, pois foi a base sob a qual o império comercial dos genoveses se iniciou no Oriente Médio,[8] especialmente através da transformação de Gálata (o subúrbio genovês em Pera, na outra margem do Chifre de Ouro) no maior centro comercial da região. Porém, no longo prazo, principalmente após a morte de Miguel VIII, o Império Bizantino se tornaria uma marionete nas mãos de venezianos e genoveses, conforme o poder comercial e a supremacia naval que eles um dia tiveram seria usurpada por piratas de ambos os lados.[6]

Referências

  1. a b Norwich 1997, p. 315.
  2. Ostrogorsky 1969, p. 435.
  3. Ostrogorsky 1969, p. 430.
  4. Nicol 1992, p. 166.
  5. Bartusis 1997, p. 39.
  6. a b Ostrogorsky 1969, p. 449.
  7. Ostrogorsky 1969, p. 359.
  8. a b Norwich 1997, p. 316.

BibliografiaEditar

  • Bartusis, Mark C. (1997). The Late Byzantine Army: Arms and Society 1204–1453 (em inglês). Filadélfia, Pensilvânia: University of Pennsylvania Press. ISBN 0-8122-1620-2 
  • Norwich, John Julius (1997). A Short History of Byzantium. Nova Iorque: Vintage Books. ISBN 978-0-67-977269-9