IntroduçãoEditar

A segregação espacial consiste na separação do espaço urbano em diferentes grupos, por diversas razões. Ocorre de forma voluntária (auto segregação) e, na maioria das vezes, de forma involuntária (segregação imposta). Pode ocorrer em função de classes sociais, de critérios de uso do espaço, em função da organização urbana e outros diversos motivos.[1][2]

Segregação urbanaEditar

A ausência de segregação política não exclui a segregação espacial. Nas metrópoles brasileiras, predomina a segregação por classe social. Segundo o urbanista Flávio Vilaça, (…) a segregação é um processo segundo o qual diferentes classes ou camadas sociais tendem a se concentrar cada vez mais em diferentes regiões gerais ou conjuntos de bairros da metrópole.[3][4]

Quanto maiores diferenças de renda entre grupos e classes sociais, maiores as desigualdades das condições de moradia e de acesso a serviços públicos. A segregação pode ser reforçada pelo próprio poder público, quando prioriza investimentos nas áreas ocupadas pela população de mais alta renda, negligenciando ou simplesmente ignorando a parte ocupada pelos mais pobres. O Estado pode, no entanto, promover a qualificação das áreas mais carentes - através de investimentos em habitação e infraestrutura, transportes, segurança, educação, saúde, lazer e cultura - atenuando a segregação espacial.[3][4]

(…) Os bairros das camadas de mais alta renda tendem a se segregar (os próprios bairros) numa mesma região geral da cidade, e não a se espalhar aleatoriamente por toda a cidade. (…)
— (VILLAÇA, 2001, p. 142 – grifo no original). [3]

Tipos e exemplosEditar

Existem dois principais tipos de segregação:

  • A segregação imposta se refere ao processo em que determinado grupo de indivíduos é forçado a se isolar por motivos diversos e externos à sua vontade

Esse tipo de segregação ocorre, por exemplo, na cidade de Joanesburgo na África do Sul, em que a população negra é proibida de circular em determinadas áreas que são demarcadas. Essas áreas possuem vigilância policial para restringir o acesso e punir com prisão os infratores.[2]

Existem ainda situações em que indivíduos de baixa renda são forçados a ficar em um lugar com recursos urbanos escassos por falta de condições financeiras adequadas, chegando muitas vezes a ocupar espaços ilegais, levando frequentemente à degradação ambiental.[2]

  • A auto segregação é quando a segregação acontece por vontade própria de um indivíduo ou de grupos.

Um dos exemplos desse tipo segregação são os condomínios fechados, que dispõem de segurança com seus muros e equipamentos eletrônicos, que separam quem neles moram, do perigo oferecido nas ruas.[2]

A segregação não se limita apenas a separação de classe social, raça e etc, mas há também exemplos de separação entre moradia e local de trabalho.[2]

"(...)A cena clássica cotidiana das grandes massas se deslocando nos transportes coletivos superlotados ou no transito engarrafado são a expressão mais acabada desta separação (...) (...) bairros inteiros das cidades ficam completamente desertos de dia, os bairros-dormitórios, assim como algumas regiões comerciais e bancárias parecem cenários ou cidades-fantasmas para quem as percorre a noite (...)"
Raquel Rolnik, (1988, p.42) [2]

A segregação do espaço urbano pode ser utilizada como uma ferramenta de planejamento urbano para organizar o espaço, fazendo-o ser melhor aproveitado e otimizado de acordo as necessidades.[5][6]

Ver tambémEditar

Referências

  1. Sogame, Maurício (junho de 2001). «RUDIMENTOS PARA O EXAME DA URBANIZAÇÃO EM SUA FASE CRÍTICA: UMA APROXIMAÇÃO AO CONCEITO DE SEGREGAÇÃO SOCIOESPACIAL». PERIÓDICOS DA UFES. Consultado em 12 de junho de 2018 
  2. a b c d e f Rolnik, Raquel (1988). O que é cidade. São Paulo: Brasiliense. ISBN 9788511350340 
  3. a b c «Segregação espacial urbana - Urbanidades - Urbanismo, Planejamento Urbano e Planos Diretores». urbanidades.arq.br. Consultado em 18 de maio de 2018 
  4. a b Villaça, Flávio (2001). Espaço intra-urbano no Brasil. São Paulo: Studio Nobel:FAPESP:Lincoln Institute. ISBN 978-85-85445-75-1 
  5. Saboya, Renato (13 de fevereiro de 2011). «Definição de Planejamento Urbano por Yehezkel Dror». urbanidades.arq.br. Consultado em 12 de junho de 2018 
  6. Saboya, Renato (3 de março de 2008). «O surgimento do planejamento urbano». urbanidades.arq.br. Consultado em 12 de junho de 2018 

BibliografiaEditar

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