István Jancsó

historiador brasileiro

István Jancsó (Miskolc, 18 de março de 1938 - São Paulo, 23 de março de 2010[1]) foi um professor universitário e historiador brasileiro.

István Jancsó
Nascimento 18 de março de 1938
Miskolc, Hungria
Morte 23 de março de 2010 (72 anos)
São Paulo
Nacionalidade  Brasil  Hungria
Ocupação Historiador
Cargo Professor da Universidade de São Paulo
Página oficial
Currículo Lattes

Biografia editar

Nascido na Hungria, sua família, proveniente da Transilvânia (atual Romênia), estabeleceu-se no começo do século XVIII no que hoje é a Eslováquia. Seu pai era oficial do exército húngaro e lutou na frente russa durante a Segunda Guerra, quando a Hungria era aliada ao Eixo. "No fim da guerra, meu pai não quis voltar para o país e optou pela emigração. A Hungria dele havia acabado. Essas foram as suas palavras". Assim a família, "com dois filhos e nenhum recurso" e sem conhecer a língua portuguesa, emigrou para o Brasil, em 1948.[2]

Ingressou na Universidade de São Paulo em 1960, no curso de História, onde foi aluno de Emília Viotti da Costa, Fernando Novais, Sérgio Buarque de Holanda, Antonio Candido e Florestan Fernandes. Graduou-se em 1963 e logo foi convidado pelo professor Eduardo de Oliveira França para dar aulas de História Moderna e Contemporânea na USP, onde lecionou desde março de 1964 até 1966, quando aceitou um convite para ensinar na Universidade Federal da Bahia. Já na vigência do regime militar no país, mudou-se para Salvador, onde lecionou na UFBa (de 1966 a 1971) e onde nasceram seus dois filhos. Nessa época, passa a participar clandestinamente do movimento sindical e acaba por ter que sair do Brasil. Vai para a França, onde frequenteou os seminários de Pierre Vilar e foi contratado para dar aulas na Universidade de Nantes (1971-1972). Decidiu voltar ao Brasil, antes de concluir sua tese, decidido a continuar sua militância política, em pleno governo Médici. Pouco mais de um ano depois, foi preso em Ijuí, no Rio Grande do Sul. Seu apartamento no Rio de Janeiro foi então revirado pelas forças da ordem e vários documentos foram levados, inclusive os originais de sua tese, já pronta.[2] Na prisão, em consequência das sevícias sofridas, perdeu parcialmente a audição.[3]

Em 1989, volta ser professor da USP (mediante concurso público), onde irá coordenar o Centro de Apoio à Pesquisa Histórica e dirigir o Instituto de Estudos Brasileiros e o Projeto Temático Brasil: Formação do Estado e da Nação. Criou a revista eletrônica Almanack Brasiliense, dedicada à publicação de estudos sobre a história da América portuguesa, a partir de meados do século XVIII, e do Império do Brasil.[4] Finalmente, a grande aventura final de sua vida foi dirigir o Projeto Brasiliana USP - a incorporação da Biblioteca Guita e José Mindlin ao acervo da USP.[3] [5]

Jancsó concebeu todo o projeto da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, da qual foi o primeiro diretor. Coordenava o processo de digitalização das obras doadas pelo bibliófilo José Mindlin (1914 - 2010) e a construção de uma biblioteca para abrigar fisicamente o acervo. Mas não pode concluir o projeto.

István Jancsó faleceu em 2010, aos 72 anos, em consequência de complicações renais decorrentes de um câncer.[1] A Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin foi inaugurada em 23 de março de 2013, exatamente três anos após a morte do historiador.[6]

Bibliografia[7] editar

Livros editar

  • JANCSÓ, I. (Org.) Independência: História e Historiografia. 1a. ed. São Paulo: Editora Hucitec / FAPESP, 2005. v. 1. 934 p.
  • JANCSÓ, I. Independência: História e Historiografia. São Paulo: Hucitec, FAPESP, 2005. v. 1. 934 p.
  • JANCSÓ, I. (org.) Brasil: Formação do Estado e da Nação. São Paulo: Editora HUCITEC, Editora UNIJUÍ, FAPESP, 2003. v. 1. 703 p.
  • JANCSÓ, I. Brasil: Formação do Estado e da Nação. São Paulo: Hucitec, Ed. UNIJUÍ, FAPESP, 2003. v. 1. 703 p.
  • JANCSÓ, I. Festa: cultura e sociabilidade na América portuguesa. São Paulo: EDUSP, Hucitec, FAPESP, IMESP, 2001. v. 2.
  • JANCSÓ, I. (org.) Cronologia de História do Brasil Monárquico (1808-1889). 1ª. ed. São Paulo: Humanitas, 2000. v. 1. 163 p.
  • JANCSÓ, I. Cronologia de História do Brasil Monárquico (1808-1889). São Paulo: Humanitas, 2000. v. 1. 163 p.
  • JANCSÓ, I. Humanidades, Pesquisa, Universidade. SAO PAULO: FFLCH-USP, 1996. 199 p.
  • JANCSÓ, I. Na Bahia contra O Imperio - História do Ensaio de Sedição de 1798. São Paulo: HUCITEC, 1996. v. 1. 212 p.
  • JANCSÓ, I. Cronologia de História do Brasil Colonial (1500-1831). SAO PAULO: Departamento de História da USP - Série Iniciação, 1994. 286 p.
  • JANCSÓ, I. Contribuição ao estabelecimento de bases para uma nova política de ajuda . Salvador: CESE, 1976.
  • JANCSÓ, I. Problemas de qualificação da força de trabalho na Micro-região de Vitória-ES. Rio de Janeiro: FASE, 1974. v. 1.
  • JANCSÓ, I. Introdução ao Estudo da História - Historia e Historiografia. Salvador: EDUFBA, 1970. v. 1.
  • JANCSÓ, I. Introdução ao Estudo da História - História da Historiografia. Salvador: EDUFBA, 1970.
  • JANCSÓ, I. Mão de obra operária iIndustrial na Bahia. Salvador: CPE-SETRABES, 1969.

Capítulos de livros editar

  • JANCSÓ, I.; MACHADO, A. R. A. "Tempos de reforma, tempos de revolução". In: Bettina Kann; Patricia Souza Lima. (Org.). Cartas de uma imperatriz. São Paulo: Estação Liberdade, 2006, v. , p. 17-49.
  • JANCSÓ, I. Prólogo do livro Independência: História e Historiografia. In: István Jancsó. (Org.). Independência: História e Historiografia. 1a. ed. São Paulo: Editora Hucitec / FAPESP, 2005, v. 1, p. 11-12.
  • JANCSÓ, I. "Independência, Independências". In: István Jancsó. (Org.). Independência: História e Historiografia. 1a. ed. São Paulo: Editora Hucitec / FAPESP, 2005, v. 1, p. 17-48.
  • JANCSÓ, I. "O sentido da tutoria". In: Rogério Lacaz-Ruiz. (Org.). Encontros. São Paulo: Roca, 2003, v. , p. 163-173.
  • JANCSÓ, I. "Este livro". Brasil: Formação do Estado e da Nação. In: István Jancsó. (Org.). Brasil: Formação do Estado e da Nação. São Paulo: Hucitec, Editora UNIJUÍ, FAPESP, 2003, v. , p. 15-28.
  • JANCSÓ, I. "O Doutor Barata - Político, Democrata e Jornalista". In: Marcos Silva. (Org.). Dicionário Crítico Câmara Cascudo. São Paulo; Natal: Perspectiva, FFLCH-USP, FAPESP; EDUFRN, Fundação José Augusto, 2003, v. , p. 62-65.
  • JANCSÓ, I.; KANTOR, I. "Falando de festas". In: István Jancsó; Iris Kantor. (Org.). Festa: cultura e sociabilidade na América portuguesa. São Paulo: EDUSP, Hucitec, FAPESP, Imprensa Oficial, 2001, v. 1, p. 3-13.
  • JANCSÓ, I. "Bahia 1798 - a hipótese do auxílio francês ou a cor dos gatos". In: Junia Furtado. (Org.). Diálogos Oceânicos - Minas Gerais e as novas abordagens para uma história do Império Ultramarino Português. Belo Horizonte: Ed.UFMG, 2001, v. , p. 361-387.
  • JANCSÓ, I.; PIMENTA, J. P. G. "Peças de um mosaico (apontamentos para o estudo da emergência da identidade nacional brasileira". In: Carlos Guilherme Mota (org.). Viagem Incompleta 1500-2000 - A experiências Brasileira. São Paulo: SENAC São Paulo Editora, 2000, v. 1, p. 127-175.
  • JANCSÓ, I. "Palavras do Orientador". In: István Jancsó. (Org.). Cronologia de História do Brasil Monárquico. São Paulo: Humanitas, 2000, v. 1, p. 15-19.
  • JANCSÓ, I. "Contrabandos e ideias". In: C. Domingues; C. Lemos; E. Yglesias. (Org.). Animai-vos povo bahiense - a conspiração dos alfaiates. Salvador: Omar G. Editora, 1999, v. 1, p. 59-67.
  • JANCSÓ, I. "A Sedução da Liberdade - cotidiano e contestação política no final do século XVIII". In: Laura de Mello e Souza; Fernando Novais (org.). Cotidiano e vida privada na América Portuguesa. São Paulo: Companhia das Letras, 1997, v. 1, p. 387-437.
  • JANCSÓ, I. "A Construção dos Estados Nacionais na América Latina - Apontamentos para o Estudo do Império como Projeto". In: José Roberto do Amaral Lapa; Tamás Szmrecsányi (org.). História econômica da Independência e do Império. 1 ed. São paulo: HUCITEC, 1996, v. 1, p. 3-26.
  • JANCSÓ, I. Apresentação. In: Ana Maria de Almeida Camargo. (Org.). Diagnóstico dos Arquivos da FFLCH da Universidade de São Paulo. 1 ed. 158: CAPH/DH/FFLCH - USP, 1996, v. 1, p. -.
  • JANCSÓ, I. "A Crise do stalinismo e a questão Nacional. In: Jorge Novoa. (Org.). A História à deriva - um balanço de fim de século. Salvador: Universidade Federal da Bahia, 1993, v. , p. 109-126.
  • JANCSÓ, I.; MATTOSO, K. Q. "Como estudar a história quantitativa da Bahia". In: Frederic Mauro. (Org.). L'histoire quantitative du Brésil. Paris: CNRS, 1972, v. , p. 361-373.
  • JANCSÓ, I. "As exportacoes da Bahia durante a República Velha". In: Frederic Mauro. (org.). L'histoire quantitative du Brésil. Paris: CNRS, 1972, v., p. 335-359.

Artigos Acadêmicos editar

  • JANCSÓ, I. Brasil e brasileiros: notas sobre modelagem de significados políticos na crise do Antigo Regime português na América. Estudos Avançados, v. 22, p. 257-274, 2008.
  • JANCSÓ, I.; MOREL, M. Novas perspectivas sobre a presença francesa na Bahia em torno de 1798. Topoi (Rio de Janeiro), v. 8, p. 206-232, 2007.
  • JANCSÓ, I. Às portas da União Européia. Panorama da Conjuntura Internacional, São Paulo, p. 12-13, 2003.
  • JANCSÓ, I. At the doors of the European Union. Panorama of the International Conjuncture, São Paulo, p. 12-13, 2003.
  • JANCSÓ, I.; SLEMIAN, A. Um caso de patriotismo imperial. Correio Braziliense, São Paulo, v. XXX, n. Tomo 1, p. 605-667, 2002.
  • JANCSÓ, I. A nação como enigma. Jornal de Resenhas, São Paulo, v. nº70, p. 9-9, 2001.
  • JANCSÓ, I. RDIDP, prêmio e cenário de futuro. Informe Fflch Usp, São Paulo, v. nº20, p. 1-2, 2001.
  • JANCSÓ, I. Estranhos estrangeiros - Resenha Crítica do livro "Frente Popular, radicalismo e revolução passiva no Chile", de A. Aggio. Fapesp Pesquisa, São Paulo, n. 50, p. 48, 2000.
  • JANCSÓ, I.; PIMENTA, J. P. G. Peças de um mosaico. Revista de História das Idéias, Coimbra, v. 21, p. 389-440, 2000.
  • JANCSÓ, I. O impasse yugoslavo. Panorama da Conjuntura Internacional, São Paulo, n. 6, p. 12-13, 2000.
  • JANCSÓ, I. Andanças com Ilana Blaj. Revista de História (USP), São Paulo, v. 142, p. 363-370, 2000.
  • JANCSÓ, I. Nós e nossas ambiguidades - Resenha Crítica da obra "A questão Nacional em Porto Rico - O Partido Nacionalista (1922-1954)" de Kátia Abud. Notícias FAPESP, São Paulo, n. 44, p. 47, 1999.
  • JANCSÓ, I. Eleições Na Hungria. Sociedades em Transformação, São Paulo, v. 5/1, p. 8-17, 1998.
  • JANCSÓ, István . A Emergência da Identidade Nacional como Problema Historiográfico. Diário Oficial do Estado de São Paulo - Suplemento Especial, São Paulo, v. 108, p. 4, 1998.
  • JANCSÓ, I. Reedição Contempla Rigor da Obra de Evaldo Cabral de Mello. Jornal da Tarde, São Paulo, v. 25.8, p. 8, 1998.
  • JANCSÓ, I. O Professor Azevedo e as Andanças do jovem Maxwell. Caderno Mais! - Folha de S.Paulo, São Paulo, v. 25.01, p. 5/14, 1998.
  • JANCSÓ, I. Resistência escrava no Brasil. JORNAL DE RESENHAS, v. 27, p. 0-0, 1997.
  • MENEZES, U. T. B. ; JANCSÓ, István . Comentário. ANAIS DO MUSEU PAULISTA, São Paulo, v. 3, p. 0-0, 1997.
  • JANCSÓ, I. A 2ª Conferência Hungria 2000. Sociedades em Transformação, São Paulo, v. 4/1, p. 8-12, 1997.
  • JANCSÓ, I. Comentários. Anais do Museu Paulista, São Paulo, v. 3, p. 89-92, 1997.
  • JANCSÓ, I. Resistência Escrava No Brasil. Jornal de Resenhas, São Paulo, v. 27, p. 4, 1997.
  • JANCSÓ, I. O Fim do Império. JORNAL DE RESENHAS, v. 12, p. 0-0, 1996.
  • JANCSÓ, I. A Armadilha do Mosaico. Revista da USP, São Paulo, v. 29, p. 189-195, 1996.
  • JANCSÓ, I. O Tratado de Trianon - Atualidade de uma lembrança. Não Consta, SAO PAULO-SP, p. 0-0, 1995.
  • JANCSÓ, I. Sklar, Martins - The United States as a Developing Country. Não Consta, SAO PAULO-SP, p. 0-0, 1992.
  • JANCSÓ, I. O PMDB e a Questão Sindical. Revista do PMDB, v. 3, p. 0-0, 1982.
  • JANCSÓ, I. Prática Educativa - Notas sobre problemas de bairro. Proposta, v. 6, p. 0-0, 1977.
  • JANCSÓ, I. Conferência Hungria 2000. Sociedades em transformação, v. 4-1, p. 0-0, 1977.
  • JANCSÓ, I. A Continuidade como Critério de Avaliação. Proposta, v. 2, p. 0-0, 1976.
  • JANCSÓ, I. O Nordeste e Os Programasde Intervencao Social. Cadernos do CEAS, v. 44, p. 0-0, 1974.
  • JANCSÓ, I. Os Movimentos de Acomodação. Anais do Museu Paulista, p. 0-0, 1968.

Referências

  1. a b O geneticista e o historiador. Matéria sobre a morte do historiador István Jancsó, em 23 de março de 2010, e do geneticista Oswaldo Frota-Pessoa, no dia seguinte. Revista Pesquisa Fapesp 170, abril de 2010 p. 44
  2. a b "O Brasil não comporta heróis populares" Arquivado em 2 de junho de 2014, no Wayback Machine.. Entrevista de István Jancsó, em 12 de abril de 2009, à Revista de História da Fundação Biblioteca Nacional.
  3. a b Um historiador combatente: István Jancsó. Resenha o livro Um historiador do Brasil: István Jancsó, de MOREL, Marco; SLEMIAN, Andréa; LIMA, André Nicácio (orgs.). São Paulo: Hucitec, 2010, 400 p.] História da historiografia Ouro Preto, número 8, abril de 2012.
  4. A revista Almanack Braziliense, de propriedade do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo, encerrou suas atividades em maio de 2010, com a publicação de número 11. Todos os números publicados até então continuam disponíveis no site do IEB [1].
  5. ISTVÁN JANCSÓ (1938-2010) Professor húngaro que deu a vida à universidade. Por Estevão Bertoni. Folha de S.Paulo, 24 de março de 2010.
  6. Exposições marcam inauguração da Biblioteca Brasiliana Mindlin. Por Frances Jones. Revista Pesquisa FAPESP , 25 de março de 2013.
  7. Currículo Lattes

Ligações externas editar