Álvaro I do Congo

Álvaro I (1537-1587) foi o manicongo (rei) do Reino do Congo de 1 de fevereiro de 1567 até sua morte em 6 de março de 1587. [1] Ele foi o sétimo rei cristão do Congo e o primeiro rei a não ser da Casa de Luqueni, que governava o reino desde sua fundação por Nímia Luqueni em 1390. Ele também é muito lembrado por seu conturbado reinado devido á conflitos com tribos e reinos rivais e por seus esforços para restaurar a paz com os portugueses, que estavam debilitadas devido os reinados anteriores. [2]

Álvaro I
Manicongo
Rei do Congo
Reinado 1 de fevereiro de 1567
a 6 de março de 1587
Antecessor(a) Henrique I
Sucessor(a) Álvaro II
 
Dinastia Casa de Coulo
Nome completo Álvaro Nímia Luqueni Amvemba
Nascimento 1530
  São Salvador, Reino do Congo
Morte 6 de março de 1587 (57 anos)
  São Salvador, Reino do Congo
Mãe Dona Isabel Luqueni lua Amvemba
Religião Catolicismo
Brasão

Primeiros anosEditar

Dom Álvaro nasceu em 1537, sendo filho de Dona Isabel Luqueni lua Amvemba, membro da Casa de Luqueni e filha de Afonso I, com um nobre de nome desconhecido. Anos mais tarde após a morte de seu pai, sua mãe viria a se casar com Henrique I, futuro manicongo entre 1566 á 1567. Devido á falta de filhos deste último, Álvaro foi declarado herdeiro, se tornando rei em 1567 após a morte de seu padrasto em seu efêmero reinado.

Início do ReinadoEditar

Logo após chegar ao trono, Dom Álvaro I tentou reatar as relações com o Reino de Portugal, que estavam debilitadas e conflituosas desde o reinado de Dom Diogo. Ele enviou uma carta á Portugal direcionada ao então príncipe-regente Dom Henrique de Avis para reatar á aliança política e religiosa. O regente respondeu enviando o bispo de São Tomé para negociar com o jovem rei pela paz, coisa que foi reconquistada com sucesso. Logo após isso ele lançou leis que ocidentalizavam cada vez mais o país, como a proibição da poligamia, construção de igrejas, envio de embaixadores para Lisboa e Roma, além da polêmica criminalização da religião congolesa. Ele também estabeleceu São Salvador do Congo como a capital oficial do reino, já que até então a cidade era apenas a morada dos reis e da corte, sem nenhum status oficial.

Invasão dos JagasEditar

Em 1573, o reino do Congo foi invadido por tribos Jagas. A cidade de São Salvador foi invadida, fazendo com que o povo tivesse de fugir para as montanhas ou para o campo e o rei com a corte fugirem para uma pequena aldeia numa ilha do Rio Congo. Em seu exílio, o rei enviou uma carta para Luanda pedindo ajuda na guerra contra os Jagas. O governo logo enviou um exercito de 600 homens ao Congo para combater os Jagas. As batalhas foram vencidas, mas a cidade ficou destruída e o reino em crise.

Ameaças e OcidentalizaçãoEditar

Após a guerra contra os Jagas, Dom Álvaro escreveu uma carta ao rei de Portugal Dom Sebastião pedindo para estabelecer um protetorado no reino, evitando assim posteriores invasões e garantindo permanência dos reis congoleses ao trono. O rei, porém, recusou o pedido. Na mesma época de recuperação do reino foi fundada a África Ocidental Portuguesa, atual Angola por Paulo Dias de Novais e isso fez com que se intensificasse o tráfico de escravos na região.

Logo após o fim da guerra dos Jagas, o general português Francisco de Gouveia Sotomaior planejou a anexação do reino á recém fundada Colônia de Luanda. Entretanto, os residentes portugueses no Congo foram contra a proposta do governador, já que tinham negócios no reino, famílias ou simplesmente haviam adotado o país como sua pátria. De qualquer forma, o plano de Francisco de Gouveia não foi para frente, principalmente pela oposição do conselheiro-chefe de Álvaro, Francisco Barbuda.

Devido á decadência do país e as ameaças coloniais, o rei enviou em 1579 uma carta ao rei-cardeal de Portugal, Dom Henrique I pedindo o envio de mais missionários no reino, porém com a morte deste em 1580, a carta não foi respondida. Dois anos depois, em 1582, o rei da Espanha, Filipe II, que havia obtido a coroa portuguesa reivindicou a carta e enviou missionários para converter os nativos e reconstruir as edificações. Na mesma época o rei enviou uma embaixada a Madrid, com o nobre Eduardo Lopez para ser o embaixador de Madri no Congo.

Com a chegada de novo missionários (portugueses, espanhóis e italianos) o reino foi se reconstruindo, pois algumas escolas religiosas foram fundadas para instruir os jovens, além dos primeiros hospitais; Os missionários não eram bem remunerados por seus serviços, por isso o rei enviou uma carta á Eduardo Lopez para conversar com o papa Sisto V, mas este negligenciou o serviço e enviou o problema ao rei Filipe II, que também não deu importância ao caso. Por este motivo muitos missionários abandonaram o país, ficando apenas alguns. Dizem que pode ter ficado apenas meia dúzia de padres para atender as 30 mil localidades do reino. Além disso os jagas, que ainda existiam passaram a invadir outra vez algumas regiões, debilitando quase por completo algumas cidades e igrejas. [3]

Apesar de tudo, o reino conseguiu se recuperar parcialmente e não estar decadente e com um risco de invasão, bem como foi anos antes. Dom Álvaro faleceu em 6 de março de 1587, em São Salvador com aproximadamente 50 anos de idade. Foi sucedido por seu filho Nimi a Knanga, que tomou o nome de Dom Álvaro II. [4]

Referências

  1. Laures, Johannes; Frois, P. Luis; do Amaral Abranches Pinto, Joao; Okamoto, Yoshitomo (julho de 1938). «Segunda Parte Da Historia De Japan que trata das cousas, que socederao nesta V. Provincia da Hera de 1578 por diante, comecado pela Conversao del Rey de Bungoj. (1578-1582)». Monumenta Nipponica. 1 (2). 622 páginas. ISSN 0027-0741. doi:10.2307/2382697 
  2. Bontinck, François (1980). «Un mausolée pour les Jaga.». Cahiers d’études africaines. 20 (79): 387–389. ISSN 0008-0055. doi:10.3406/cea.1980.2344 
  3. Bontinck, François (1980). «Un mausolée pour les Jaga.». Cahiers d’études africaines. 20 (79): 387–389. ISSN 0008-0055. doi:10.3406/cea.1980.2344 
  4. «Si vous passez à Rome». eglise.animiste.pagesperso-orange.fr. Consultado em 20 de junho de 2020