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Amadeo Rossi

Amadeo Rossi (Belluno, 15 de maio de 1862São Leopoldo, 18 de janeiro de 1956) foi um industrial ítalo-brasileiro, fundador de uma funilaria em 1889 que veio a se tornar a Amadeo Rossi S.A., famosa pela produção de armas adotadas em todo o país por civis e forças de segurança, tendo seus produtos exportados mundialmente. É considerada uma das maiores fabricantes de armas do Brasil.

Índice

O fundadorEditar

Amadeo saiu da Itália em torno de 1881 com o pai Modesto Rossi e quatro irmãos, estabelecendo-se primeiro na antiga Colônia Caxias, onde tinha parentes, passando a viver no distrito de Santa Lúcia do Piaí. Na sua terra natal trabalhara como funileiro, mas no Brasil a família se dedicou à agricultura. As condições para os colonos não eram fáceis, e Amadeo decidiu voltar para a funilaria, mudando-se para a sede urbana.[1] Ali tornou-se o pioneiro da metalurgia, abrindo em 1889 a primeira funilaria da vila, fabricando artigos de montaria, alambiques e caldeiras. Nesta fase também percorria as colônias fazendo consertos em utilitários domésticos e vendendo seus produtos.[2][1] O negócio se ampliou com seções de ourivesaria, secos e molhados, selaria e trançamento, ferragens, cutelaria, louças e equipamentos domésticos, e fazia a representação de várias firmas de Porto Alegre.[3][1]

Em 1907 já tinha cem operários.[1] Em 1912 estava inserido entre a elite do empresariado caxiense, participando da reativação da Associação dos Comerciantes, fundada em 1901 mas paralisada desde 1907, e assumindo uma diretoria. No mesmo ano a assembleia decidiu que todos os sócios inscritos até 1912 seriam considerados fundadores.[4][5][6] Em 1913 associou-se a um certo Zugno para abrir uma oficina mecânica, uma ferraria e uma serraria, viajando à Europa para adquirir equipamentos.[7] No fim do mesmo ano fez outra viagem para reequipar a metalúrgica.[8] Em 3 de agosto de 1914 falecia seu pai Modesto, com a idade de 70 anos.[9]

Na década de 1910 seus produtos ganharam várias distinções: prêmio na Exposição Estadual de 1901, medalhas de prata e bronze na Exposição Nacional de 1908,[10] medalha de ouro na Exposição Universal de 1911 em Turim, medalha de ouro e menção honrosa na Exposição Agropecuária de Porto Alegre de 1912,[3] medalha de prata na Exposição de Santa Maria em 1914,[11] medalhas de ouro e prata na III Exposição Estadual de Porto Alegre em 1916,[12] medalha de ouro na Exposição Agrícola Industrial de Caxias, no mesmo ano,[13] e medalhas de ouro e prata e menção honrosa na Exposição-Feira Agropecuária de Porto Alegre de 1917.[14] Em 1918, quando participou da Exposição Agrícola Industrial de Porto Alegre, sua mostra contava com "um sortimento completo de obras de metal branco e prata, arreiamentos para montaria, espoletas, alambiques, artigos em cobre e cartuchos".[15]

Em 1919 a imprensa chamava sua empresa de "estabelecimento de primeira ordem", mas iniciava um redirecionamento. A fundição dominava a produção da fábrica, a seção de ourivesaria havia sido reduzida, e os outros negócios não aparecem mais entre os interesses de Amadeo.[16] Em 1922 a empresa assumiu a razão social de Amadeo Rossi & Cia., já concentrada na produção de espoletas e explosivos, cartuchos para armas e outros artigos de caça e tiro. No mesmo ano, Mário, um dos filhos de Amadeo e seu auxiliar, conseguiu um contrato com o Governo do Estado para a produção de granadas.[1] Seu sucesso fez com que Amadeo fosse destacado no álbum comemorativo dos 50 anos da imigração em 1925 como um dos expoentes da indústria local.[17] Em 1932 passou a fornecer máscaras contra gases para o Exército.[1]

Pouco depois, contudo, em 1937, uma crise no abastecimento de eletricidade em Caxias fez com que Amadeo transferisse sua empresa para São Leopoldo, onde prosperou ainda mais.[1] Amadeo foi calorosamente homenageado em 1941 junto com outros fundadores ainda vivos da Associação dos Comerciantes, ocasião em que foi feito sócio honorário e a entidade foi declarada de utilidade pública pelo Município de Caxias, numa solenidade “de brilhantismo inexcedível”, "comemorando um largo período de lutas, reivindicações, desafios e vitórias", quando os homenageados foram apresentados à nova geração como “a imagem de um passado distante cheio de sacrifícios à causa sacrossanta do comércio".[6][18]

Durante a II Guerra Mundial a empresa passou a ser fornecedora do Exército, dedicando-se intensamente a artigos bélicos e sendo classificada como "empresa de interesse militar". Ao mesmo tempo expandia a seção de armas de caça e esporte. Em 1944 Amadeo foi distinguido com o título de Cidadão Brasileiro pela portaria nº 9584 de 30 de outubro do Governo Federal.[1] Em 1954, ainda fornecendo para o Exército, foi muito elogiado pelo general Canrobert da Costa, que em visita de inspeção declarou-se impressionado com as instalações da fábrica e com a qualidade do produto.[19] Faleceu em 1956, deixando doze filhos.[1] No obituário que escreveu para o Diário de Notícias Luiz Maineri enalteceu seu exemplo de dedicação ao trabalho, sua honradez e sua bondade pessoal, chamando-o de um dos titãs do progresso brasileiro.[20] A família deu continuidade à empresa.[1]

Evolução da empresaEditar

Rossi Esporte e Lazer
Razão social Amadeo Rossi S.A. (Rossi Esporte e Lazer)
Empresa privada
Atividade Defesa
Fundação 1889 Caxias do Sul - RS
Fundador(es) Amadeo Rossi
Sede São Leopoldo,   Brasil
Locais   Brasil,   Estados Unidos
Presidente Luciano Von Hohendorff Rossi
Empregados ~500
Produtos Arma de Fogo
Faturamento   R$42 milhoẽs (2013)
Website oficial www.rossi.com.br

Em 1965 a então chamada Amadeo Rossi Metalúrgica e Munições foi visitada pelo embaixador da Itália, que a elogiou como uma da principais da América do Sul em seu gênero. Na data suas instalações ocupavam 80 mil metros quadrados, empregando 1.370 funcionários.[21][1]

Na década de 70, passou a ser distribuída pela Interarms Virginia, nos Estados Unidos. Continuou sendo importada até 1997, quando fundou a BrazTech, representante própria da Rossi na América do Norte. Seus revolveres tiveram grande popularidade nos Estados Unidos, Canadá e alguns países da Europa.[22]

Em 2005 a linha de revólveres e armas de mão havia sido comprada pelas Forjas Taurus e o foco da produção era os rifles e espingardas, compondo 70% das vendas. 50% da produção era distribuída nos Estados Unidos pela BrazTech.[23] Em 2008 outros equipamentos e licenças de armas longas foram vendidos à Taurus, incluindo máquinas e processos de fabricação das linhas Pomba e Puma, a aquisição de estoques de insumos e produtos prontos e em elaboração, e o licenciamento da marca Rossi para a fabricação e comercialização das duas linhas de armas.[24] Desde 2010 a Rossi não produz mais armas de fogo para venda no mercado brasileiro e completou a transferência da comercialização destes itens à Taurus.[25]

Passou a se dedicar exclusivamente a distribuição e importação de armas de pressão e de airsoft, esporte que segue em alta no Brasil desde sua legalização. A Rossi distribui no Brasil armas de pressão das marcas Beeman, Hatsan, SIG SAUER, Cometa, Samyang, KWC dentre outras. Além de airsofts das marcas CYMA, G&G, King Arms, KWC entre outras.

Em 2012 foi considerada uma das maiores fabricantes de armas do Brasil.[25] Hoje a empresa brasileira oferece, além das armas de pressão, uma linha de produtos diversificada, incluindo arcos e balestras, cutelaria, jogos, lunetas, maletas, placas decorativas, vestuário e acessórios esportivos.[26]

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b c d e f g h i j k "O Grande Amadeo Rossi". Diário de Notícias, 01/08/1965
  2. Herédia, Vânia Beatriz Merlotti. O Processo de Industrialização da Zona Colonial Italiana. EDUCS. 1997
  3. a b "Amadeo Rossi - Caxias". O Brazil, xx/xx/1913
  4. “Caxias, 22”. A Federação, 22/02/1912
  5. "Cooperativismo". O Brazil, 24/02/1912
  6. a b “Com um brilhantismo inexcedivel realisou-se a solenidade comemorativa, no dia 8 do corrente”. A Época, 13/06/1941
  7. "Novo estabelecimento". O Brazil, 27/02/1913
  8. "Fabrica Metallurgica". O Brazil, 22/11/1913
  9. "Necrologia". O Brazil, 08/08/1914
  10. "Exposição Nacional de 1908". O Brazil, 28/01/1911
  11. "Exposição de Santa Maria". O Brazil, 30/05/1914
  12. "Premiati nella 3ª Esposizione Agro Pecuaria realizzata à 2 settembre 1916 in Porto Alegro". Città di Caxias, 23/07/1916
  13. "A exposição". O Brazil, 11/03/1916
  14. "Distribuição de Diplomas". O Brazil, 13/07/1917
  15. "A Exposição Agrícola Industrial". A Federação, 09/08/1918
  16. "As nossas industrias". O Brazil, 19/06/1919
  17. Cichero, Lorenzo (org). Cinquantenario della Colonizzazione Italiana nel Rio Grande del Sud, vol. II. Comitato pro Cinquantenario [Governo do Estado do Rio Grande do Sul / Consulado da Itália], 1925. Edição fac-similar. Pozenato Arte & Cultura, 2000, p. 435
  18. “Associação Comercial de Caxias”. O Momento, 14/07/1941
  19. "Amadeo Rossi". Diário de Notícias, 23/05/1954
  20. "Amadeu Rossi". Diário de Notícias, 26/01/1956
  21. "Amadeo Rossi Metalúrgica e Munições recebe a visita do embaixador da Itália". Diário de Notícias, 21/02/1965
  22. "The Rossi revolution of firearm design". Braztech International, consulta em 01/08/2012
  23. Fernandes, Rubem César. Brasil: as armas e as vítimas. 7Letras, 2005, p 86
  24. "Forjas Taurus negocia compra de linha de armas da Rossi". Valor Online, 25/08/2008
  25. a b Santini, Daniel & Viana, Natalia. “Em cinco anos, 4,3 milhões de armas nas ruas”. APublica, 27/01/2012
  26. Rossi Esporte e Lazer. Produtos.