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António de Holanda

Genealogia dos Reis de Portugal

António de Holanda foi um importante miniaturista ativo em Portugal no início do século XVI.

Não se conhece o local nem a data de seu nascimento, mas estima-se que tenha nascido entre 1480 e 1500 e, a partir do seu nome, que seja originário dos Países Baixos. O primeiro registro que se tem dele é de 1518, quando foi nomeado passavante pelo rei Dom Manuel I. Em 1571 já estava morto, uma vez que seu filho, o insigne humanista e pintor Francisco de Holanda, escreve dizendo que já não vivia.

Boa parte de sua produção se perdeu, mas sobrevive o suficiente para confirmar o alto juízo que dele fazia seu filho. Foi um dos autores das iluminuras do Livro de Horas de D. Manuel, da Genealogia dos Reis de Portugal, do Atlas Miller e da Genealogia dos Condes da Feira.

ObrasEditar

  • Livro de Horas de D. João III (Horae Beatae Maria Virginis), anterior «Livro de Horas dito de D. Manuel»). Atribuído à oficina de António de Holanda (iniciado em 1517, concluído antes de 1534), nele tendo colaborado, entre outros, o seu filho Francisco de Holanda. Manuscrito em pergaminho encadernado de veludo carmezim, lavrado a toda a volta das duas capas, sem incrustações e sem fecho (encadernação tardia do século XVIII). Pertenceu à Biblioteca da Casa Real, esteve na Biblioteca do Paço do Rio de Janeiro e regressou a Lisboa com a família real em 1821. Passou depois à posse do padre Joaquim Dâmaso (1777-1833), bibliotecário da Corte e deste para a livraria de D. Francisco de Mello Manoel da Câmara, que seria adquirida pelo Estado em 1852, tendo dado entrada na Biblioteca Nacional de Portugal. No entanto, estas Horas continuaram na posse do seu herdeiro D. João de Mello Manoel da Câmara (1800-1883), 1.º conde de Silvã em 1852, tendo sido por este oferecida a “Suas Magestades” em data desconhecida. Em 1915 deu entrada no Museu Nacional de Arte Antiga, vindo do Palácio das Necessidades, onde permanece. (Inv. 14)
  • Livro dos Ofícios Pontifícios (Officiale Pontificalium), atribuído a António de Holanda (data provável de execução: 1539-1541). Manuscrito em pergaminho com encadernação em pele tardia. Frontispício iluminado tendo ao centro as armas do Inquisidor-mor D. Henrique, ladeado por emblemas do Santo Ofício da Inquisição. Foi encomendado pelo Inquisidor-mor D. Henrique (nomeado em 1539, cardeal em 1546 e rei de Portugal em 1578) e veio depois a pertencer à casa dos duques de Cadaval, tendo dado entrada nos ANTT na década de 1970. Só foi conhecido do público em 1990, quando Martim de Albuquerque deu à estampa dois dos seus riquíssimos fólios iluminados, incluindo o das moedas, no livro A Torre do Tombo e os seus Tesouros (Lisboa, edições INAPA, 1990, pp. 289–90). Desde então tem sido atribuído, pelo menos em termos de estilo, à oficina de António de Hollanda. Permanece nos Arquivos Nacionais da Torre do Tombo, códice Cadaval 16 (Casa Forte).
  • Horae Beatae Mariae, manuscrito sobre velino, em letra gótica de transição, iluminado em grisaille. Segundo consta de nota manuscrita por Fr. Luís de São Tiago, na capa do códice «Este livro foi da rainha D. Leonor e não se pode dar de fora sob pena de excomunhão». A iluminura de uma delicadeza extraordinária, tem sido atribuída a António de Holanda e comporta páginas totalmente iluminadas representando cenas sagradas e páginas de texto, enquadradas por tarjas variedades, onde os motivos, embora semelhantes, não se repetem nunca, constituindo um documento para o estudo da indumentária, armas, instrumentos musicais e costumes da época. É um códice da Biblioteca Nacional de Portugal. (Il. 165)
  • Crónica de D. João I de Fernão Lopes (Primeira parte), atribuído à oficina de António de Holanda, iniciado cerca de 1530. Na folha de rosto ostenta, na parte superior, as armas de D. João I, ladeadas pela sua divisa «Por Bem»; na parte inferior, as armas do infante D. Fernando, filho de D. Manuel I, ladeadas pela sua divisa «Salus Vitae»; e, nas margens laterais da cercadura, dois distintivos da Ordem da Jarreteira. A representação da insígnia desta ordem de cavalaria (The Order of the Garter), instituída em 1348 por Eduardo III da Inglaterra (1312-1377) e que também se encontra representada nas esculturas laterais dos túmulos dos infantes da Ínclita Geração, dá bem a medida da sua importância honorífica para a época, certamente tão grande como ainda hoje conserva. Este códice revela, assim, um facto que não era do conhecimento dos nossos historiadores e que a ciência da emblemática revelou, de que D. João I foi investido na Ordem da Jarreteira cerca de 1386-1388, provavelmente em 1387, ano do seu matrimónio com Filipa de Gant, filha do príncipe John de Gant, duque de Lencastre e neta de Eduardo III, na sequência da assinatura em Windsor do Tratado Luso-Inglês de 1386, que trouxe à Península um exército comandado pelo próprio duque. Mandada copiar e iluminar cerca de 1530 pelo infante D. Fernando (1505-1534), sexto filho de D. Manuel I e de D. Maria, terá sido levada para Madrid por Filipe II (I de Portugal) em 1583 e oferecida a um dos seus filhos. Encontra-se hoje na Biblioteca Nacional da Espanha.

Referências