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António de Medeiros e Almeida
Nascimento 17 de setembro de 1895
Lisboa
Morte 19 de fevereiro de 1986 (90 anos)
Pena
Cidadania Portugal
Ocupação empresário
Prêmios Comendador da Ordem do Mérito, Oficial da Ordem do Mérito, Comendador da Ordem Militar de Cristo, Grã-Cruz da Ordem do Mérito Empresarial, Grande-Oficial da Ordem do Mérito Empresarial

António de Medeiros e Almeida ComCGOMAIGCMAIOBComB (Lisboa, São Mamede, 17 de Setembro de 1895 — Lisboa, Pena, 19 de Fevereiro de 1986) foi um dos homens de negócios portugueses mais bem sucedidos do século XX, para além de um dos maiores mecenas de arte que Portugal já conheceu, sendo superado apenas por Calouste Gulbenkian, que era de origem arménia.

Juventude e casamentoEditar

Nascido no seio de uma prestigiada família de origem açoriana, era filho de João Silvestre de Almeida e de sua mulher Maria Amélia de Medeiros.

Em 1916 rumou a Coimbra com o intuito de ingressar na Faculdade de Medicina, como haviam feito o seu pai e o seu irmão Gustavo de Medeiros e Almeida. Todavia, faltava um ano para o final do curso quando decidiu abandoná-lo e dedicar-se ao mundo dos negócios, partindo para a Alemanha em 1920, a fim de estudar gestão e contabilidade.

Quatro anos depois, em 1924, regressado a Portugal, casou em Lisboa a 23 de Junho com Margarida Rita de Jesus de Castelbranco Ferreira Pinto Basto (Lisboa, São Vicente de Fora, 5 de Junho de 1898 - Lisboa, 25 de Junho de 1971), filha de João Teodoro Ferreira Pinto Basto e de sua mulher Constança de Castelbranco (neta materna do 8.º Conde de Pombeiro), da ilustre família dos donos da Fábrica de Porcelanas da Vista Alegre, passando a residir na cidade de Lisboa novamente.

Os negóciosEditar

 
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Inicia-se enfim no mundo dos negócios, dedicando-se a este com exímio dinamismo, tornando-se rapidamente num dos homens mais ricos de Portugal, tendo em suas mãos a administração de 21 empresas. Contudo, foi como coleccionador de arte que se distinguiu a nível nacional e internacional.

A 15 de Maio de 1941 foi feito Oficial da Ordem de Benemerência e a 19 de Novembro de 1941 foi feito Comendador da Ordem Militar de Cristo.[1]

O início da colecçãoEditar

Em 1943 adquiriu a mansão onde hoje fica sediada a fundação que fundou em 1973 e à qual doou todos os seus bens, incluindo a sua enorme colecção, maioritariamente constituida por objectos de arte, antiguidades, porcelanas e cristais, tapeçaria, mobiliário de estilo, prataria e relojoaria e por uma pequena colecção de importantes caixas de rapé. Entre o espólio de grande valor encontravam-se telas de Rembrandt, Mabuse, Rubens, José Veloso Salgado e François Boucher, caixas de rapé de pertencentes a czares russos, jóias incrivelmente valiosas -, um relógio que pertenceu à imperatriz Sissi, da Áustria-Hungria.

1925 marca o início da construção da colecção, sendo comprada ao longo dos anos por Medeiros e Almeida, primeiramente com o intuito de decorar a sua recente mansão.

A 27 de Fevereiro de 1959 foi elevado a Comendador da Ordem de Benemerência e a 18 de Agosto de 1962 foi feito Grande-Oficial da Ordem Civil do Mérito Agrícola e Industrial Classe Industrial, tendo sido elevado a Grã-Cruz da mesma Ordem e Classe a 8 de Outubro de 1969.[1]

Criação da fundação, dificuldades, e morteEditar

O passar dos anos e o facto de não ter descendência fê-lo pensar no destino a dar à sua colecção de grande valor histórico e artístico. Assim surgiu a ideia de fazer uma fundação, concretizada em 1973, à qual doou todos os seus bens valorizando o acervo artístico e cultural do seu país.

Em Janeiro de 1978, quando, em Portugal, se viviam as convulsões sociais resultantes da Revolução de 25 de Abril, e o seu projecto sofria também de convulsões, escreveu:

Desde os meus vinte anos, isto é, desde 1915, comecei a interessar-me por antiguidades, que passei a adquirir a partir dos meus 30 anos e quando a minhas posses o permitiam.

Esse interesse foi-se desenvolvendo com intensidade e a pouco e pouco fui coleccionando peças raras de valor artístico e histórico como móveis, tapetes, lustres, loiças, bibelots, leques, (...), jóias, livros, cristais, azulejos, (...), etc.

À medida que o tempo ia correndo, tornei-me mais exigente e por isso fui pondo de parte determinadas peças e substituindo-as por outras mais valiosas. Assim, a selecção tem-se mantido cada vez mais rigorosa.

Algumas dessas antiguidades foram adquiridas com certa dificuldade, umas vezes por os seus donos não quererem desfazer-se delas, outras por os seus preços estarem fora do meu alcance. Casos houve em que, para as adquirir, tive de esperar anos e outros em que, para as observar e discutir a compra, obrigado fui a deslocar-me por esse mundo fora. Mas o facto é que cada uma dessas peças, reunidas ao longo de 50 anos, faz hoje parte do meu ser e reflete o meu gosto. Por isso, sinto-me chocado quando alguém me sugere a venda de uma ou mais peças para resolver a minha actual situação financeira, que é difícil, visto ter entregue à Fundação que criei todos os meus haveres e, do pouco que me resta, parte estar nacionalizada ou comprometida para integrar a Fundação.

Na eventualidade de aumentarem essas dificuldades financeiras, preferirei, se a tanto as circunstâncias me levarem, recorrer à mendicidade, em vez de me desfazer de qualquer uma das peças que com tanto carinho e amor coleccionei para as deixar ao meu país. É possível que, por isso, me apelidem de tolo.

Serão diferenças de sensibilidade.

Morreu em Fevereiro de 1986 com 90 anos.

Referências

Ligações externasEditar

Ver tambémEditar