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Antoni Grabowski
Nascimento 11 de junho de 1857
Morte 4 de julho de 1921 (64 anos)
Varsóvia
Residência Varsóvia
Sepultamento Cemitério de Powązki
Cidadania Polônia
Alma mater Universidade de Breslávia
Ocupação poeta, escritor, esperantista, tradutor, engenheiro químico, químico
Causa da morte ataque cardíaco
Assinatura
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Antoni Grabowski (15 de junho de 1857 em Nowe Dobre perto de Chełmno - 4 de julho de 1921 em Varsóvia) foi um engenheiro químico polaco e um activista dos primeiros movimentos da língua internacional esperanto. As suas traduções tiveram um grande impacto no desenvolvimento dessa língua como linguagem literária.

Educação e carreira profissionalEditar

Pouco depois do seu nascimento, a família Grabowski mudou-se de Nowe Dobre para Toruń. Devido à pobreza de seus pais, Grabowski teve que começar a trabalhar pouco depois de deixar a escola.

No entanto, ele mesmo se preparou, levado por seu grande desejo de aprender, para o exame de ingreso no ensino secundário, que terminou com distinção.

Na Escola Nicolau Copérnico de Torun demonstrou que o seu conhecimento era muito superior ao dos da sua idade e foi convidado por duas vezes para frequentar um curso superior. Em 1879, a situação financeira da família melhorou e, depois de seu exame de bacharelato, Grabowski estudou filosofia e ciências naturais na Universidade de Breslau (Wrocław).

A seguir, trabalhou como engenheiro químico em Zawiercie e noutras localidades que agora fazem parte da República Checa, e finalmente como gerente numa fábrica têxtil em Ivanovo-Voznesensk, a 250 km a nordeste de Moscovo.

Entretanto, continuou os seus estudos de problemas químicos em profundidade e ficou conhecido entre os especialistas desse tema por toda a Europa pela quantidade de invenções e inovações tecnológicas que realizou. Por essa razão, Grabowski foi nomeado para a comissão encarregada de redigir a terminologia técnica polaca. Poucos anos depois, em 1906, publicou "Słownik chemiczny", o primeiro dicionário de química polaco.

Esperanto e literaturaEditar

Durante sua carreira universitária, Antoni Grabowski desenvolveu um profundo interesse pela literatura e tornou-se membro da Sociedade Literária Eslava (Towarzystwo Literacko-Słowianskie). Mas não lhe bastou o seu interesse na literatura e língua polacos; gradualmente aprendeu um número considerável de idiomas e converteu-se num verdadeiro poligolota, chegando a falar nove idiomas, para além de sua língua materna, e a ser capaz de usar passivamente quinze. Desta forma, não surpreende que Grabowski se tivesse interessado pela ideia de uma língua internacional.

Nessa altura, a língua Volapuque era a candidata a tornar-se uma língua internacional e Grabowski aprendeu-a, mas quando ele visita Johann Martin Schleyer, autor daquele projeto, descobre que nem sequer o seu mentor sabia falar o idioma de forma fluida, de forma que acabam por ter de conversar em alemão. Era evidente que aquela língua não servia para o uso quotidiano e Grabowski deixa de ocupar-se do Volapuque, mas sem renunciar à ideia de uma língua internacional.

Em 1887, compra e estuda em profundidade o recém-aparecido "Dr. Esperanto. Língua internacional. Prólogo e manual completo" no qual o Dr. L. L. Zamenhof apresenta o seu projeto de língua internacional que, em pouco tempo, passou a ser conhecida pelo nome que ele tinha escolhido como pseudónimo, o Esperanto. Impressionado pela simplicidade da sua estrutura e sua capacidade expressiva, Grabowski viaja a Varsóvia e visita Zamenhof. Pensa-se que esta foi a primeira conversa em esperanto fora do âmbito familiar do próprio iniciador do idioma.

Da mesma maneira que Zamenhof, Antoni Grabowski conhecia a importância da literatura no desenvolvimento das línguas e, adota esta ideia ao esperanto, que começa a transformar-se de projeto numa língua que opera em todos os aspectos da vida social. Grabowski começa a sua actividade neste âmbito e, em 1888, aparece a sua tradução da "Tempestade de neve" de Alexander Pushkin e, em 1889, "Os irmãos" de Johann Wolfgang von Goethe.

Quando em 1904 se funda a Sociedade Esperantista de Varsóvia, Grabowski é eleito seu presidente e, mais tarde, com a conversão daquela em Sociedade Esperantista Polaca, continua na mesma actividade. Em 1908 é nomeado diretor da seção de Gramática da Academia de Esperanto, ao mesmo tempo que publica artigos, dá conferências e continua com o trabalho de organização.

Entre 1908 e 1914 dá aulas em várias escolas de Varsóvia e, num artigo de 1908 é um dos primeiros a apregoar o valor propedêutico do esperanto, uma vez que aquela língua pode facilitar a aprendizagem do francês e do latim.

A antologia "El Parnaso de Popoloj" (O Parnaso dos povos), que apareceu em 1913, é uma coleção de 116 poemas representando 30 línguas e culturas; 6 foram originalmente escritos em esperanto e os restantes traduzidos.

Durante a Primeira Guerra Mundial Grabowski, doente, fica sozinho em Varsóvia, uma vez que o resto da sua família foge para a Rússia, e traduz a epopeia polaca Pan Tadeusz de Adam Mickiewicz. A tradução é soberba, fiel no conteúdo e na forma, e é considerada um modelo da melhor literatura em esperanto.

A seguir à morte de Zamenhof, em 1917, Grabowski passa a viver de forma solitária e piora o seu estado de saúde. Continua trabalhando pelo esperanto, mas acaba falecendo em 1921.