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Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul

Bem tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Rio Grande do Sul na cidade de Porto Alegre
Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul
Tipo biblioteca, arquivo, patrimônio histórico
Designação do patrimônio bem tombado pelo IPHAE
Geografia
Localização Porto Alegre
País Brasil

O Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul é um órgão do Governo do Estado subordinado à Secretaria de Administração e Recursos Humanos (SARH), e está instalado em um prédio histórico, com três pavilhões, na cidade de Porto Alegre, sito à rua Riachuelo 1031.

O primeiro prédio teve sua construção iniciada em 1910,[1] com projeto do arquiteto francês Maurice Gras e execução de Affonso Hebert, então diretor da Seção de Obras Públicas. Sua primeira fase foi concluída em 5 de julho de 1912.[2]

Em 1913, o governo do estado resolveu construir uma segunda ala do Arquivo Público, que só foi iniciada em 23 de janeiro de 1918, novamente com projeto do arquiteto Hebert e execução pelo empreiteiro Roberto Roncolli. Em 10 de junho de 1919 as obras foram entregues à Secretaria do Interior [3].

Novamente chegando à saturação no final da década de 1940, os dois edifícios já não comportavam o constante aumento do acervo, e um terceiro pavilhão foi construído entre 1948 e 1950. Entretanto, assim que ficou pronto foi ocupado pelo Colégio Júlio de Castilhos, cuja sede original recém havia sido destruída por um incêndio. Com a saída do Colégio, o prédio passou a ser ocupado pela Secretaria da Administração, que aí ficou até 1981, quando mudou-se para o novo Centro Administrativo. Apesar da reivindicação de posse, o prédio foi então destinado à Junta Comercial, que permaneceu até 1999. Somente após esta data o edifício passou a ser ocupado pelo Arquivo Público.

Atualmente o prédio principal é destinado aos setores administrativos e técnicos, e os pavilhões anexos para a guarda dos documentos. A fachada visível da rua tem linhas retas e sem quaisquer adornos, e é dividida em quarto pavimentos com duas entradas deslocadas do centro em disposição simétrica. O primeiro piso é diferenciado, com um revestimento em imitação de pedras aparelhadas marrons e aberturas gradeadas com discreto trabalho de ornamentação. Os pavimentos restantes são revestidos de pó de pedra cinza, com pilastras retas e lisas separando as janelas quadradas, num ritmo regular. Acima do conjunto uma cornija igualmente despojada, com um frontão central onde se lê o nome da instituição.

No interior dos pavilhões antigos projetados por Hebert se destacam os espaços para a guarda dos documentos, com pisos e escadarias em entramado de ferro (provendo ventilação) e prateleiras de ferro revestido de concreto armado, que constituíam uma inovação tecnológica na época e ofereciam maior segurança para o acervo. O conjunto foi tombado pelo Patrimônio Histórico do Estado em 21 de dezembro de 1992 sob o nº 67.

A InstituiçãoEditar

O Arquivo Público do Estado foi criado em 8 de março de 1906, pelo Decreto 876, compondo a Repartição de Arquivo Público, Estatística e Biblioteca do Estado do Rio Grande do Sul, subordinada à Secretaria do Interior e Exterior. Seu objetivo declarado era ”adquirir e conservar, sob classificação sistemática, todos os documentos concernentes à legislação, à administração, à história, à geografia, às artes e indústrias do Rio Grande do Sul”.[4]

O Arquivo começou a funcionar sete dias após sua criação, sendo instalado neste primeiro momento no térreo da então Escola Complementar, na esquina das ruas Duque de Caxias com Marechal Floriano, onde hoje fica o Colégio Sévigné.

Com a incessante afluxo de documentos, oriundos de todo o estado, logo o espaço físico tornou-se insuficiente, e o Arquivo foi transferido para o prédio da Bailante, comprado da viúva e herdeiros do Coronel João Pinto da Fonseca. Este prédio permaneceu até 1912, quando foi demolido para a construção do primeiro Auditório Araújo Viana, então na Praça da Matriz, sendo o acervo transferido para o novo prédio erguido por Gras e Hebert.

Em 1913 foi definido seu regulamento, que previa uma divisão do acervo nos seguintes setores:

  • Administrativo, guardando mensagens presidenciais, anais da assembléia legislativa, relatórios do secretariado, balanços dos tesouros estadual e municipais, e livros de registros de nomeação e posse dos funcionários.
  • Arquivo Histórico e Geográfico, para preservação da coleção do jornal A Federação e de documentos relativos a fatos e personagens.
  • Arquivo Forense, para as cartas de concessão de sesmarias, autos findos de jurisdição, inventários, registros de nascimento, casamento e óbito.

Em 1925 a 2ª seção foi transferida para o Museu Júlio de Castilhos, vindo a formar o Departamento de História Nacional, que foi o embrião do atual Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul.

O Arquivo Público mantém o maior acervo documental do estado, com cerca de 18 milhões de itens, e é de importância fundamental para o resgate e divulgação da história gaúcha, atendendo a demandas de qualquer cidadão, de pesquisadores e de outros órgãos do governo.

Referências

  1. Relatório da Secretaria de Obras Públicas do RS, ano de 1911
  2. Relatório da Secretaria de Obras Públicas do RS, ano de 1913
  3. Relatório da Secretaria de Obras Públicas do RS, ano de 1920
  4. «Histórico». Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul. Consultado em 15 de fevereiro de 2016 

Ligações externasEditar