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Green Hills of Africa
GreenHillsOfAfrica.jpg
Primeira edição 1935
Autor(es) Ernest Hemingway
Idioma Inglês
Género Não ficção


As Verdes Colinas de África (Green Hills of Africa) é uma obra de 1935 de não ficção escrita por Ernest Hemingway. Segundo trabalho de Hemingway de não ficção, As Verdes Colinas de África é o relato de um safari de um mês dele e da esposa, Pauline Pfeiffer, na África Oriental em dezembro de 1933. As Verdes Colinas de África está dividido em quatro partes: "Caça e Conversa", "Caça Recordada", "Caça e Derrota" e "Caça e Felicidade", cada uma das quais desempenha um papel diferente na história.

Índice

SínteseEditar

 
Ernest Hemingway num safari em Africa junto a animal abatido

Grande parte da narrativa descreve as aventuras de caça de Hemingway na África Oriental, intercaladas com reflexões sobre literatura e autores. Em geral, a paisagem da África Oriental descrita por Hemingway é a região do Lago Manyara na Tanzânia.

O livro começa na Parte 1 ("Caça e Conversa"), havendo uma conversa entre Hemingway e um expatriado Europeu sobre escritores americanos. São descritas as relações entre os caçadores brancos e os pisteiros nativos, bem como a inveja de Hemingway relativa aos outros caçadores. A Parte 2 ("Caça Recordada") apresenta um repositório da caça no norte da Tanzânia com uma descrição do Vale do Rift e descrições de como encurralar presas. Hemingway mata um rinoceronte, mas o seu amigo Karl mata um maior. A discussão literária centra-se em escritores europeus como Tolstoy, Flaubert, Stendhal, e Dostoievsky. Na Parte 3 ("Caça e Derrota") a acção regressa ao presente com Hemingway sem sorte na caça, incapaz de encontrar um kudu que ele persegue. Ele desloca-se para uma zona desconhecida com os pisteiros nativos. Na Parte 4 ("Caça e Felicidade") Hemingway e alguns dos seus batedores chegam a uma zona aparentemente virgem, onde ele mata um touro kudu com chifres enormes. De volta ao acampamento, ele descobre que Karl matou um kudu com chifres maiores. Ele queixa-se que Karl é um caçador terrível com uma sorte sem limites. No último dia, ele descobre que muitos dos guias o consideram um irmão.

Enquadramento e história da publicaçãoEditar

As Verdes Colinas de África (1935) apareceu inicialmente em episódios no Scribner's Magazine, e foi publicado em 1935.[1] Sendo um relato autobiográfico da viagem de 1933 a África, Hemingway apresenta neste livro o tema da caça grossa na forma de não-ficção.[1] A série de episódios ocorreu de maio a novembro de 1935. O livro foi publicado em outubro de 1935 tendo a primeira edição tido uma tiragem de 10.500 cópias.[2]

RecepçãoEditar

Foi fria a recepção inicial de As Verdes Colinas de África. No The New York Times, o crítico John Chamberlain asseverou: "As Verdes Colinas de África não é uma das maiores obras de Hemingway. O sr. Hemingway simplificou de tal modo o seu método que todas as suas personagens falam a linguagem aperfeiçoada em The Sun Also Rises (O Sol Também Se Levanta), sejam essas personagens britânicas, austríacas, árabes, etíopes ou kikuyus."[3]

No entanto, dois dias depois, escrevendo para o mesmo jornal, o crítico C. G. Poore aclamou As Verdes Colinas de África como "a história mais bem escrita sobre caça grossa que eu alguma vez li. E mais do que isso. É um livro sobre pessoas em conflito não declarado, e sobre os prazeres de viagem, e os prazeres da bebida, e guerra e paz, e a escrita."[4] Apesar desta revisão mais favorável, Hemingway disse que os críticos "mataram" o livro.[5] Entrou numa depressão profunda e disse que estava "pronto para estoirar esta minha cabeça ruim".[6] Alguns meses depois, ele estava pronto para culpar a influência corruptora das mulheres ricas na sua vida — a esposa Pauline e a sua amante Jane Mason.[5] O resultado do seu amargor foram duas histórias sobre a África: The Short Happy Life of Francis Macomber (A curta vida feliz de Francis Macomber) e The Snows of Kilimanjaro (As Neves do Kilimanjaro), que contam histórias de maridos casados com mulheres dominadoras.[5]

Análise literáriaEditar

O preâmbulo de As Verdes Colinas de África identifica-o imediatamente como um trabalho de não ficção que deve ser comparado com obras similares:

Ao contrário de muitos romances, nenhum dos personagens ou incidentes neste livro é imaginário. Qualquer um que não encontre suficiente tema de amor tem a liberdade, ao lê-lo, para inserir qualquer objecto de amor que possa ter no momento. O escritor tentou escrever um livro absolutamente verdadeiro para ver se a fisionomia de uma região e o emaranhado de um mês de acção, se apresentado com verdade, se equipara a um trabalho da imaginação.[7]

O livro é muito conhecido atualmente por uma frase que quase nada tem a ver com o seu tema. Esta citação é usada frequentemente como prova de que Adventures of Huckleberry Finn (As Aventuras de Huckleberry Finn) é o Grande Romance Americano (The Great American Novel):[8]

Os bons escritores são Henry James, Stephen Crane e Mark Twain. Não é nessa ordem que eles são bons. Não há nenhuma ordenação dos bons escritores... Toda a literatura americana vem de um livro de Mark Twain chamado Huckleberry Finn. Se o ler deve parar onde o negro Jim é roubado aos meninos. É o verdadeiro fim. O resto é apenas batota. Mas é o melhor livro que já tivemos. Toda a escrita americana vem dali. Não houve nada antes. Não houve nada tão bom desde então.[7]

Há um episódio de As Verdes Colinas de África em que Hemingway conversa com o austríaco Kandisky, a quem Hemingway ajuda quando o camião daquele avaria. Após a troca inicial de opiniões sobre escritores alemães como Rainer Maria Rilke e Thomas Mann e discordarem no ponto de vista da caça, Hemingway e o austríaco, mais tarde durante o jantar, discutem a literatura americana e verifica-se que um dos poucos escritores americanos que Hemingway aprova é Henry James, que ele menciona duas vezes.[8]

Textualmente, Hemingway diz: "Os bons escritores americanos são Henry James, Stephen Crane e Mark Twain" e acrescenta, mais tarde, que "Henry James queria ganhar dinheiro. O que nunca conseguiu, claro". Misturados com estes comentários sobre James, Crane e Twain estão as ideias de Hemingway sobre os escritores americanos em geral, a maioria dos quais, diz ele, têm um final ruim. Quando Kandisky lhe pergunta sobre si próprio, Hemingway responde: "Estou interessado noutras coisas. Tenho uma vida boa, mas preciso escrever porque se eu não escrever em certa medida não vou desfrutar o resto da minha vida." Quando perguntado sobre o que quer, Hemingway responde, "Escrever tão bem quanto possa e aprender à medida que o faço. Ao mesmo tempo eu tenho a minha vida de que eu gosto e que é uma vida muito boa."[7]

NotasEditar

  1. a b Meyers 1985, p. 266
  2. Oliver, p. 131
  3. Chamberlain, John. Book of the Times. 25 de Outubro de 1935. The New York Times
  4. Poore, C.G. Book of the Times. 27 de Outubro de 1935
  5. a b c Donaldson, The Cambridge Companion to Hemingway, p.184
  6. Meyers 1985, p. 252
  7. a b c [Hemingway, Ernest. Green Hills of Africa. 1935. Rpt. New York: Simon and Schuster, 1996. ISBN 0-684-80129-9 ]
  8. a b [The Hemingway Review, Vol. 22, No. 2, Spring 2003. The Ernest Hemingway Foundation. Publicado por University of Idaho Press, Moscow, Idaho. (Jungman, Robert & Tabor, Carole. Henry James on Safari in Ernest Hemingway's 'Green Hills of Africa'. Louisiana Tech University.)]

ReferênciasEditar