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Augusto Magne (Mende, 3 de março de 1887 - Rio de Janeiro, 21 de julho de 1966) foi um jesuíta, filólogo, romanista, lusitanista e medievalista brasileiro de origem francesa. Figura fundamental para o ensino do latim no Brasil, suas obras abrangem tanto questões eruditas, como estudos filológicos do português antigo, quanto antologias e gramáticas da língua latina voltadas ao ensino da disciplina no Brasil, quando ainda era obrigatória nas escolas.[1]

Índice

VidaEditar

Augusto Magne emigrou para o Brasil em 1904, entrando para a Ordem dos Jesuítas em Campanha, em Minas Gerais. A partir de 1907, ele estudou em São Paulo e, no ano seguinte, obteve a nacionalidade brasileira. De 1908 a 1916, Magne estudou em Roma na Pontifícia Universidade Gregoriana, doutorando-se em Filosofia. A partir de então, passou por diversas cidades europeias: durante 1920, permaneceu na Inglaterra; de 1921 a 1924, em Viena; em 1925, na Espanha. Retornou ao Brasil, onde se tornou diretor substituto da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUCRJ), além de ocupar a cátedra de filologia do latim e do grego antigo. De 1956, até sua aposentadoria no ano seguinte, foi ele Catedrático na Universidade Federal do Rio de Janeiro.[1]

Augusto Magne foi membro da Academia Brasileira de Filologia. Recebeu, no ano de 1951, o Prêmio Machado de Assis. A PUC-RJ batizou um de seus núcleos de pesquisa em homenagem a Magne: trata-se do Núcleo de Estudos Portuguesas Padre Augusto Magne (NEPPAM). Ademais, há uma escola com seu nome no Rio de Janeiro.

RealizaçõesEditar

A contribuição mais importante de Augusto Magne para a filologia românica foi a edição, em língua portuguesa, do manuscrito que ele descobrira durante sua estada em Viena, A demanda do santo graal, retirado ao Ciclo da Vulgata. Ademais, Magne tinha domínio de diversas línguas, modernas e antigas. Entre elas, destacam-se o português, o francês, o grego, o alemão, o inglês, o Língua italiana, o espanhol, os dialetos provençais, o romeno, além, é claro, do latim.

ObrasEditar

  • Grammatica latina, Rio de Janeiro, 1919, 1930
  • A demanda do santo graal, 3 tomos, Rio de Janeiro, 1944
  • A Demanda do santo Graal. Reprodução fac-similar e transcrição crítica do códice 2594 da Biblioteca Nacional de Viena, 2 tomos, Rio de Janeiro 1955–1970
  • Curso Ginasial de Latim, com os seguintes volumes:
    • Primeira Gramática para as quatro séries, São Paulo, 1949
    • Exercícios graduados para as quatro séries, São Paulo, 1946
    • Antologia da primeira série, São Paulo, 1947 
    • Antologia da segunda série, São Paulo, 1947 
    • Antologia da terceira série, São Paulo, 1945 
    • Antologia da quarta série, São Paulo, 1947 
  • Curso Colegial de Latim, São Paulo, 1946
  • (Org.) Boosco deleitoso. Edição do texto de 1515, com introdução, anotações e glossário. I. Texto crítico, Rio de Janeiro, 1950 
  • Dicionário da língua portuguesa especialmente dos períodos medieval e clássico, A–AL, 2 tomos., Rio de Janeiro 1950–1954
  • Dicionário etimológico da Língua latina. Famílias de palavras e derivaçóes vernáculas. Tomo 1, (A-CR), Rio 1952–1961
  • O Mais antigo documento da língua francesa. Os Juramentos de Estrasburgo, Rio de Janeiro 1955
  • (Org.) Ludolf von Sachsen/Ludolfo Cartusiano, O Livro de Vita Christi em linguagem portuguesa. Volume I. Edicão fac-similar e crítica do incunábulo de 1495 cotejado com os apógrafos, Rio de Janeiro 1957

Referências

  1. a b «Pe. Augusto Magne, o amigo das letras». Rio de Janeiro. Jornal do Brasil. 22 de julho de 1966. Consultado em 5 de janeiro de 2016  |nome1= sem |sobrenome1= em Authors list (ajuda)

Ver tambémEditar

BibliografiaEditar

  • Jornal do Brasil 22 de julho de 1966, p. 14.
  • V Congresso Brasileiro de Língua e Literatura, de 16 a 20 de julho de 1973. Homenagem a Augusto Magne, org. pela Sociedade Brasileira de Língua e Literatura, Rio de Janeiro, 1974.
  • João Alves Pereira Penha: Filólogos brasileiros. Franca 2002, ISBN 85-86996-15-7, pp. 73–78.