Bacia de Foxe

A bacia de Foxe (em inglês: Foxe Basin) é uma bacia marinha localizada no norte do Canadá, no território autónomo de Nunavut. Durante a maior parte do ano está coberta de gelo, ou fica bloqueada por blocos de gelo flutuantes.

Bacia Foxe, Nunavut, Canadá.
  Nunavut
  Gronelândia
  Quebec
  Terra Nova e Labrador
  Manitoba
Mapa da bacia de Foxe e áreas próximas.
Imagem de satélite da bacia de Foxe.
Não se deve confundir com a Baía de Fox, nas Ilhas Malvinas.

As águas frias da bacia de Foxe, ricas em nutrientes, são especialmente favoráveis ao fitoplâncton e as numerosas ilhas que há nela são importantes habitats de aves, incluindo a gaivota-de-sabine e muitos outros tipos de aves de litoral. A baleia-da-gronelândia migra para a parte setentrional da bacia em cada verão.

GeografiaEditar

A bacia de Foxe está situada a norte da baía de Hudson, comunicando com esta através do canal de Foxe. A bacia é delimitada a sul pela península de Foxe, a leste e norte pela costa ocidental da ilha de Baffin, e a oeste, pela costa oriental da península de Melville e pela costa setentrional da ilha Southampton, ambas separadas pelo estreito de Fury e Hecla, que liga esta bacia ao golfo de Boothia. Há outra conexão com a baía de Hudson, bordejando a Ilha Southampton pelo oeste, através primeiro do estreito Frozen, baía Repulse e finalmente pelo estreito de Roes Welcome.

A bacia de Foxe tem cerca de 600 km de comprimento e uma largura máxima de 450 km. No seu interior há muitas ilhas, sendo as maiores a ilha do Príncipe Carlos, a ilha Bray, ilha Air Force, ilha Koch, ilha Rowley, ilha Foley, ilha Jens Munk e as ilhas Spicer.

HistóriaEditar

O nome da bacia homenageia o explorador inglês Luke Foxe, que foi o primeiro navegante conhecido que entrou nas suas águas percorrendo a costa ocidental da ilha de Baffin, até que se viu obrigado a regressar por causa do gelo, à latitude de 66° 47' N, na sua expedição de 1631.

O nome de bacia de Foxe, em sua memória, foi dado quase 200 anos mais tarde. Um outro explorador inglês, William Edward Parry, que na sua segunda expedição de 1822-24, com os navios Fury e Hecla, também entrou nas suas águas em busca da desejada passagem do Noroeste.

As águasEditar

A bacia de Foxe é uma ampla depressão, geralmente de profundidade menor que 100 m, embora no sul haja profundidades de até 400 m. A diferença de marés vai de 5 m no sudeste a menos de 1 m no noroeste. Durante grande parte do ano rápidos icebergues dominam o norte, enquanto a banquisa prevalece para sul. A bacia de Foxe raras vezes fica livre de gelo antes do mês de Setembro, sendo comum encontrar barreiras de gelo ao longo do verão. Fortes correntes e ventos mantêm a bolsa de gelo em constante movimento e contribuem para as numerosas polínia nas margens que se encontram em toda a região. Este mesmo movimento, combinado com o alto conteúdo de sedimentos na água, torna o gelo marinho da bacia de Foxe escuro e rugoso, facilmente distinguível de outros gelos no Ártico do Canadá.

CostasEditar

O terreno é rochoso e escarpado na metade sul da região e, em geral, de baixa altitude no norte. Há altos falésias em toda a parte sul da região, onde nidifica a maioria das aves marinas. Também se encontram pântanos costeiros e mudflat de até 6,5 km de largura, na imensa planura da secção oriental da Bacia de Foxe, bem como nas baías da Ilha Southampton.

Vida silvestreEditar

 
Grupo de morsas-do-atlântico (Odobenus rosmarus rosmarus), num icebergue, bacia de Foxe, julho de 1999.

Esta é uma das zonas menos conhecidas do Ártico do Canadá, apesar de se demonstrar ser biologicamente muito rica e diversa. As numerosas polínias, no norte da Bacia de Foxe, suportam altas densidades de focas-barbudas e o maior grupo de morsas no Canadá (mais de 6000 exemplares). A foca-barbuda (Erignathus barbatus) e o urso-polar são comuns, sendo o norte da ilha de Southampton um dos lugares de maior densidade de ursos polares do Canadá. Esta zona é também uma importante zona de veraneio da baleia-da-gronelândia, beluga e narval. Tanto a baleia-da-gronelândia como a beluga passam o inverno nas águas do nordeste da baía de Hudson. A região é o principal baluarte na América do Norte da gaivota-sabine, com cerca de 10 000 casais a nidificar na zona. Um número moderado de guillemot-negro, charrão-ártico e gavião-hiperbóreo, gaivota-prateada e gaivota-marfim também se reproduzem aqui. A Grande Meseta de Koukdjuak, na ilha Baffin, é a maior colónia de nidificação de gansos do mundo, com mais de 1,5 milhões de aves, 75% das quais são Anser caerulescens e o resto gansos-do-canadá e gansos-de-brent. Aves de litoral e patos são também abundantes. Várias centenas de milhares de aves da espécie Uria lomvia nidificam nas falésias do Digges Sound e ilha Coates a sul.

EstadoEditar

Esta região ainda não está representada no sistema nacional do Canadá de conservação de áreas marinhas, faltando estudos preliminares para identificar as zonas mais representativas.

ReferênciasEditar

  • Este artigo foi inicialmente traduzido, total ou parcialmente, do artigo da Wikipédia em inglês cujo título é «Foxe Basin».

BibliografiaEditar

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