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Casa Forte
Guerra Luso-Holandesa, Insurreição Pernambucana
Data 17 de agosto de 1645
Local Engenho de Dona Ana Paes, estado de Pernambuco (Brasil colonial)
Desfecho Vitória luso-brasileira
Beligerantes
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Reino de Portugal
WIC
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República das Sete Províncias Unidas
Comandantes
João Fernandes Vieira
Antônio Dias Cardoso
André Vidal de Negreiros
Hendrik van Haus
Forças
Mais de 1.000 850, sendo 200 tapuias
Baixas
18 mortos 600 mortos, sendo 200 tapuias

A Batalha da Casa Forte foi o segundo grande embate da insurreição pernambucana, sendo travado entre as forças da Companhia das Índias Ocidentais dos neerlandeses (o que restou após a Batalha do Monte das Tabocas) e a milícia luso-brasileira reforçada pelo terço de André Vidal de Negreiros, bem como pelos homens que vieram com Filipe Camarão e Henrique Dias.

O evento ocorreu na casa forte de dona Ana Paes, na capitania de Pernambuco, em 17 de Agosto de 1645, após uma marcha forçada e uma travessia a nado do rio Capibaribe no alvorecer. Apenas a vanguarda luso-brasileira participou do início da batalha, apressando-se ante a ameaça de degola da população.

Índice

Registro contemporâneoEditar

Segue um resumo da descrição da batalha por Diogo Lopes Santiago, um documentarista da guerra:

{{quote2|Tanto que o governador João Fernandes Vieira chegou a avistar a casa forte, despediu seis soldados ligeiros, os quais toparam com duas sentinelas do inimigo que informaram como estavam dispostos dentro da casa. Mortas essas sentinela, foi marchando nossa gente com mais pressa até chegar à porteira do pasto do engenho, onde fomos descobertos, e tocou-se rebate.

Estavam os oficiais almoçando dentro da casa, e os soldados se formando do lado de fora em dois esquadrões para saírem em diligência (degolar os moradores da várzea e Olinda), quando ouviram o rebate, iniciando a agressão com suas armas de fogo.

Dias Cardoso organizara um esquadrão de capitães briosos para que, dadas duas cargas, arremetessem contra o inimigo à espada. Outros capitães deveriam acometer o inimigo por várias partes e ajudar onde mais fosse necessário. Mandou Vieira que o Camarão e o Henrique Dias (enviados da Bahia e atrasados para as Tabocas) tomassem os caminhos ao largo, o que fizeram bem, ainda que com pouca gente.

Não tinham os nossos bem acabado de dar a primeira carga quando chegou André Vidal de Negreiros a cavalo e com apenas alguns de seus soldados e capitães (enviados da Bahia sob o pretexto de ‘aquietar o povo de Pernambuco’), pois os demais ficaram pra trás na travessia do Capibaribe. Tanto que chegou se meteu logo no meio da pendência com grande valor e ânimo, ajudando contra os holandeses que, assim que sentiram nosso ferro, deram as costas e recolheram-se dentro da casa forte, passando a pelejar das janelas e varandas. Os tapuias, de uma casa térrea e muito comprida, entrincheirada de uma paliçada de madeira, faziam o mesmo.

Cercados, sob fogo de nossos mosquetes reforçados, e vendo chegar cada vez mais dos nossos aos arredores, os holandeses pausaram os disparos, o que foi interpretado por nós como uma tratativa para rendição. O mestre de campo André Vidal mandou um tambor, um soldado chamado João Batista com uma bandeira branca. Os holandeses, vendo-se num breve alívio, saíram de súbito às janelas e varandas e deram nos nossos uma grande carga, matando o soldado que já chegava às escadas com sua bandeira branca de paz.

Vendo isso, os nossos gritaram traição e que iriam matar a todos debaixo daquele engano. Ignorando a presença de reféns (esposas de alguns dos capitães das Tabocas sequestradas pelos holandeses após a derrota) entendeu-se que deveria ser incendiada a casa, pelo que logo começamos a colocar de uma lenha que havia perto e, para isso, tomamos as varandas.

Iniciado o fogo e a fumaça, alguns soldados inimigos começaram a sair em desespero, mortos a seguir pelos nossos. Em certa altura, Hendrik van Haus mandou por uma bandeira branca na janela e, suspensos nossos disparos, veio à mesma com duas pistolas com as bocas viradas para a terra, tirando o chapéu, em sinal claro de rendição. Acudiram logo os nossos para apagar o fogo que já invadia a casa e trataram logo de condições, pelo que o governador João Fernandes Vieira não queria saber de nenhuma tendo em vista as mortes que aqueles inimigos já haviam causado e que iriam em breve voltar a causar. André Vidal de Negreiros, no entanto, foi de parecer que dessem bom quartel aos rendidos, com a vida e com bom tratamento.

Hendrik van Haus aceitou e veio saindo da casa. Ele, os oficiais e os demais soldados vinham sem armas, porque os nossos os iam desarmando na saída. Estando-se a tratar sobre os índios tapuias (aliados dos holandeses), tendo sido eles o braço mais infame das covardias cometidas contra a população (agora, receando seu destino), começaram aqueles a atirar nos nossos, matando-nos um alferes e um soldado, e mal ferindo um capitão. Irritados, os governadores mandaram passar todos ao fio da espada ao que, vendo que não teriam quartel, decidiram vender as vidas, pondo-se em defesa que nada lhes aproveitou.

Tanto que os rendidos se apresentaram diante de nossos governadores, João Fernandes Vieira disse ao governador das armas holandesas: ‘O que é isso Sr. Hendrik van Haus Vossa mercê é o que dizia que me traria a ferros e me faria muitos vitupérios. Pois como está vossa mercê debaixo de meu poder e com a vida em minhas mãos?’. Ao que respondeu Hendrik van Haus: ‘Pois vossa senhoria me venceu e me tem por prisioneiro, pode fazer o que for servido, e bem pode ir tomar posse do Recife porquanto eu tinha aqui comigo a melhor gente de guerra e ninguém sabe melhor que V.S.'.

BibliografiaEditar

Santiago, Diogo Lopes. História da Guerra de Pernambuco, 1654.

Ver tambémEditar

Ligações externasEditar