Batalha de Herate

A Batalha de Herate, também chamada Batalha de Bactro,[2] foi uma grande confronto ocorrido em 484 entre uma força invasora do Império Sassânida sob o comando do Perozes I (r. 459–484) e um exército do Império Heftalita liderado por Cuxenavaz. A batalha foi uma derrota fragorosa às forças persas que foram quase completamente destruídas. Perozes e alguns de seus filhos foram mortos em combate.

Batalha de Herate
Expedição de Perozes ao Império Heftalita
The Discomfiture and Death of Piroz, from a Manuscript of the Shahnama (Book of Kings) of Firdawsi LACMA M.73.5.23.jpg
A derrota e morte de Perozes segundo a Épica dos Reis.
Data 484
Local Próximo de Herate ou Bactro, no Afeganistão
Desfecho Vitória decisiva heftalita
Beligerantes
Império Sassânida Império Sassânida   Império Heftalita
Comandantes
Império Sassânida Perozes I
Império Sassânida Mirranes[1]
  Cuxenavaz
Império Sassânida após o desastre contra o Império Heftalita. O verde claro representa as áreas perdidas aos heftalitas

ContextoEditar

Em 459, os heftalitas ocuparam Báctria e foram enfrentados pelo Hormisda III (r. 457–459). Perozes, em pacto com eles, matou Hormisda e estabeleceu-se como rei.[3] Ele rapidamente tomou medidas para manter relações pacíficas com o Império Bizantino no Ocidente, enquanto tentou reprimir os heftalitas no Oriente, cujos exércitos começaram sua conquista do Irã Oriental. Os romanos apoiaram-o, enviando-lhe unidades auxiliares. Ele falhou, contudo, quando conduziu suas forças fundo em território inimigo e foi cercado. Ele foi feito prisioneiro em 469/471, sendo obrigado a entregar seu filho Cavades como refém e a pagar resgate por sua libertação.[4] Além disso, o império foi forçado a pagar tributo por alguns anos.[5] Esta derrota humilhante levou o xá a conduzir nova campanha.[6]

BatalhaEditar

Em 482, formou um exército enorme e preparou-se para confrontá-los.[5] Em 484, conduziu suas forças para Bactro, onde criou sua base e rejeitou o emissário de Cuxenavaz. As tropas heftalitas se retiraram, mas então seu rei ordenou que fossem cavadas covas fundas, ligeiramente cobertas com madeira e encimadas com terra. Essas armadilhas, colocadas no caminho dos sassânidas, foram decisivas para quebrar a formação de combate do exército persa e atrapalhar muitos soldados. Quase todo o exército foi destruído. O xá e alguns filhos seus foram mortos e muitos de seus generais e comitiva foram capturados, incluindo sua filha e seu tesouro.[6][7]

RescaldoEditar

Com a morte de Perozes, os heftalitas invadiram e pilharam os territórios sassânidas e conquistaram toda a região do Coração que, segundo Josué, o Estilita, "foi deixado desolado e despovoado".[8] Os persas também foram forçados a pagar pesado tributo anual.[6] As depredações continuaram por mais algum tempo[9] até que um dos apoiantes de Perozes, um indivíduo chamado Sucra, atacou os heftalitas e forçou-os a se retirar do Irã.[7][8] Ele resgatou os cativos e protegeu as riquezas do xá; de acordo com Ferdusi dentre os cativos estava Cavades.[10]

De acordo com Ferdusi, ao retornar à capital Ctesifonte com Cavades, onde Balas (r. 484–488), irmão de Perozes, foi feito rei, Sucra tornou-se o verdadeiro governante do Império Sassânida. Por intermédio de alguns dos nobres, Cavades permaneceu em cativeiro, porém conseguiu escapar e foi para junto dos heftalitas, onde casou-se com a filha do rei. Ele lá ficou durante quatro anos até voltar em 488 com um exército heftalita com o qual tomou o trono.[7] Em 496, foi destronado por seu irmão Zamasfes (r. 496–498) e fugiu novamente ao Império Heftalita. Os heftalitas novamente ajudariam-o a retomar o trono em 498 em troca de pagamento.[11][12]

Referências

  1. Pourshariati 2008, p. 75.
  2. Kia 2016, p. 251.
  3. Frye 1983, p. 147.
  4. Frye 1996, p. 178.
  5. a b Frye 1983, p. 148.
  6. a b c Schippmann 1999.
  7. a b c Litvinsky 1999, p. 143.
  8. a b Potts 2014, p. 147.
  9. Christian 1998, p. 220.
  10. Pourshariati 2008, p. 76-77.
  11. Greatrex 2002, p. 62.
  12. Schindel 2013.

BibliografiaEditar

  • Christian, David (1998). A history of Russia, Central Asia, and Mongolia. Oxford: Wiley-Blackwell. ISBN 0-631-20814-3 
  • Frye, Richard Nelson (1986). «The Political History of Iran under the Sasanians». In: Ehsan Yarshater. The Cambridge History of Iran Volume 3(I) - The Seleucid, Parthain and Sasanian Periods. Cambridge: Cambridge University Press. pp. 116–181 
  • Frye, Richard Nelson (1996). The heritage of Central Asia from antiquity to the Turkish expansion. Princeton: Markus Wiener Publishers. ISBN 1-55876-111-X 
  • Greatrex, Geoffrey; Lieu, Samuel N. C. (2002). The Roman Eastern Frontier and the Persian Wars (Part II, 363–630 AD). Londres: Routledge. ISBN 0-415-14687-9 
  • Kia, Mehrdad (2016). The Persian Empire: A Historical Encyclopedia [2 volumes]: A Historical Encyclopedia. Santa Bárbara, Califórnia, EUA: ABC-CLIO. ISBN 1610693914 
  • Litvinsky, B. A. (1999). Litvinsky, B.A.; Guand-Da, Zhang; Samghabadi, R. Shabani, ed. History of civilizations of Central Asia. Volume III: The crossroads of civilizations: A.D. 250 to 750. Déli: Motilal Banarsidass Publishings. ISBN 81-208-1540-8 
  • Potts, Daniel T. (2014). Nomadism in Iran: From Antiquity to the Modern Era. Oxford: Oxford University Press. ISBN 0199330794 
  • Pourshariati, Parvaneh (2008). Decline and Fall of the Sasanian Empire: The Sasanian-Parthian Confederacy and the Arab Conquest of Iran. Nova Iorque: IB Tauris & Co Ltd. ISBN 978-1-84511-645-3