Batalha de Rabã

A batalha de Rabã foi um conflito travado no outono de 958 próximo ao norte da fortaleza sitiada de Rabã entre o exército bizantino, liderado por João I Tzimisces (mais tarde imperador em 969-976), e as forças do hamadânida Emirado de Alepo sob o famoso emir Ceife Adaulá (r. 945–967). A batalha foi um grande vitória para os bizantinos, e contribuiu para o enfraquecimento do poderio militar hamadânida, que no começo dos anos 950 provou-se uma grande ameaça para o Império Bizantino.

Batalha de Rabã
Guerras bizantino-árabes
Arab-Byzantine frontier zone-pt.svg
Fronteira bizantino-árabe
Data Outubro/novembro de 958
Local Rabã, no norte da Síria
Desfecho Vitória bizantina
Beligerantes
Império Bizantino Hamadânidas de Alepo
Comandantes
João Tzimisces Ceife Adaulá
Forças
Desconhecidas Desconhecidas
Baixas
Desconhecidas Desconhecidas

AntecedentesEditar

No período de 945 a 967, o emir hamadânida de Alepo, Ceife Adaulá, foi o mais persistente oponente dos bizantinos em sua fronteira oriental, por virtude de seu controle sobre muitos dos territórios fronteiriços bizantino-muçulmanos (Thughur) e seu compromisso com a jiade.[1][2] Ceife Adaulá já realizara campanhas contra os bizantinos em 938 e 940, mas foi após seu estabelecimento de um grande domínio centrado em Alepo em 945, que começou a confrontá-los anualmente.[3] Apesar da vantagem numérica gozada pelos bizantinos,[4][5] a emergência hamadânida atenuou a ofensiva bizantina que se desdobrava desde meados dos anos 920 e já tinha resultado na queda de Melitene (934), Arsamosata (940) e Calícala (949).[6][7]

Seu principal inimigo durante a primeira década de conflito contínuo com os bizantinos foi o doméstico das escolas (comandante-em-chefe) Bardas Focas, o Velho. Após algumas poucas iniciativas falhas, Ceife Adaulá rapidamente estabeleceu sua supremacia: em 953, pesadamente derrotou Bardas próximo a Marache. Expedições lideradas por Bardas nos dois anos seguintes também foram derrotadas, permitindo Ceife Adaulá refortificar sua zona de fronteira e fortalecê-la contra mais ataques bizantinos.[4][8] Usando sua cavalaria leve para escapar os movimentos mais lentos dos bizantinos, Ceife Adaulá também foi capaz de lançar raides destrutivos fundo em território inimigo; contudo, seus raides evitaram posições fortificadas, e ele não podia ameaçar efetivamente o controle bizantinos sobre suas conquistas recentes.[9]

Após 955, contudo, a situação começou a mudar: o ineficaz Bardas Focas foi demitido e substituído por seu filho mais capaz, Nicéforo, sob cuja supervisão o equipamento do exército bizantino foi melhorado, seus postos preenchidos com armênios, e seu treinamento intensificado. A nova liderança bizantina, que incluía o irmão de Nicéforo, Leão, e seu sobrinho João Tzimisces, deliberou sobre uma estratégia agressiva e começou a realizar raides fundo no território hamadânida.[4][5][8][9]

Raides de Tzimisces e batalha de RabãEditar

Na primavera de 956, Ceife Adaulá antecipou um assalto planejado de Tzimisces à Amida na Mesopotâmia Superior, e invadiu o território bizantino primeiro. Tzimisces então capturou um passo na retaguarda de Ceife Adaulá, e atacou-o durante seu retorno. A dura batalha, travada no meio de uma chuva torrencial, resultou em uma vitória muçulmana com Tzimisces perdendo 4 000 homens. Ao mesmo tempo, contudo, Leão Focas invadiu a Síria e derrotou e capturou o primo de Ceife Adaulá, que tinha sido deixado para trás.[8] Em 957, Nicéforo tomou e arrasou a fortaleza de Adata, e na primavera seguinte, Tzimisces invadiu a Mesopotâmia.[10] Lá, ele capturou a fortaleza de Dara e conseguiu uma vitória esmagadora próximo a Amida sobre um exército liderado pelo tenente favorito de Ceife Adaulá, o circassiano Naja. Das 10 000 tropas de Naja, Tzimisces relatadamente matou metade e capturou mais da metade dos sobreviventes.[4][11]

Reforçado com mais tropas sob o paracemomeno Basílio Lecapeno, Tzimisces em junho atacou Samósata e a fortaleza de Rabã, ao sul de Adata. Foi lá que Ceife Adaulá veio confrontá-lo. A batalha que se seguiu (ocorrendo entre 18 de outubro e 15 de novembro de 958) foi dura - o primo de Ceife Adaulá e o poeta da corte Abu Firas diz que teria quebrado duas lanças em seu primeiro ataque - mas no final, os bizantinos prevaleceram e o exército muçulmano quebrou e fugiu. Muitos dos companheiros cortesão e gulans de Ceife Adaulá caíram durante a perseguição, enquanto mais de 1 700 de seus cavaleiros foram capturados e exibidos nas ruas de Constantinopla.[9][11]

RescaldoEditar

A vitória em Rabã deixou claro que os bizantinos estavam ganhando a vantagem sobre os hamadânidas. Seu sucesso também possibilitou que mantivessem controle de Samósata, significando que tinham violado a zona fortificada fronteiriça ao norte da Síria.[9][11] No entanto, o governante hamadânida ainda estava em controle de um exército potente e capaz de lançar raides em território bizantino, até ele sofrer uma derrota catastrófica em novembro de 960 nas mãos de Leão Focas. Depois disso, o poder militar hamadânida foi quebrado, a Cilícia foi anexada pelos bizantinos em 964-965 e mesmo Alepo foi capturado brevemente pelos bizantinos em 962.[5][12][13]

Referências

  1. Kennedy 2004, p. 276–278.
  2. Whittow 1996, p. 320.
  3. Kennedy 2004, p. 276.
  4. a b c d Bianquis 1997, p. 107.
  5. a b c Kennedy 2004, p. 277.
  6. Treadgold 1997, p. 479–484, 489.
  7. Whittow 1996, p. 317–322.
  8. a b c Treadgold 1997, p. 492.
  9. a b c d Shepard 2010, p. 151.
  10. Treadgold 1997, p. 492–493.
  11. a b c Treadgold 1997, p. 493.
  12. Bianquis 1997, p. 107–108.
  13. Treadgold 1997, p. 495–497, 500–501.

BibliografiaEditar

  • Shepard, Jonathan (2010). «Raban, Battle of». In: Rogers, Clifford. The Oxford Encyclopedia of Medieval Warfare and Military Technology. 3. Oxford: Oxford University Press. ISBN 978-0-19-533403-6 
  • Whittow, Mark (1996). The Making of Byzantium, 600–1025. Berkeley e Los Angeles: University of California Press. ISBN 0-520-20496-4