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Batalha de Valverde

Batalha de Valverde
Crise de 1383-1385
Data 14 de Outubro de 1385
Local Valverde de Mérida
Desfecho Vitória dos portugueses.
Beligerantes
PortugueseFlag1385.svg Portugal Bandera de la Corona de Castilla.png Castela
Comandantes
Nuno Álvares Pereira, Martim Afonso de Melo, Gonçalo Anes de Castelo de Vide Ordem de Santiago, Ordem de Calatrava, conde de Niebla
Forças
11 000 homens 39 000 homens
Baixas
Alta Muito Alta

A batalha de Valverde foi uma batalha entre Castela e Portugal, durante o período da crise de 1383-85, dois meses após Aljubarrota. Travou-se perto de Mérida, com a vitória portuguesa.

Os portugueses eram comandados pelo seu condestável: Nuno Álvares Pereira.


AntecedentesEditar

Pouco tempo depois da vitória portuguesa de Aljubarrota, Nuno Álvares Pereira entrou, por Badajoz, no território castelhano. De Estremoz passara a Vila Viçosa e, daqui, a Olivença. Depois seguira em direcção a Mérida, para poder enfrentar as forças adversárias. Estas vieram pôr-lhe cerco em Valverde de Mérida, junto ao rio Guadiana.

A iniciativa de entrar em território castelhano partiu do condestável, sem conhecimento do rei, o qual se encontrava no Porto (embora com grande satisfação deste aquando do conhecimento desta vitória). Havia conhecimento de que um exército inimigo estava junto da fronteiro e D. Nuno decidiu ir ao encontro dele.[1][2]

Antes da batalha, um emissário castelhano entrega ao condestável várias varas, cada uma representando cada comandante castelhano. O condestável, com elas na mão, afirma que irá usá-las para castigar os opositores.

A BatalhaEditar

Estava-se em 14 de Outubro de 1385. Atravessado o Guadiana, as tropas portuguesas viram-se atacadas.[1][2] Do lado português, a vanguarda era comandada pelo Condestável, a retaguarda estava sob o comando de Álvaro Gonçalves Camelo, as alas estavam sob a chefia de Martim Afonso de Melo e de Gonçalo Anes de Castelo de Vide. Do lado castelhano, estavam os Mestres de Santiago e de Calatrava e o conde de Niebla. Um português, Martim Anes de Barbuda, estava do lado dos castelhanos e era o Mestre de Alcântara.

Os castelhanos cercaram os portugueses, atacando com projéteis. O condestável ora se deslocava para a vanguarda, ora para a retaguarda, dando ânimo. Foi ferido num pé.[1][2] A formação portuguesa era cerrada para se defender.

Durante a batalha o condestável retira-se para orar. Rui Gonçalves um dos guerreiros, aflito lhe chamou a atenção para a batalha que se perdia, o Condestável fez um sinal com a mão a pedir silêncio.[1] Novamente chamado à atenção por Gonçalo Anes que lhe disse: "Nada de orações, que morremos todos!", responde então D. Nuno, suavemente: "Amigo, ainda não é hora. Aguardai um pouco e acabarei de orar."[1]; quando acabou de rezar, ergue-se com o rosto iluminado e dando as suas ordens, percebendo que os castelhanos tinham usado todos os projéteis, decide atacar o Mestre de Santiago que acaba por morrer decapitado e o seu estandarte derrubado.[2] Com isto os castelhanos põem-se em fuga.

A estratégia militar do Condestável, a sua fé e ânimo que soube incutir à sua hoste, permitiram-lhe alcançar esta vitória que, ainda segundo o cronista Fernão Lopes, foi conseguida sobre um exército mais numeroso do que aquele que fora derrotado em Aljubarrota.

Na mesnada portuguesa também se salientou o português Gil Fernandes, de Elvas.

Esta foi a última vitória em campo aberto do condestável. Não mais voltou a ter batalhas como esta, pois os castelhanos não mais quiseram combater desta forma.

ReferênciasEditar

  1. a b c d e MARTINS, J. P. Oliveira (1893), A Vida de Nun'Alvares, Lisboa, 1893
  2. a b c d Chronica do Condestabre de Portugal Dom Nuno Alvarez Pereira, cap. LIV

BibliografiaEditar

  • MARTINS, J. P. Oliveira (1893), A Vida de Nun'Alvares, Lisboa, 1893
  • Chronica do Condestabre de Portugal Dom Nuno Alvarez Pereira