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Beatriz de Alta Lorena-Bar
Condessa de Canossa
Representação de Beatriz na obra Vida de Matilde, que conta a história da sua filha, Matilde de Canossa e da sua família.
Marquesa da Toscana
Duquesa de Espoleto
Senhora de Módena, Ferrara, Régio, Bréscia e Mântua
Reinado 1037 - 6 de maio de 1052
Predecessor Riquilda de Bérgamo
Sucessor Godofredo IV da Baixa Lorena
Matilde I
Regente da Toscana
Espoleto
Módena, Ferrara, Régio, Bréscia e Mântua
Reinado 6 de maio de 1052 - julho de 1055 (para Frederico)
julho de 1055 - 18 de abril de 1076 (para Matilde)
Predecessor Bonifácio IV
Sucessor Godofredo IV da Baixa Lorena
Matilde I
Duquesa consorte da Baixa Lorena
Reinado 1053 ou 1054 - 18 de abril de 1076
Predecessor Doda
Sucessor Matilde de Canossa
Cônjuge Bonifácio IV da Toscana
Dinastia Ardenas-Bar
Nome completo
Beatriz de Alta Lorena-Bar
Nascimento 1017
  Alta Lorena
Morte 18 de abril de 1076
  Pisa, Toscana, Itália
Enterro Catedral de Pisa
Pai Frederico II da Alta Lorena-Bar
Mãe Matilde da Suábia

Beatriz da Lotaríngia, ou Beatriz da Alta Lorena, também conhecida como Beatriz de Bar (1017 - Pisa, 18 de abril de 1076), foi uma Marquesa consorte da Toscana, e regente da Toscana entre a morte do seu primeiro marido, a 6 de maio de 1052 e a sua morte. Foi ainda. através do seu segundo casamento, Duquesa da Baixa Lorena.

Família e primeiros anosEditar

Beatriz era filha de Frederico II da Alta Lorena, filho de Teodorico I da Alta Lorena e Matilde da Suábia, filha de Hermano II da Suábia e Gerberga de Borgonha. Pertencia assim à Casa de Ardenas-Bar. Beatriz era irmã de Sofia de Bar, Condessa de Montbéliard e Frederico III da Alta Lorena. Após a morte dos pais (o pai faleceu em 1026 e a mãe em 1034), Frederico sucedeu ao pai na Alta Lorena e as irmãs foram viver com a tia, a Imperatriz Gisela da Suábia, que as adotou.

Primeiro casamentoEditar

 
Representação de Bonifácio de Canossa na obra Vida de Matilde (Vita Mathildis), que conta a história da sua filha, Matilde de Canossa e da sua família.

O tio, o imperador Conrado II da Alemanha precisava fortalecer as suas alianças com a Itália. Assim, em c. 1037, casou Beatriz com o seu maior aliado em terras italianas, o marquês Bonifácio IV de Toscana, pertencente à Casa de Canossa, uma das famílias mais poderosas da Itália do século XI. Bonifácio era filho de Tedaldo de Canossa e Vila de Espoleto, tendo herdado do pai o Ducado de Espoleto, e as terras de Módena, Ferrara, Régio, Bréscia e Mântua, e da mãe o Marca da Toscana. Beatriz casava-se assim com um homem poderoso, que controlava quase todo o Norte Italiano. Alguém nesta posição era vantajoso para Conrado, pois através de Bonifácio controlava também ele o Norte de Itália. Bonifácio já havia sido casado com Riquilda de Bérgamo, que falecera em 1034 sem lhe dar qualquer descendente que o pudesse suceder em todos os seus domínios. Beatriz contava então com vinte anos e Bonifácio com 52 anos. O matrimónio foi celebrado em Morengo, onde o casal passou os três meses seguintes. O casal teve descendência, o que muito favoreceu a posição de Beatriz na Toscana, apesar do seu pequeno papel político.

Bonifácio tentou restringir os direitos dos seus vassalos, desobedecendo assim ao seu próprio suserano, o Imperador Henrique III da Alemanha, que é suspeito de ser conivente no seu assassinato a 6 de maio de 1052, durante uma caçada, provavelmente vítima de uma seta envenenada.

A regência da Toscana e o segundo casamentoEditar

 
Desenho linear do selo de Beatriz por Ludovico Antonio Muratori (1738). O selo original, em cera, continua anexado ao subsídio de Beatriz para a igreja de São Zenão em Verona, em 1073. Em torno do selo inscrevem-se estas palavras: SIS SEMPER FELIX, COTFREDO CARA BEATRIX (Beatriz, querida de Godofredo, que sejas sempre feliz).

O governo de FredericoEditar

Após o assassinato de Bonifácio, o filho, Frederico, ascendeu ao trono. Como era, porém, menor de idade (contava então com doze anos, a sua irmã Matilde com 6), Beatriz, viúva, exerceu a regência.[1] Deste modo, para proteger o condado de ofensivas militares contra as quais não poderia batalhar, a viúva Beatriz casou-se novamente, desta vez com um primo, Godofredo III, Duque da Baixa Lorena, que era da Alta Lorena antes de se rebelar contra Henrique III, Sacro Imperador Romano-Germânico. O casamento ocorreu em 1053 ou 1054 na Igreja de São Pedro em Mântua, celebrado pelo próprio Papa Leão IX aquando do seu retorno de uma viagem que fizera à Alemanha. Durante esse tempo, a sua filha Matilde esteve noiva de Godofredo IV, Duque da Baixa Lorena, seu meio-irmão, filho de Godofredo III.

Henrique III, enfurecido pelo casamento de Beatriz com seu inimigo, viajou para Itália na primavera de 1055, chegando a Verona em abril e a Mântua duranta a Páscoa. Beatriz escreveu-lhe para lhe pedir passagem segura para que se pudesse explicar. Perante a concordância do Imperador, ela seguiu com Frederico, e com a sua mãe Matilde da Suábia, a irmã da avó do imperador, Gisela da Suábia, para Florença. A jovem Matilde foi deixada em Luca ou Canossa e pode ter passado os próximos anos entre os dois lugares sob a custódia do seu padrasto. Inicialmente, Henrique recusou-se a ver Beatriz, aprisionando-a em condições lamentáveis, enquanto Frederico foi tratado apropriadamente.).[2] Porém, este morreu em cativeiro. A morte de seu irmão. fez de Matilde a única herdeira das vastas terras do seu pai, sob a proteção de seu padrasto.

Os primeiros anos do governo de MatildeEditar

Com sua esposa aprisionada, Godofredo retornou à Alemanha para provocar uma rebelião, mas Henrique levou consigo Beatriz. Alguns historiadores alegam que Beatriz estava desejosa de ver a sua terra natal. De qualquer forma, Godofredo e o seu aliado, Balduíno V da Flandres, forçaram o imperador a aceitar os termos de paz no meio da década de 1050 e assim, ele foi autorizado a voltar para Itália e administrar as terras da sua enteada. Henrique morreu logo após e o conselho presidido pelo Papa Vítor II em Colónia formalmente restaurou Godofredo na corte imperial. Ele e Beatriz regressaram a Itália naquele ano.

MorteEditar

 
Sarcófago de Beatriz, em Campo Santo em Pisa.

Após a morte do seu enteado e genro, Godofredo IV da Baixa Lorena, a 27 de fevereiro de 1076, também ela falece, em Pisa, a 18 de abril de 1076,[3] terminando desta forma a sua regência e deixando a filha, Matilde, à época com 30 anos, com o controlo absoluto sobre as terras do pai e a sua fortuna e como herdeira de Lorena.

Beatriz foi sepultada na Catedral de Pisa, num sarcófago ao estilo Romano Tardio, com relevos que ilustram a história de Hipólito e Fedra.[4] Atualmente este sarcófago encontra-se em Campo Santo na praça da catedral. A inscrição em redor do sarcófago diz o seguinte:

Quamvis peccatrix sum domna vocata Beatrix
In tumulo missa iaceo quæ comitissa
Quilibet ergo pater noster, det pro mea anima ter.[5]

(“Apesar de pecadora, fui chamada de Senhora Beatriz. Encontro-me neste túmulo, eu que já fui condessa. Quem o desejar pode dizer três Pais Nossos pela minha alma.”)

Casamento e descendênciaEditar

Em 1037, em Morengo, Beatriz casou, por razões políticas, com Bonifácio IV da Toscana (985- 6 de maio de 1052), de quem teve:

Bonifácio faleceu assassinado a 6 de maio de 1052. Como regente, para proteger o condado de ofensivas militares contra as quais não poderia batalhar, Beatriz casou-se pela segunda vez ,novamente por questões políticas, em 1053 ou 1054, em Mântua, com um primo, Godofredo III, Duque da Baixa Lorena (997-1069). Não houve qualquer descendência deste casamento.

Ver tambémEditar

Referências

  1. Goez, Beatrix, p. 20
  2. Duff, 35 and n1.
  3. Goez, Beatrix, p. 32.
  4. Goez, Beatrix, p. 235.
  5. Bertolini, 'Beatrice di Lorena'

Referências bibliográficasEditar

Links externosEditar