Beilhique de Hamid

O Beilhique de Hamid ou Beilhique de Hamit-oğlu, Dinastia Hamid, Hamididas, em turco: Hamitoğulları Beyliği ou Hamidoğulları,[a] foi um dos beilhiques (beyliks, principados) anatólios que emergiu no século XIV, na sequência do declínio do Sultanato seljúcida de Rum. Governou as regiões de Eğirdir e Isparta,[1] no sul-sudoeste do que é atualmente a Turquia.[nt 1]

Beilhique de Hamid

Hamitoğulları Beyliği • Hamidoğulları • Dinastia Hamid • Hamididas • Emirado de Hamid • Beylik de Hamit-oğlu

Anatolian Seljuk Sultanate.JPG
13011391 
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Beylicats d’Anatolie vers 1330-pt.svg
Mapa dos beilhiques da Anatólia formados após a Batalha de Köse Dağ (26 de junho de 1243), que marcou o fim do Sultanato de Rum
Eğirdir está localizado em: Turquia
Eğirdir
Localização da capital dos Hamididas na Turquia atual
Coordenadas 37° 52' N 30° 51' E
Região Anatólia
Capital Eğirdir
País atual  Turquia

Língua oficial turco
Religião islão

Forma de governo Beilhique, monarquia
Bei ou emir
• 1301-1324  Falacadim Dundar
• 1374-1391  Camaladim Huceine

Período histórico Baixa Idade Média
• 1301  Colapso do Sultanato de Rum
• 1391  Anexação pelo Império Otomano
Lago Eğirdir, parte do território do Beilhique de Hamid

Origem do nomeEditar

A nome da dinastia provém de Hamid, um governador de territórios fronteiriços seljúcidas, avô dos irmãos Falacadim Dundar e Iunus, fundadores, respetivamente, do Beilhique de Hamid e do Beilhique de Teke. O pai destes irmãos, Elias,[2] Teke Bei ou Teke Paxá,[3] foi governador de Antália ao serviço dos seljúcidas.[3]

HistóriaEditar

Falacadim Dundar, fundador da Dinastia de Hamid propriamente dita, estabeleceu o seu beilhique na Pisídia, nos territórios interiores de Eğirdir, uma região que ganhou o nome de Hamid-eli, na rota comercial que ligava o Mediterrâneo ao Mar Negro.[2]

O beilhique de Teke, fundado por Yunus, era constituído por territórios da costa mediterrânica da Lícia e da Panfília e confinava com a parte sul dos territórios hamididas. Os seus principais centros eram Antália e Korkuteli.[2]

Falacadim mudou o nome de Eğirdir para Felekbâr (ou Felecabade).[4] Em 1324 é atacado por Timurtaş Noyan, o filho mais novo do emir Chupã Noiã, representante do último grande ilcã mongol da Pérsia Abuçaíde Badur. Timurtaş tenta reunificar o domínio mongol sobre a Anatólia para si próprio. Falacadim morre durante os combates.[5] Timurtaş submete os beilhiques de Hamid e de Teke e entrega Antália a Mamude, um filho de Iunus.[6] Alguns membros da família hamidida, entre os quais os filhos de Falacadim Dundar,[5] refugiam-se junto dos mamelucos, no Egito, mas voltam após Timurtaş cair em desgraça.[7] Em 1327, Cupã, caído em desgraça, é morto pelo ilcã Abuçaíde, É a vez de Timurtaş procurar refúgio no Egito, mas os mamelucos matam-no para não desagradarem a Abuçaíde.[8]

Hizir (ou Khidhr), um filho de Dündar, restabelece a dinastia em Eğirdir em 1327 e conquista os distritos de Beyşehir, Seydişehir e Akşehir.[9]

Em 1328, Najimadim Abu Ixaque sucede ao seu irmão. É ele quem ibne Batuta encontra aquando da sua passagem por Eğirdir (Acridur nos seus escritos):

O sultão desta cidade é Abu Ixaque Bei, filho de Addendâr (Dündar) Bei, um dos principais soberanos deste país. Ele habitou no Egito quando o seu pai era vivo, e fez a peregrinação a Meca. Ele é dotado de belas qualidades, e é seu costume assistir todos os dias à oração de asr[b] na mesquita djâmi.
 
ibne Batuta, Viagens, de Meca às estepes russas e à Índia[5].

Alguns dias depois da sua visita a Eğirdir, ibne Batuta passa em Gölhisar (Koul Hissâr no texto), na atual província de Burdur, e encontra Maomé, o Cavalheiro,[c] irmão de Ixaque:

(O sultão de Koul Hissâr) é Mohammed Tchelebi, e esta última palavra, na língua do país de Roûm, significa senhor. Ele é irmão do sultão Abu Ixaque, rei de Acridur.
 
ibne Batuta, Viagens...[10].

Muzafaradim Mustafá, o filho de Maomé, o Cavalheiro, sucede ao seu tio cerca de 1344.

Hucemadim Ilias, o filho de Mustafá, sucede ao seu pai cerca de 1357. O seu reinado é marcado por guerras contínuas com os caramânidas e é por eles derrotado diversas vezes.[9] Camaladim Huceine o filho de Elias, sucede ao seu pai cerca de 1374. Vende a maior parte dos seus domínios ao sultão otomano Murade I . Sabe-se que o seu filho Mustafá segue Murade I e participa na Batalha do Cosovo em 1389. O beilhique é completamente anexado ao sultanato otomano em 1391. As cidades orientais da província, ou seja, Beyşehir, Seydişehir e Akşehir, são então ocupadas pelos caramânidas e vão ser a causa de numerosos recontros militares entre estes e os otomanos.[9]

A subdivisão administrativa otomana com capital em Isparta que, grosso modo, corresponde ao que é hoje a província de Isparta, era chamada Sanjaco de Hamid até aos primeiros anos da república turca.[nt 2]

Quadro cronológico da dinastiaEditar

Datas[2] Nome Nome turco Filho de Observações
1301-1324 Falacadim Dundar Feleküddin Dündar Ilyâs[2] ou Teke[3] ? Fundador da dinastia.
1324-1327 Ocupação por Timurtas filho mais novo do emir Chupã Noiã, do Ilcanato mongol da Pérsia.
1327-1328 Khidhr Hizir Dündar  
1328-~1344 Najimadim Abu Ixaque Necmeddin Ishak Dündar  
~1344-~1357 Muzafaradim Mustafá Muzafferüddin Mustafa Maomé, o cavalheiro, filho de Dündar  
~1357-~1374 Hucemadim Ilias Hüsameddin Elyas Mustafa  
~1374-1391 Camaladim Huceine Kemaleddin Hüseyin Elyas Vende uma parte do beilhique a Murade I.
1391 Anexação definitiva ao Império Otomano.

NotasEditar

  1. A maior parte do texto foi inicialmente baseada no artigo artigo «Hamidides» na Wikipédia em francês (acessado nesta versão).
  2. Trecho baseado no artigo artigo «Hamidoğlu» na Wikipédia em inglês (acessado nesta versão).
[a] ^ Os termos turcos Hamidoğulları ou Hamitoğulları, plural de Hamidoğlu, significam "filhos de Hamid".
[b] ^ asr é o nome árabe da oração da tarde dos muçulmanos.
[c] ^ Não confundir o hamidida Maomé, o Cavalheiro com o seu homónimo otomano posterior, Maomé I, o Cavalheiro.

Referências

  1. Batuta
  2. a b c d e Bosworth, «The Hamid Oghullarî and the Tekke Oghullarî», p. 226.
  3. a b c Houtsma, «Teke-oghlu», p. 720-721.
  4. Houtsma, «Egerdir», vol 3, p. 4.
  5. a b c Battûta, vol 2, «Du Sultan d’Akrîdoûr», p 118.
  6. Battûta, vol 2, «Du Sultan d’Anthâlïah», p 116.
  7. Battûta, vol 2, «Introduction : L’Asie Mineure», p 21.
  8. Grousset, «Règne d’Aboû Sa’îd», p. 487-488.
  9. a b c Houtsma, vol. II, «Hamîd», p. 250-251.
  10. Battûta, vol 2, «Du Sultan de Koul Hissâr», p. 119-120.

BibliografiaEditar