Bouças foi um antigo concelho português, criado em 1833 e que em passou a ser definitivamente designado por concelho de Matosinhos a partir de 1909. Continha, inicialmente, as freguesias de Bouças de Matosinhos, Guifões, Leça da Palmeira, Lordelo do Ouro, Nevogilde e Ramalde.

Concelho extinto de Bouças
Fundação do concelho 1833
Extinção do concelho 6 de maio de 1909
Sede(s) do concelho Matosinhos
Antigos Concelhos de Portugal Flag of Portugal.svg

Com a reforma administrativa promovida pelo Decreto de 6 de novembro de 1836, foram anexadas ao concelho as freguesias de Aldoar, Custóias, Infesta, Leça do Balio, Santa Cruz do Bispo, Lavra e Perafita, pertencentes ao extinto concelho de Leça do Balio, e a freguesia de Paranhos, pertencente ao concelho da Maia, enquanto que lhe foi desanexada a freguesia de Lordelo do Ouro que passou a integrar o concelho do Porto.[1] A Carta de Lei de 27 de setembro de 1837 transferiu a freguesia de Paranhos para o concelho do Porto.[2] A freguesia de Labruge foi transferida de Vila do Conde para Bouças com o Decreto de 24 de outubro de 1855,[3] mas foi transferida de volta, por pedido da maioria dos eleitores, com Decreto de 18 de outubro de 1871.[4]

A 17 de junho de 1856, o surto de cólera morbus que atacava o país deu entrada no concelho, registando-se 239 casos, incluindo o do médico Manuel Domingues dos Santos, e 154 mortes, fazendo maiores estragos na freguesia de Lavra. Os depósitos de algas e sargaços usados para adubo foram apontados como causa da propagação da epidemia na vila de Matosinhos, enquanto que em Lavra a presença de terrenos pantanosos facilitaria a presença de febres intermitentes como a febre tifoide que já tinha atacado a freguesia.[5] O Relatório à epidemia encomendado ao Conselho de Saúde Pública do Reino, publicado a 1858, indicava ainda que o concelho tinha 13 mil habitantes dedicados quase exclusivamente à lavoura, com a excepção das zonas costeiras onde a população era pesqueira e onde se formavam marinheiros para viagens de longa distância.[5]

Foi extinto em 1867, sendo criado o concelho de Matosinhos, mas foi restaurado vinte dias depois voltando à organização anterior.

O Diccionario de Geographia Universal, datado de 1878, indica que o concelho tinha a vila de Matosinhos como sede e era composto por 12 freguesias com um total de 17 320 habitantes. Destaca a produção de cereais, legumes e vinhos feita no solo muito fértil, e a presença de excelentes salinas. O concelho contava com 12 ferreiros, 26 moleiros, 19 tecelões e três fábricas de telha. Contava ainda com sete escolas masculinas e duas femininas.[6]

A 6 de maio de 1909 foi extinto definitivamente para ser criado o concelho de Matosinhos, por este lugar ser mais importante que o de Bouças.

Referências

  1. a b «Nova organização dos distritos Administrativos do Reino : Decreto de 6 de Novembro de 1836». Arquivo Municipal do Porto. 24 de dezembro de 1836. pp. 181–185 
  2. Collecção de Leis e outros Documentos Officiaes publicados no 2.º Semestre de 1837. Lisboa: Imprensa Nacional. 1837. p. 136. §. 11.º A Freguezia de Paranhos, actualmente incorporada no Concelho de Bouças, no Districto Administrativo do Porto, annexar-se-ha ao Concelho do Porto, no Districto Administrativo desta Cidade. 
  3. José Maximo de Castro Neto Leite e Vasconcellos (1856). Collecção Official da Legislação Portugueza do Anno 1855. Lisboa: Imprensa Nacional. p. 366-367. Concelho de Bouças --- As mesmas [freguesias dos julgados e concelhos] que tinha, e mais a de Labruge, desannexada do Julgado de Villa do Conde. 
  4. Collecção Official da Legislação Portugueza Anno de 1871. Lisboa: Imprensa Nacional. 1872. p. 285. Hei por bem, conformando-me com o parecer dos fiscaes da corôa e fazenda, em conferencia, ordenar que a freguezia de S. Thiago de Labruge, do concelho de Bouças, fique pertencendo para todos os effeitos administrativos, judiciaes, ecclesiasticos e de fazenda, ao concelho de Villa do Conde. 
  5. a b Portugal Conselho de Saude Publica do Reino (1858). Relatorio da epidemia de cholera-morbus em Portugal: nos annos 1855 e 1856. [S.l.]: Imprensa nacional. 108 páginas 
  6. Diccionario de Geographia Universal. [S.l.]: D. Corazzi. 1878. 511 páginas 
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