Caminho de Ferro de Goba

Linha ferroviária de ligação entre Maputo (Moçambique) e Matsapha (Essuatíni)

Caminho de Ferro de Goba (CFG),[1] também chamado de Caminho de Ferro Suazilândia-Maputo, é uma ferrovia que liga a cidade de Maputo, em Moçambique, à cidade de Matsapha, em Essuatíni.[2][3] Possui 71 ou 226 km de extensão dependendo das fontes, em bitola de 1067 mm.[4]

Caminho de Ferro de Goba
Predefinição:Info/Ferrovia
Locomotiva a vapor da CFM no. 257 com um comboio de vagões carregados de minério de ferro vindo de Essuatíni, em 1970.
Informações principais
Área de operação Moçambique e Essuatíni
Tempo de operação 1912–Presente
Operadora Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique
Ferrovias de Essuatíni
Interconexão Ferroviária Ressano Garcia
Limpopo
Richards Bay
Komati
Portos Atendidos Porto de Maputo-Matola
Especificações da ferrovia
Extensão 466,8 km (290 mi)
Diagrama e/ou Mapa da ferrovia

No trecho moçambicano, entre Maputo e Goba, a empresa administradora é a Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM);[1] já no trecho essuatiniano, entre a cidade de Mlawula e a de Matsapha, a administração é feita pela empresa Ferrovias de Essuatíni (Eswatini Railways-ESR).[5]

Seu ponto de escoamento principal está no Porto de Maputo-Matola.[1]

História editar

 
Acima: ponte rodoferroviária de Goba, em 1929; abaixo: aspecto da estação ferroviária de Goba, em 1929.

Em 1902, a administração britânica de Essuatíni celebrou um termo de compromisso com a administração portuguesa de Moçambique para a construção de uma linha ferroviária que partiria do porto de Maputo, chegando até Mebabane. As obras iniciaram-se em 1903, mas o trecho moçambicano até Goba somente foi aberto em 1912. Após chegar à fronteira, a ferrovia não rumou para o interior do Essuatíni, com as obras paralisando.[6]

Em 1927, a Ferrovia da Zululândia, na União Sul-Africana, chegou a Golela, na fronteira sul de Essuatíni, porém continuava sem atingir as terras interiores essuatinianas. O desenvolvimento da mina de Ngwenya, na década de 1960, deu um novo impulso à construção de ferrovias em Essuatíni. Entre 1961 e 1964, a linha leste-oeste foi construída de Goba para Matsapha e depois para Ngwenya. A mineração em Ngwenya cessou em 1980 e o trecho ferroviário entre esta cidade e Matsapha foi abandonado.[7]

A Guerra da Independência de Moçambique e a Guerra Civil Moçambicana subsequente causaram interrupções no comércio portuário de Essuatíni através de Moçambique e, em 1977, as Ferrovias da África do Sul concordaram com a construção de um elo entre a estação ferroviária de Golela e o trecho existente em Phuzumoya e Mpaka. Essa linha, inaugurada em 1978, deu a Essuatíni acesso ferroviário a Durban e Richards Bay.[7]

Em 1986, foi aberta a ligação norte, conectando Komatipoort a Mpaka, fornecendo uma rota mais curta e/ou alternativa para o tráfego de cargas e passageiros de Essuatíni e do leste sul-africano até o porto de Richards Bay, quebrando muito do tráfego e das cargas transportadas por Maputo.[7]

Estações principais editar

As principais estações do CFG são:[4]

Ramais editar

O principal dos ramais da ferrovia de Goba é o de Salamanga, com 54 km de extensão, conectando Boane à vila industrial de Salamanga. É um ramal de tipo industrial, utilizado basicamente para transporte de calcário.[8]

Possui ainda o ramal de manobras de Mpaka.[1]

Referências

  1. a b c d «Linha de Goba» (HTML). CFM. Consultado em 3 de fevereiro de 2020 
  2. Goba railway, Mozambique, increases load capacity to 5 million tons. MacauHub. 12 de agosto de 2015.
  3. Mozambique And Eswatini Remove Customs Barriers On Goba Line. Railways Africa. 25 de março de 2019.
  4. a b Mozambique Logistics Infrastructure: Mozambique Railway Assessment. Atlassian Confluence. 10 de dezembro de 2018.
  5. Eswatini Railways (2020). «Mapa da rede ferroviária de Essuatíni» 
  6. Newitt, M. D. D.. A History of Mozambique. Indiana University Press, 1995. pg. 493.
  7. a b c Railways in Eswatini. Sin Fin. 2019.
  8. Reabilitação do Ramal de Salamanga. CFM. 2018.