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Castelo ibérico estratégico

Castelo de São Jorge

O castelo Ibérico é um castelo militar e estratégico bem diferente do castelo europeu típico, este de natureza senhorial.

OrigemEditar

Os visigodos, em contacto com Bizâncio, assimilaram a excelência cultural do Império Romano do Oriente, nomeadamente a sua arquitectura militar e mantiveram na Península Ibérica o castelo de concepção romama, tradição que posteriormente os árabes desenvolveram adaptando-os às eminências rochosas - o que lhe roubou a sua geometria regular, inspirada nos acampamentos militares romanos, mas que os tornou mais funcionais.

A alcáçova (castelo) árabe tinha normalmente dois pátios, a níveis diferentes: o inferior muito grande, destinava-se a serviços menores e a acolher o povo com os seus gados, de onde lhe advinha o nome de albacar, e o pátio superior que albergava a mesquita, para os serviços religiosos, e o alcácer, para os serviços administrativos e de chefia. O elemento artístico predominante era o arco em ferradura.

Reconquista CristãEditar

Quando se iniciou a Reconquista Cristã, os cristãos ocuparam as elaboradas alcáçovas árabes e atribuiram-lhes igualmente funções militares mas, de raízes culturais diferentes, substituiram as marcas árabes pelas cristãs, não raro se encontrando presentes no mesmo castelo elementos de ambas culturas.

O arco de ferradura cedeu lugar ao arco de volta inteira e o castelo cristão acrescentava, às vezes, aos dois pátios da alcáçova, um terceiro pátio onde os Templários de D. Gualdim Pais começaram a implantar uma torre com características especiais, que tomou a designação de Torre de Menagem e é típica e exclusiva dos castelos cristãos ibéricos. Pela importância que o castelo assumia para a sobrevivência do povo de profundas raízes religiosas e ainda em perigo, com cujo destino se identificava, construíram-se no seu interior uma igreja, que muitas vezes foi denominada por Igreja de Santa Maria do Castelo. Por sua vez o alcácer deu lugar à alcaidaria, na medida em que o chefe militar e administrativo se demominava por alcaide[1].

FeudalismoEditar

No segundo ou terceiro pátio a Torre de Menagem imprimia a diferença fundamental entre o castelo senhorial da Europa não ibérica, marcada pelo feudalismo, e o castelo da Península Ibérica, onde o feudalismo não vingou da mesma maneira.

No resto da Europa o castelo era dos senhores feudais que, senhores autónomos de um território dentro do reino, se atacavam mutuamente; na Península Ibérica o castelo era do soberano, que reinava em todo o território e delegava a sua autoridade no alcaide que jurava o preito de menagem (juramento de fidelidade ao rei) na Torre de Menagem - o símbolo da soberania do rei [2].

Referências

  1. António Lopes Pires Nunes;, Castelo Branco, uma Cidade Histórica, Almondina, 2002
  2. António Lopes Pires Nunes., Os Castelos Templários da Beira Baixa, Almondina, 2005

BibliografiaEditar

  • NUNES, António Lopes Pires; Dicionário de Arquitectura Militar, Caleidoscópio, 2005
  • NUNES, António Lopes Pires; Os Castelos Templários da Beira Baixa, Almondina, 2005
  • NUNES, António Lopes Pires; Castelo Branco, uma Cidade Histórica, Almondina, 2002
  • MONTEIRO, João Gouveia e PONTES, Maria Leonor; Castelos Portugueses - Guias Temáticos, IPPAR, 2002.