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Flag of Ghana.svg
Gana
Catedral de Nossa Senhora das Sete Dores, em Navrongo, Gana.
Ano 2010[1]
Cristãos 18.260.000 (74,9%)[1]
Católicos 240.000 (12,9%)[1]
População 24.390.000[1]
Paróquia 582[2]
Presbíteros 1.515[2]
Diáconos permanentes 2[2]
Religiosos 667[2]
Religiosas 1.084[2]
Presidente da Conferência dos Bispos Católicos Philip Naameh[3]
Núncio apostólico Sede vacante[4]
Códice GH

A Igreja Católica em Gana(português brasileiro)[5][6][7] ou no Gana(português europeu)[8][9][10] é parte da Igreja Católica universal, em comunhão com a liderança espiritual do Papa, em Roma, e da Santa Sé.

HistóriaEditar

1471 foi o ano em que desembarcaram os primeiros europeus, e os missionários portugueses elevaram a primeira cruz em Sahama, local que depois tornou-se um importante centro comercial. Em 1573, chegaram os padres agostinianos, que construíram um convento e estabeleceram missões em outras localidades. Sucessivamente, chegaram os capuchinhos franceses, que, devido à proibição das autoridades portuguesas, foram obrigados a abandonar a missão. A chegada de protestantes holandeses obrigou os missionários católicos a interromper a sua missão no país.[11]

 
Fachada da igreja de São José, em Elmina

Na segunda metade do século XIX, foi retomada a evangelização católica da Costa do Ouro, e em 1879 foi erigida a Prefeitura Apostólica da Costa do Ouro, confiada aos padres da Sociedade dos Missionários da África (SMA, também chamados de Padres Brancos). Dois missionários da SMA desembarcaram em Elmina, em 18 de maio de 1880, data que a Igreja considera o início de seu verdadeiro trabalho missionário em Gana.[11] Isso também foi afirmado por São João Paulo II, em sua jornada apostólica ao país, no ano de 1980, comemorando o centenário do início da evangelização em território ganês.[12] Em 26 de dezembro de 1883, chegaram as duas primeiras religiosas da Congregação de Nossa Senhora dos Apóstolos, que, depois de um ano, abriram uma escola feminina. Em 29 de dezembro de 1890, foi abençoada em Elmina a primeira igreja dos tempos modernos, dedicada a São José.[11]

Em 1885, a sede da Prefeitura Apostólica da Costa do Ouro foi transferido de Elmina a Cape Coast, à qual foi incorporada a região de Keta, 1894. Em 25 de maio de 1901, a Prefeitura Apostólica da Costa do Ouro foi elevada a Vicariato Apostólico, com o mesmo nome. Em 1906, os Padres Brancos vindos do Alto Volta (atual Burquina Fasso) iniciaram a obra missionária ao norte de Gana. Este território foi incorporado à Prefeitura Apostólica de Navrongo em 11 de janeiro de 1926 e em 26 de fevereiro de 1934 foi elevado a Vicariato Apostólico.[11]

A primeira igreja da capital, Acra, foi construída em 1892 e a Prefeitura Apostólica de Acra foi erigida em 9 de dezembro de 1942, confiada aos Missionários do Verbo Divino. Em 1947, tornou-se Vicariato Apostólico. No dia 8 de dezembro de 1935, foram ordenados os primeiros sacerdotes ganeses étnicos. Em 1946, foi fundada a Congregação das Irmãs de Maria Imaculada.[11]

Em 18 de abril de 1950, foi feita alteração nas divisões territoriais das dioceses ganesas: a Hierarquia na Costa do Ouro, com sede do Arcebispado Metropolita de Cape Coast e 4 dioceses sufragâneas: Acra, Keta, Kumasi e Tamale. Em de 7 março de 1957, Dom John Kodwo Amissah foi nomeado bispo auxiliar de Cape Coast e em 19 de dezembro de 1959 tornou-se o primeiro arcebispo africano de Cape Coast. [11]

AtualmenteEditar

 
Interior da igreja de Santa Bárbara, em Akosombo

A Igreja Católica ganesa é normalmente descrita como "viva, dinâmica e rica de iniciativas". Há também um grande compromisso com o ecumenismo e o diálogo inter-religioso e a promoção do interesse pelo estudo e leitura da Bíblia[11][13] e a formação dos agentes pastorais. Há muitas vocações sacerdotais e religiosas, o que resulta na ordenação de muitos padres e freiras. A Universidade Católica de Sunyani e o Instituto para a Formação Contínua são muito apreciados e atraem também religiosos e religiosas de outras partes da África. Foram organizados grandes eventos católicos em Gana nos últimos anos, que podem se exemplificados por:[11]

Gana é um dos países mais estáveis politicamente na África, e isto se reflete na promoção dos direitos humanos fundamentais e no desenvolvimento econômico favorável. A fundação Ajuda à Igreja que Sofre (ACN) descreve as relações entre as diferentes comunidades religiosas ganesas como "exemplares", mesmo com os muçulmanos. O extremismo islâmico é raro no país.[14]

Um dos problemas de Gana é a imigração em massa dos jovens, em especial para a Europa, e mais recentemente para a América do Sul. Os bispos do país apelaram a que os cidadãos não emigrem para a Europa, numa declaração conjunta em junho de 2016, que também foi assinada pelo Conselho Cristão de Gana. A declaração dizia: "Estamos entristecidos pelas notícias de muitos migrantes africanos que morrem nos desertos do norte da África e no Mar Mediterrâneo e apelamos aos estados e governos africanos para que instituam medidas proativas para conter esta tragédia". Segundo a própria Igreja, o apelo teve uma reação positiva, sobretudo a nível político. A ACN também afirmou em seu relatório que no país não houve violações significativas da liberdade religiosa, e que o fenômeno do aumento do jihadismo islâmico na África Ocidental ainda não se manifestou em Gana sob a forma de ataques violentos.[14]

Em 2013, após a Renúncia do papa Bento XVI, o cardeal ganês Peter Turkson, era visto como o mais provável sucessor de Bento XVI, em casas de apostas do Reino Unido. Em entrevista coletiva em 2009, quando perguntado se achava que este era o momento certo para um negro assumir o papado, ele respondeu: "Por que não?".[15][16]

Papel socialEditar

A Igreja está muito presente na sociedade, fornecendo ajuda a problemas civis, como educação, justiça, paz, conflitos, migrações, prostituição e corrupção. Por esses motivos, o catolicismo ganês é bem visto dentro e fora do país.[11][14] Em entrevista à Agência Fides, em 2017, Dom Jean-Marie Speich afirmou que a Igreja administra mais de 4.600 instituições de ensino, nos quais somente 25% dos estudantes são católicos, e que também detém 27% das estruturas de saúde do país, entre clínicas, hospitais e dispensários.[17] Segundo dados do Anuário Estatístico de 2004, a Igreja Católica administrava em Gana naquele ano:[11]

  • 221 jardins de infância
  • 1.093 escolas maternas com 110.976 alunos
  • 1.971 escolas primárias com 440.570 estudantes
  • 1.013 escolas secundárias e superiores com 222.546 estudantes
  • 35 hospitais
  • 75 dispensários
  • 3 leprosários
  • 3 asilos
  • 8 orfanatos
  • 16 consultórios familiares

Organização territorialEditar

Em 30 de maio de 1977 erigiu-se a Arquidiocese de Tamale, no norte do país, e suas dioceses sufragâneas eram Wa e Navrongo. Naquela ocasião, a Diocese de Navrongo passou a ser denominada Diocese de Navrongo–Bolgatanga. Em 6 de julho, também foi erigida a Arquidiocese de Acra, no leste do país, as dioceses sufragâneas eram Keta–Ho e Koforidua. Em 22 de dezembro de 2001, O Papa João Paulo II criou a Arquidiocese de Kumasi, e as sufragâneas: Goaso, Konongo-Mampong, Obuasi e Sunyani. As últimas duas dioceses erigidas em Gana são Wiawso (22 de dezembro de 1999) e Yendi (16 de março de 1999). No Consistório de 21 de outubro de 2003, o Papa elevou Dom Peter Kodwo Appiah Turkson, Arcebispo de Cape Coast, a cardeal, e no 24 de fevereiro de 2006, o Papa Bento XVI criou o Cardeal Dom Peter Poreku Dery, arcebispo emérito de Tamale.[11]

 
Catedral de Santana, em Damongo

O país possui atualmente 20 circunscrições eclesiásticas:[2]

Conferência EpiscopalEditar

 Ver artigo principal: Conferência dos Bispos de Gana

A Conferência dos Bispos de Gana reúne os bispos de todo o país, e foi criada em 1966.[3]

Nunciatura ApostólicaEditar

 Ver artigo principal: Nunciatura Apostólica de Gana

A Delegação Apostólica de Gana foi criada em 1973, sendo elevada a Pró-Nunciatura Apostólica entre 1976 e 1992, e esta por fim elevada a Nunciatura Apostólica de Gana no ano de 1993.[4]

Por ocasião das comemorações dos 40 anos de estabelecimento das relações diplomáticas entre Gana e a Santa Sé, Dom Jean-Marie Speich, ex-Núncio Apostólico em Gana, afirmou à Agência Fides, "As relações entre a Santa Sé e Gana são excelentes e houve uma evolução positiva no decorrer dos anos", afirmando ainda a estima do Papa Francisco pelo país: "O Santo Padre considera Gana como um país capaz de ajudar os Estados vizinhos a crescer na democracia. O Santo Padre leva Gana em seu coração e reza para que o país cresça em paz, na democracia e na prosperidade, de modo a beneficiar os seus habitantes, e para que haja uma luta à corrupção, que prejudica com a economia", garantiu o Núncio.[17]

Visitas PapaisEditar

Em sua Jornada Apostólica à África, o então Papa João Paulo II, visitou Gana nos dias 8 e 9 de maio de 1980, celebrando missa na Catedral do Espírito Santo, na capital ganesa, Acra.[18]

 
Cardeal Peter Poreku Dery, à esquerda, pode ser o primeiro santo ganês
Quando olho para a Igreja no Gana, não posso deixar de pronunciar uma palavra especial sobre a família. Como cada pessoa nasce na comunidade, a família constitui o fundamento sobre que todas as comunidades mais amplas são construídas. Seja cada família verdadeira "Igreja doméstica", comunidade em que o Senhor Jesus ocupe o lugar central, onde as crianças aprendam a conhecer e amar a Deus, e onde a oração seja a força que a une. Nesta comunidade de amor e de vida decide-se o futuro da sociedade e constrói-se a paz do mundo. E juntamente com os vossos Bispos, e com a Igreja em todas as partes do mundo, vós, fiéis do Gana — clero, religiosos, seminaristas e os leigos todos — sois chamados a viver na santidade e dar testemunho a Cristo, e a difundir a Boa Nova da salvação. A evangelização do mundo toca a cada um de vós. É obra do Espírito Santo; é Ele que dá testemunho a Jesus neste século e confirma todos os seus membros como testemunhas do Senhor Jesus e do seu Evangelho de amor. Todos vós, neste ano centenário de graça, sois chamados a ouvir as palavras de Cristo: "Brilhe a vossa luz diante dos homens, de modo que, vendo as boas obras, glorifiquem vosso Pai, que está nos Céus" (Mt 5, 16). Caríssimos irmãos e irmãs: eis a razão por que vim ao Gana: para dar testemunho a Cristo, que foi crucificado e ressuscitou da morte, para vos dizer a vós todos que nós partilhamos a missão comum de levar Jesus ao mundo.
 
Papa João Paulo II em sua visita a Gana[12].

SantosEditar

Atualmente há apenas um ganês a caminho de ser beatificado, o cardeal morto na década de 90, Peter Poreku Dery. Se comprovado mais um milagre de Peter, ele será beatificado, ou seja, elevado de venerável a beato, e seria o primeiro de Gana.[19]

Referências

  1. a b c d «Religions in Ghana». Pew Forum. Consultado em 6 de maio de 2019 
  2. a b c d e f «Ghana». Catholic-Hierarchy. Consultado em 25 de abril de 2019 
  3. a b «Ghana Bishops' Conference». GCatholic. Consultado em 6 de maio de 2019 
  4. a b «Apostolic Nunciature - Ghana». GCatholic. Consultado em 6 de maio de 2019 
  5. Marina Caruso (2 de maio de 2019). «Líder comunitária de Gana mudou a própria vida e a de uma rede de mulheres com o karité». O Globo. Consultado em 6 de maio de 2019 
  6. «Lixo eletrônico da Europa causa contaminação grave nos alimentos de Gana». Revista Galileu. 26 de abril de 2019. Consultado em 6 de maio de 2019 
  7. Gabriela Marçal (16 de abril de 2019). «Uso da manteiga de karité dá independência a mulheres de Gana». Tribuna do Norte. Consultado em 6 de maio de 2019 
  8. Isaac Kaledzi (6 de maio de 2019). «Economia do Gana acelera a fundo». DW. Consultado em 6 de maio de 2019 
  9. «Brigitte Perenyi, de escrava num santuário do Gana a produtora premiada». Diário de Notícias. 21 de abril de 2019. Consultado em 6 de maio de 2019 
  10. «Brigitte Perenyi, de escrava num santuário do Gana a produtora premiada». RTP. 21 de abril de 2019. Consultado em 6 de maio de 2019 
  11. a b c d e f g h i j k «ÁFRICA/GANA - A história da Igreja». Gaudium Press. 21 de abril de 2007. Consultado em 8 de maio de 2019 
  12. a b São João Paulo II (8 de maio de 1980). «DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II DURANTE O ENCONTRO NA CATEDRAL DE ACRA (GANA)». Vatican.va. Consultado em 8 de maio de 2019 
  13. «Um rosto africano para a Igreja em Gana». Agência Zenit. 25 de abril de 2010. Consultado em 8 de maio de 2019 
  14. a b c «Gana». Ajuda à Igreja que Sofre. Consultado em 8 de maio de 2019 
  15. «Cardeal de Gana é favorito para suceder papa Bento XVI». Valor Econômico. 13 de fevereiro de 2013. Consultado em 8 de maio de 2019 
  16. Rita Siza (11 de fevereiro de 2013). «Cardeal Peter Turkson do Gana no topo da lista da sucessão de Bento XVI». Público.pt. Consultado em 8 de maio de 2019 
  17. a b «ÁFRICA/GANA - "O Santo Padre considera Gana como um exemplo de democracia para os seus vizinhos", afirma o Núncio». Agência Fides. 30 de março de 2017. Consultado em 8 de maio de 2019 
  18. «Apostolic Journey to Ghana». GCatholic. Consultado em 6 de maio de 2019 
  19. «Ghana to get first Saint». Ghanaweb. 16 de junho de 2013. Consultado em 8 de maio de 2019 

Ver tambémEditar