Celulite

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Celulite
Celulite
Especialidade endocrinologia
Classificação e recursos externos
CID-10 L03
MedlinePlus 002033
MeSH D000071697
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Celulite, adipose edematosa ou lipodistrofia ginoide são irregularidades naturais da pele causadas pelo modo que a gordura e o tecido fibroso se organizam. É encontrando-se usualmente nas nádegas e partes posteriores das coxas[1]. As ondulações da pele, são descritas com aspecto de "casca de laranja" ou de ricota. Embora alvo da indústria da estética e da preocupação de muitas mulheres, essa celulite não se caracteriza uma doença, sendo uma forma natural de o organismo armazenar gordura superficial [1]. Faz-se presente no corpo da grande maioria das mulheres: até 90% tem celulite em algum momento da vida, sendo comum mesmo em mulheres magras e jovens. É menos comum em homens, mas pode afetar até 10% deles em algum momento da vida.[2] A celulite aparece principalmente na região dos glúteos, coxa, abdómen, nuca e braços.

O termo celulite também se refere à infecção bacteriana do subcutâneo, geralmente pelo Staphylococcus aureus ou por um Streptococcus, que é caracterizada por pele avermelhada (eritematosa) com bordes mal definidos. Pode ser dolorosa e mudar de cor ao apertar. Requer tratamento farmacológico com penicilinas.[3]

CausasEditar

Estudos comprovam que a celulite afeta de 85% a 98% das mulheres após a puberdade independente da raça.[4] Por ser predominante no sexo feminino e raramente encontrada em homens, a causa da celulite é muito provavelmente hormonal (principalmente estrógenos e catecolaminas).[5] O aumento da gordura localizada nos quadris coxas e glúteos causada pela ação do estrógeno[6], prolactina e dietas rica em carboidratos levam à distensão da pele enquanto as fibras que unem a pele ao músculo tensionam o tecido, essa oposição de forças provoca o aparecimento da celulite.[7] As ondulações na pele são características da anatomia feminina, que possui fibras de orientação vertical confirmadas por ultrassonografia em regiões de baixa densidade entremeadas na derme.[8] O subcutâneo nos homens, por outro lado, é caracterizado por fibras horizontais e diagonais que facilitam a circulação e impedem a retenção de gordura.[9]

O tecido adiposo é um tecido flácido, que requer a presença de tecido fibroso para ser sustentado. Em cerca de 1/4 da população feminina, esse tecido estende-se no meio e por sobre o tecido adiposo formando firmes tranças e dispondo a camada gordurosa em estratos, o que resulta em uma aparência externa lisa. Nos 3/4 restantes, o tecido adiposo naturalmente não encontra-se tão tensionado pelas fibras, e distribui-se de forma não estratificada em torno dessas. O resultado é a celulite[1].

AlimentaçãoEditar

Muitos tentam erradicar a celulite engajando-se em um processo de emagrecimento, e fazendo dietas específicas. Embora o emagrecimento possa trazer alguma melhoria estética, esse, por si, não é um tratamento para a celulite. Muitas pessoas magras são portadoras de celulite, e emagrecer não é suficiente para se erradicar as mesmas. Há de se considerar ainda que várias pessoas bem gordas não têm celulite, exibindo uma pele lisa e hidratada.[1]

Fatores de riscoEditar

Outros fatores[10] como o excesso de peso, o sedentarismo, bebidas alcoólicas e o cigarro, figuram no ranking dos fatores que mais causam a celulite, seguidos por stress, baixa ingestão de líquidos, e no topo da lista está a pré-disposição genética.

Todos esses fatores associados ao fator principal que é a má alimentação, pioram a celulite na sua forma mais agressiva, deixando a pele com aspecto ondulado e sem saúde.

DiagnósticoEditar

Mesmo que os que a consideram doença concordem que essa traz pouca ou nenhuma implicação clínica. A celulite, em essência por questões culturais, traz grandes preocupações estéticas às mulheres, muitas vezes levando a quadros de constrangimentos quando faz-se necessária a exposição corporal pública, por exemplo mediante o uso de trajes curtos ou de banho. Apoio é usualmente procurado no sistema de saúde; e o médico que realiza a avaliação da celulite é geralmente o dermatologista.

O diagnóstico da celulite é dividido em graus:[11]

  • grau 0: Sem ondulações ou irregularidades na pele ao ficar de pé ou deitado. Ao pinçar a região surgem as ondulações, mas sem covinhas ou depressões;
  • grau 1: Sem ondulações e irregularidades na pele ao ficar de pé ou deitado. Ao pinçar a região surgem as ondulações e também covinhas e depressões;
  • grau 2: Ondulações, rugosidades, depressões e covas espontaneamente se fica de pé, mas não deitada;
  • grau 3: Ondulações, rugosidades e covinhas estão presentes mesmo deitado.

Em 2009 uma nova escala foi proposta em artigo publicado no Jornal da Academia Europeia de Dermatologia e Venereologia[12] e reconhecida pela Sociedade Brasileira de Dermatologia[13]. Essa nova classificação avalia a celulite de forma mais objetiva a partir de suas principais características clínicas, sendo elas:

  • Número e profundidade de depressões;
  • Aspecto das áreas elevadas da celulite;
  • Presença de lesões elevadas;
  • Presença de flacidez;
  • Graus da antiga classificação

Cada um dos itens acima recebe uma pontuação de zero a três. A soma total dos pontos vai mostrar se a celulite é:

  • Leve (1 a 5 pontos);
  • Moderada (6 a 10 pontos);
  • Grave (11 a 15 pontos).

Utilizando essa escala é possível levar em consideração os detalhes clínicos mais relevantes para cada paciente e de acordo com a nota de cada característica determinar o tratamento mais eficaz.

TratamentoEditar

FarmacológicosEditar

O mercado de produtos voltados à estética faz circular bilhões de dólares todos os anos, e a celulite não poderia deixar de ser alvo do interesse desse mercado. Nesse nicho de mercado, diversas formas de tratamento são propagandeadas como eficazes para a celulite; mas em verdade, muito poucas apresentam resultados cientificamente aceitáveis.[1] Por outro lado, o mercado é permeado por propagandas de novas técnicas, que, via de regra, não passam de charlatanismo. Médicos inescrupulosos indicam doloridas injeções milagrosas de aplicação no local da celulite. O que ocorre é uma inflamação temporária da derme, causando inchaço do local que perdura por poucos dias. Este inchaço estica a pele e pode causar a falsa aparência de cura para a celulite.

Cremes prometendo erradicação da celulite em curtos intervalos de tempo existem em grande quantidades e uma pesquisa publicada no European Journal of Dermatology revisou os 32 cremes anticelulite mais difundidos no mercado mundial. Nos produtos testados, notoriamente ao estilo roleta russa, mais de 263 ingredientes diferentes foram encontrados em cremes possuindo até 31 ingredientes altamente tóxicos. Em cerca de 1/4 dos cremes havia produtos que poderiam causar reações alérgicas graves o suficiente para deixarem sequelas permanentes em quem a eles fosse alérgico.[1]

Entre os fabricantes de cremes anticelulite e similares os seguintes ingredientes são usualmente considerados detentores de poderes "mágicos": cafeína, tretinoína, dimetilaminoetanol, retinol e aminofilina. Nenhuma das substâncias têm a ação prometida, contudo. A que aproxima-se de fornecer algum resultado perceptível é a tretinoína, que estimula a circulação de sangue na derme, aumentando a produção de colágeno e o espessamento da epiderme, mas eleva de sobremaneira a pressão arterial causando efeitos colaterais de alto risco, principalmente em pessoas a partir dos 35 anos de idade. Com a utilização desse elemento, a epiderme mais grossa mascara a celulite. A substância não age assim sobre a celulite em si.[1][14][15]

Quanto aos cremes, os dermatologistas e pesquisadores são unânimes: nenhum vai fazer a celulite desaparecer; no máximo vão hidratar e eventualmente tornar a pele reluzente.

OutrosEditar

Existe apenas um tratamento que realmente funciona a curto prazo: a intervenção mecânica direta. A lipoaspiração consiste na remoção das regiões gordurosas responsáveis pela celulite, e extirpam, em um primeiro momento, o mal pela raiz [1]. Contudo os acompanhamentos pós-cirúrgicos têm demonstrado que as células adiposas remanescentes crescem e se reproduzem com rapidez suficiente para piorar a aparência da celulite, de tal modo que intervenção frequentemente não compensa, representando um desperdício de milhares de dólares.

Perder peso sem fortalecer as fibras colágenas também pode piorar a aparência da celulite. Fortalecer a musculatura com exercícios exclusivamente aeróbicos e dieta específica pode reduzir as celulites, mas elas voltam poucas semanas depois da interrupção dos exercícios. Os exercícios anaeróbicos, como musculação ou qualquer exercício com pesos melhoram o quadro da celulite.[16] Não existem exercícios eficientes para queimar gordura localizada. mesmo os exercícios aeróbicos consomem a gordura de acordo com a ordem em que foram depositadas, assim quanto mais antiga uma gordura, mais difícil de remover. O ganho de peso e massa muscular faz as celulites menos visíveis de médio a longo prazo.[16]

Tomar sol pode fazer as celulites ainda mais visíveis, enquanto alguns produtos de bronzeamento sem sol podem camuflar temporariamente se a coloração normal da pele é muito clara.

Segundo a professora Dra. Lisa M. Donofrio, dermatologista na Universidade de Yale, pesquisadora e especialista sobre o tema, talvez o melhor tratamento para celulite seja mesmo o psicológico: o de se entender que a celulite é natural e o de aprender a enxergá-la assim.[1].

Referências

  1. a b c d e f g h i Kruszelnicki, Karl - Grandes Mitos da Ciência - Editora Fundamento - São Paulo, SP - 2013. ISBN 978-85-395-0164-9
  2. http://www.huffingtonpost.com/entry/myths-about-cellulite_us_559e90b2e4b05b1d028fca2a
  3. Vary, JC; O'Connor, KM (May 2014). "Common Dermatologic Conditions". Medical Clinics of North America. 98 (3): 445–85. doi:10.1016/j.mcna.2014.01.005. PMID 24758956.
  4. Avram, Mathew M (2004). "Cellulite: A review of its physiology and treatment". Journal of Cosmetic and Laser Therapy. 6 (4): 181–5. PMID 16020201. doi:10.1080/14764170410003057.
  5. Wanner, Molly; Avram, Mat. «FAT AND CELLULITE REDUCTION: GENERAL PRINCIPLES». Cambridge: Cambridge University Press: 309–312. ISBN 978-0-511-67483-9 
  6. Quatresooz, P.; Xhauflaire-Uhoda, E.; Pierard-Franchimont, C.; Pierard, G. E. (2006-06). «Cellulite histopathology and related mechanobiology». International Journal of Cosmetic Science. 28 (3): 207–210. ISSN 0142-5463. doi:10.1111/j.1467-2494.2006.00331.x  Verifique data em: |data= (ajuda)
  7. Alster, Tina S.; Tehrani, Mahsa (2006). «Treatment of Cellulite with optical devices: An overview with practical considerations». Lasers in Surgery and Medicine. 38 (8): 727–730. ISSN 0196-8092. doi:10.1002/lsm.20411 
  8. Callaghan, T.; Wilhelm, K. P. (2006-06). «An examination of non-invasive imaging techniques in he analysis and review of cellulite». International Journal of Cosmetic Science. 28 (3): 231–231. ISSN 0142-5463. doi:10.1111/j.1467-2494.2006.00314_1.x  Verifique data em: |data= (ajuda)
  9. Avram, Alison Sharpe; Avram, Mathew M.; James, William D. (2005-10). «Subcutaneous fat in normal and diseased states». Journal of the American Academy of Dermatology. 53 (4): 671–683. ISSN 0190-9622. doi:10.1016/j.jaad.2005.05.015  Verifique data em: |data= (ajuda)
  10. «o que causa celulite». 9 de março de 2015. Consultado em 9 de abril de 2015 
  11. Celulite. Portal Banco de Saúde. Tudo sobre celulite: Guia Completo
  12. Hexsel, D. M.; Dal'forno, T.; Hexsel, C. L. (2009-05). «A validated photonumeric cellulite severity scale». Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology: JEADV. 23 (5): 523–528. ISSN 1468-3083. PMID 19220646. doi:10.1111/j.1468-3083.2009.03101.x  Verifique data em: |data= (ajuda)
  13. «Celulite - Sociedade Brasileira de Dermatologia». www.sbd.org.br. Consultado em 16 de junho de 2020 
  14. Piérard-Franchimont, Claudine et al. A randomized, placebo-controlled trial of topical retinol in the treatment of cellulite - Amrerican Journal of Clinical Dermatology - p. 369-374 - nov-dez de 2000.
  15. Sainio, Eva-Lisa et. al. - Ingredients and safety of cellulite creams, European Journal of Dermatology, p. 596 a 603, dez. de 2000.
  16. a b Draelos, Zoe Diana (1 de dezembro de 2005). «The disease of cellulite». Journal of Cosmetic Dermatology (em inglês). 4 (4): 221–222. ISSN 1473-2165. doi:10.1111/j.1473-2165.2005.00194.x