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Claudino Silva

Claudino José da Silva nasceu em Natividade de Carangola, atual município de Natividade (RJ), no dia 23 de julho de 1902, filho dos camponeses Querino José Alfredo e Maximiana Maria da Glória.

Órfão em 1918, transferiu-se para Niterói, então capital do estado do Rio de Janeiro, onde trabalhou como carpinteiro e integrou, ainda como aprendiz de operário, a diretoria do Centro dos Carpinas e Classes Anexas de Mar e Terra. Em 1928 ingressou na Liga Operária de Construção Civil de Niterói e filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro, então Partido Comunista do Brasil (PCB), participando do núcleo do partido atuante dentro da liga, da qual se elegeu primeiro-secretário.

Foi dirigente do comitê zonal do PCB em Niterói e em 1929 ingressou na Estrada de Ferro Leopoldina, participando das lutas travadas pela categoria. Em 1931 deixou a Leopoldina, sendo escolhido delegado da Conferência Geral dos Trabalhadores do Brasil ao Congresso da União dos Trabalhadores de Pernambuco, realizado em Recife. Aí foi preso por participar de reuniões sindicais. Libertado, mudou-se para João Pessoa, continuando a atuar no PCB. Foi preso várias vezes, deportado para Recife, e depois para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, onde chegou gravemente enfermo, sendo hospitalizado. Restabelecido, foi designado pelo partido para atuar em Juiz de Fora (MG). Daí transferiu-se para Belo Horizonte, tendo dirigido e orientado todo o trabalho do PCB até março de 1936.

Nesse mesmo ano foi novamente preso e remetido para o Distrito Federal, onde passou pela Casa de Detenção e pelo presídio da ilha Grande. Em liberdade, voltou para Minas Gerais a fim de dar continuidade a seu trabalho político. Detido outra vez, esteve preso por oito meses, após o que voltou a Niterói e às atividades do PCB. Em janeiro de 1940 foi preso mais uma vez e condenado à pena de dois anos. Libertado, elegeu-se em 1943 membro do diretório nacional do PCB durante o encontro do partido que ficou conhecido como Conferência da Mantiqueira, ficando responsável pelos trabalhos da agremiação em todo o Norte do país.

Com a desagregação do Estado Novo (1937-1945) e a legalização do PCB, tornou-se membro do comitê central do partido. Em dezembro de 1945, foi o único representante negro eleito à Assembléia Nacional Constituinte, assumindo sua cadeira em fevereiro do ano seguinte. Claudino Silva foi signatário de 14 dos 15 itens do Programa Mínimo de União Nacional, apresentado pelo PCB à Assembléia Constituinte. Entre as propostas do documento estavam medidas de proteção aos pequenos fazendeiros e industriais, a unificação da Justiça, a ampliação do direito de voto aos analfabetos, soldados e marinheiros, a proibição do trabalho de menores, o estabelecimento do estado de sítio apenas em caso de agressão estrangeira e a autonomia do Distrito Federal. Único parlamentar negro dentre os constituintes, Silva apoiou a emenda do deputado Hamilton Nogueira, da União Democrática Nacional (UDN) do Distrito Federal, que estabelecia a igualdade de todos perante a lei, “sem distinção de raça” e que previa a punição da prática de racismo. Foi também favorável à reforma agrária e ao fim das polícias políticas criadas pelo Estado Novo.

Após a promulgação da nova Carta, em setembro de 1946, passou a exercer o mandato ordinário. Eleito secretário político do comitê executivo do PCB no Rio de Janeiro, permaneceu na Câmara Federal até janeiro de 1948, quando teve o mandato cassado em decorrência da suspensão do registro de seu partido, ocorrida no ano anterior.

Claudino José da Silva faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 12 de fevereiro de 1985.

Claudino Silva
Nascimento 23 de julho de 1902
Natividade
Morte 12 de fevereiro de 1985 (82 anos)
Rio de Janeiro
Cidadania Brasil
Ocupação político

Referências

FONTES: BRAGA, S. Quem foi quem; CÂM. DEP. Bancada; CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Deputados brasileiros. Repertório (1946-1967); Globo (13/2/85); Grande encic. Delta; SILVA, G. Constituinte; TRIB. SUP. ELEIT. Dados (1).

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