Cococi

Distrito de Parambu
Cococi
  Distrito de Parambu,  Ceará  
Localização
História
Emancipação política 17 de outubro de 1957 (63 anos)
Extinção 14 de dezembro de 1965 (55 anos)
Fundador Francisco Alves Feitosa

Cococi é um distrito do município de Parambu, na região do Sertão dos Inhamuns, estado do Ceará.[1]

Informações geraisEditar

Uma cidade fantasma. Nela, a única rua do distrito que corta as ruínas de um período áureo, quando foi município independente pelo período de oito anos.[2]

Toda essa atmosfera atrai muitos fotógrafos, jornalistas e cineastas, tanto que Cococi participou do projeto Mandacaru (time-lapse) e foi uma das locações do filme Lua Cambará (2002), com Dira Paes e Chico Díaz, baseado no conto de mesmo nome Ronaldo Correia de Brito e Assis Lima.[2]

Mas, apesar do “aparente” abandono, a cidade ainda guarda suas surpresas. Como a cultura do vaqueiro, praticada pelos homens das duas famílias que saem sertão a fora para cuidar do gado, e dos vaqueiros que pra lá viajam a cavalo para a festa da padroeira.[2]

A igreja é o único imóvel preservado de Cococi. De 29 de novembro a 8 de dezembro, o Distrito recebe cerca de 300 pessoas por dia que vem participar das novenas dedicadas a Nossa Senhora da Conceição.[3]

De enorme importância para a história da região dos Inhamuns, foi neste lugar que vieram os primeiros habitantes para esta área do sertão cearense.[4] Começou a entrar em declínio devido as estiagens,[5] e escândalos de corrupção que fizeram os habitantes se mudarem.[6]

PopulaçãoEditar

Em 1960, o então município possuía 4 064 habitantes, com 2 181 pessoas morando na área urbana e 1 883 na área rural. Em 1970, já distrito de Parambu, contabilizava 4 163, quase todos habitando a área urbano do distrito, com 4 106 moradores neste espaço. Em 1982, o IBGE contabilizou apenas 39 habitantes em todas as áreas do distrito. Em 2012, 7 pessoas viviam em todo o distrito.[7]

HistóriaEditar

FundaçãoEditar

Cococi (distrito de Parambu) fica distante 40 km da sede do município e cerca de 450 km da capital Fortaleza. Nasceu dentro de uma enorme fazenda familiar, obtida pelo sistema de sesmaria. A obtenção de grandes latifúndios pelo regime de sesmarias na região dos Inhamuns, foi iniciada por membros da família Feitosa, que ocuparam a barra do Rio Jucá. A distribuição de sesmarias, visava tornar a terra produtiva, o povoamento e o desenvolvimento do lugar, e o dono da sesmaria deveria ter recursos suficientes para atrair colonos e promover esse povoamento. O proprietário utilizava a terra para criação de gado, ao tempo que providenciava a abertura de caminhos entre a nova fazenda, outros povoados e a fontes de água. Aos colonos que chegavam em busca de trabalho e pouso, eram oferecidos um lote de terreno e alguns insumos para que os mesmos se estabelecessem. Alguns historiadores dizem que a prática de doar terrenos aos colonos era ilegal e contrariava as normas de concessão da Sesmaria.[3]

Segundo os historiadores, os coronéis Francisco Alves Feitosa e Lourenço Alves Feitosa chegaram ao Sertão dos Inhamuns por volta de 1710 e ali estruturam a maior comunidade rural da Capitania do Ceará. O comissário Lourenço Alves Feitosa chegou a ter 22 sesmarias e com o seu irmão Francisco Alves Feitosa dominaram uma área de aproximadamente 30.000 quilômetros quadrados.

E foi nesse contexto que surgiu o povoado, mais tarde Vila de Cococi, fundada no início do século XVIII pelo citado Francisco Alves Feitosa, o primeiro coronel da família, transformando-se no reduto maior, marco principal do Império dos Feitosas, a mais poderosa oligarquia da história da colonização cearense.

Emancipação políticaEditar

Pela lei estadual nº 3858, de 17 de outubro de 1957 foi elevado à categoria de município.[8]

A única igreja do local, iniciada em 1740 e concluída oito anos depois, ainda sedia a Festa da Padroeira do antigo município, Nossa Senhora da Conceição, em dezembro.[4]

Extinção da cidadeEditar

Pela lei estadual nº 8339 de 14 de dezembro de 1965, Cococi voltou a ser distrito do município de Parambu.

A cidade de Cococi possuiu apenas dois prefeitos, o Major Feitosa e Leandro Custódio, da mesma família.[9] A história contada por populares narra que o Major Feitosa no seu segundo mandato (o terceiro e último do Município), ao receber verbas para investimentos no lugar, teria utilizado indevidamente o dinheiro para a compra de gado.[9] O fato repercutiu no estado e a Ditadura Militar decidiu extinguir o município, rebaixando-o à categoria de distrito.[10]

Revoltados com a decisão da capital, a família Feitosa e seus moradores abandonaram a cidade.[9]

Referências

  1. «Distrito de Cococi.». geografos. Consultado em 3 de maio de 2016 
  2. a b c «Cococi: habitada por pouco, conhecida por muitos - Vós». Vós. 14 de novembro de 2016 
  3. a b Garcia, Postado por Fátima. «Cococi - A Cidade Fantasma do Sertão do Ceará» 
  4. a b Maurício Vieira (20 de outubro de 2007). «Cococi relembra colonização dos Inhamuns». Diário do Nordeste. Consultado em 3 de maio de 2016 
  5. André Teixeira (2 de janeiro de 2012). «Apenas sete habitantes vivem em 'cidade fantasma' do sertão do Ceará». G1. Consultado em 3 de maio de 2016 
  6. «Conheça a cidade fantasma do sertão do Ceará que abriga apenas cinco habitantes». R7. Consultado em 3 de maio de 2016 
  7. «Povoações abandonadas no Brasil, livro de autoria de Nestor Razente». Google Books. 2016. Consultado em 18 de outubro de 2020 
  8. «História de Parambu». 12 de março de 2016 
  9. a b c «COCOCI: uma Cidade Fantasma no Interior do Ceará» (PDF). 8 de dezembro de 2010. Consultado em 13 de maio de 2020 
  10. «Cococi: uma cidade fantasma na caatinga cearense». 15 de fevereiro de 2015