Cognitivismo social

Cognitivismo social usado em psicologia, educação e comunicação, sustenta que partes da aquisição de conhecimento de um indivíduo podem estar diretamente relacionadas a observação de outras pessoas dentro do contexto de interações sociais, experiências e influências externas da mídia. Esta teoria foi desenvolvida por Albert Bandura como uma extensão de sua teoria da aprendizagem social. A teoria afirma que quando as pessoas observam um modelo executando um comportamento e as conseqüências desse comportamento, elas se lembram da sequência de eventos e usam essas informações para orientar seus comportamentos subsequentes. Observar um modelo também pode levar o espectador a se envolver em comportamentos que já aprenderam.[1][2]

HistóriaEditar

As raízes conceituais da teoria cognitiva social vêm do livro de 1931 de Edard e Harold Chapman Brown, que teorizam que toda ação animal é baseada no preenchimento das necessidades psicológicas de "sentimento, emoção e desejo". O componente mais notável dessa teoria é que ela previu que uma pessoa não pode aprender a imitar até que seja imitada.[3]

Em 1941, Neal E. Miller e John Dollard apresentaram seu livro com uma revisão da teoria social de aprendizagem e imitação de Holt. Eles argumentaram que quatro fatores contribuem para a aprendizagem: impulsos, sugestões, respostas e recompensas. Um motivador é a motivação social, que inclui imitatividade, o processo de combinar um ato com uma sugestão apropriada de onde e quando executar o ato. Um comportamento é imitado, dependendo de o modelo receber uma resposta positiva ou negativa.[4]

A proposição do aprendizado social foi ampliada e teorizada pelo psicólogo canadense Albert Bandura. Bandura, juntamente com seus alunos e colegas, realizou uma série de estudos, conhecidos como o "experimento do boneco Bobo", em 1961 e 1963 para descobrir porquê e quando as crianças exibem comportamentos agressivos. Esses estudos demonstraram o valor do modelo para adquirir novos comportamentos. Esses estudos ajudaram Bandura a publicar seu artigo e livro seminal em 1977, que expandiu a ideia de como o comportamento é adquirido e, portanto, construído a partir das pesquisas de Miller e Dollard.[5] No artigo de 1977 de Bandura, ele afirmou que a Teoria do Aprendizado Social mostra uma correlação direta entre a auto-eficácia percebida e a mudança comportamental de uma pessoa. A autoeficácia vem de quatro fontes: "realizações de desempenho, experiência vicária, persuasão verbal e estados fisiológicos".[6]

Em 1986, Bandura publicou seu segundo livro, que expandiu e renomeou sua teoria original. Ele chamou a nova teoria de "teoria cognitiva social". Bandura mudou o nome para enfatizar o papel principal que a cognição desempenha na codificação e na execução de comportamentos. Neste livro, Bandura argumentou que o comportamento humano é causado por influências pessoais, comportamentais e ambientais.[1]

Em 2001, Bandura trouxe a teoria para a comunicação de massa em seu artigo de jornal que afirmava que a teoria poderia ser usada para analisar como "a comunicação simbólica influencia o pensamento humano, o afeto e a ação". A teoria mostra como o novo comportamento se difunde através da sociedade por fatores psicossociais que governam a aquisição e a adoção do comportamento.[7]

Em 2011, Bandura publicou um capítulo de livro - "O Impacto Social e Político da Teoria Cognitiva Social" - para estender a aplicação da teoria na promoção da saúde e urgência [s], que fornece uma visão sobre como lidar com problemas globais através de uma macro-social, visando melhorar a igualdade de vidas dos indivíduos sob os guarda-chuvas da teoria.[8]

A teoria do cognitivismo social tem sido aplicada em muitas áreas do funcionamento humano, como a escolha de carreira e o comportamento organizacional[9] bem como na compreensão da motivação, aprendizagem e realização em sala de aula.

Referências

  1. a b Bandura, A., Social foundations of thought and action : a social cognitive theory. 1986, Englewood Cliffs, N.J.: Prentice-Hall.
  2. Bandura, A. (2008). Social cognitive theory of mass communication. In J. Bryant & M. B. Oliver (Eds.), Media Effects: Advances in Theory and Research (pp. 94-124). New York, NY: Routledge.
  3. Holt, E.B. & H.C. Brown (1931). Animal drive and the learning process, an essay toward radical empiricism. New York: H. Holt and Co. 
  4. Miller, N.E.; J. Dollard & R. Yale University (1941). Institute of Human, Social learning and imitation. New Haven; London: Pub. for the Institute of human relations by Yale university press; H. Milford, Oxford University Press 
  5. Evans, R.I. & A. Bandura (1989). Albert Bandura, the man and his ideas—a dialogue. New York: Praeger 
  6. Bandura, A (1977). «Self-efficacy: Toward a Unifying Theory of Behavioral Change» (PDF). Psychological Review. 84 (2): 191–215. PMID 847061. doi:10.1037/0033-295x.84.2.191 
  7. Bandura, A. (2001). «Social Cognitive Theory of Mass Communication» (PDF). Media Psychology. 3 (3): 265–299. CiteSeerX 10.1.1.200.9808 . doi:10.1207/S1532785XMEP0303_03  Parâmetro desconhecido |citeseerx= ignorado (ajuda)
  8. Bandura, A. (2011). The Social and Policy Impact of Social Cognitive Theory. In M. Mark, S. Donaldson, & B. Campbell (Eds.), Social Psychology and Evaluation. (pp. 33-70). New York, NY:Guilford Press.
  9. Lent, Robert; Steven D. Brown; Gail Hackett (August 1994). «Toward a Unifying Social Cognitive Theory of Career and Academic Interest, Choice, and Performance». Journal of Vocational Behavior. 45 (1): 79–122. doi:10.1006/jvbe.1994.1027  Verifique data em: |data= (ajuda)