Cracídeos

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Cracídeos[1] (Cracidae) é uma família da ordem Craciformes que inclui as aves conhecidas popularmente no Brasil como mutum (gêneros Crax, Mitu e Oreophasis), jacu (gêneros Penelope e Pipile) e aracuã (gênero Ortalis). O grupo habita, sobretudo, as zonas tropicais e subtropicais da América do Sul, América Central e América do Norte até ao México; a espécie Ortalis vetula, no entanto, chega a incluir, em sua área de distribuição, o estado americano do Texas. Mutum (do tupi mi'tu[2]) é a designação comum às aves galiformes da família dos cracídeos, florestais, dos gêneros Crax e Mitu, sendo várias espécies dessas aves ameaçadas de extinção. Tais animais possuem uma plumagem geralmente negra, com topete com penas encrespadas ou lisas e bico com cores vivas.

Como ler uma infocaixa de taxonomiaCracídeos
Mutum-de-fava (Crax globulosa)
Mutum-de-fava (Crax globulosa)
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Galliformes
Família: Cracidae
Vigors, 1825
Géneros
Ver texto.
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Assemelham-se morfologicamente aos seus parentes distantes, os faisões e perdizes europeias e asiáticas (pertencendo, tal como estes, à ordem dos Galliformes), diferindo deles, no entanto, pelo fato de preferirem habitat florestais aos campestres, nidificarem em árvores, e não no chão, e terem uma alimentação mais frugívora do que granívora. Segundo a classificação de Sibley & Monroe, os cracídeos estariam estreitamente aparentados aos megapodídeos da Oceania e Sul da Ásia, formando com eles uma ordem separada, a dos Craciformes; diferentemente dos seus parentes próximos, no entanto, não possuem a prática da incubação em montes de terra e material orgânico decomposto.

Todas são espécies cinegéticas e algumas em vias de extinção.

ClassificaçãoEditar

A classificação da família Cracidae sofreu algumas mudanças, tanto devido à proposta de uma ordem própria, a Craciformes (Taxonomia de Sibley-Ahlquist), juntamente com a família Megapodiidae, como pelas propostas de subdivisão, ou seja, as subfamílias. Vaurie (1968) reconhecia três divisões principais dentro da família, baseado em critérios morfológicos: tribo Penelopini, tribo Cracini e tribo Oreophasini. Delacour e Amadon (1973) considerou que o gênero Oreophasis pertencia ao grupo Penelope-Ortalis, e reconheceu apenas dois grupos: a) os mutuns, e b) o restante das espécie. Del Hoyo (1994) reconheceu duas subfamílias: Cracinae com quatro gêneros e Penelopinae, com o restante dos gêneros. Recentes estudos filogenéticos (Pereira et al., 2002; Crowe et al., 2006; e Hoeflich et al., 2007) tem sugerido que a família Cracidae se divide em dois grandes grupos: (i) Oreophasis (extralimital), Pauxi, Mitu, Nothocrax e Crax, e (ii) Chamaepetes, Penelopina (extralimital), Penelope e Pipile/Aburria. A posição do Ortalis em um ou outro grupo é controversa. Os estudos moleculares mostram relações com os mutuns: entretanto, os estudos morfológicos e comportamentais mostram correlação com os Penelopinae. Os nomes populares das espécies que ocorrem no Brasil estão padronizadas com o Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (CBRO).[3]

Subfamília Penelopinae

Subfamília Cracinae

Nomes vulgares de algumas espéciesEditar

Referências

  1. «Cracídeos». Infopédia. Consultado em 17 de abril de 2022 
  2. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.1 176
  3. Listas de Aves do Brasil do CBRO versão de 16/08/2007. Outros nomes populares podem ser encontrados nos verbetes específicos das espécies
  4. Grau et al., (2005) demonstraram que o gênero Pipile é sinônimo do Aburria por estudo molecular, osteológico e biogeográfico.
  5. Em algumas classificações reprenta uma subfamília própria, a Oreophasinae.
  6. Pode vir a constituir uma subfamília própria, ainda não nominada, visto que o nome Ortalinae, já está em uso.

BibliografiaEditar

  • CROWE, T.M., BOWIE, R.C.K., BLOOMER, P., MANDIWANA, T., HEDDERSON, T., RANDI, E., PEREIRA, S.L., & WAKELING, J. (2006). Phylogenetics and biogeography of, and character evolution in gamebirds (Aves: Galliformes): effects of character exclusion, partitioning and missing data. Cladistics 22: 495-532. [1]
  • FRANK-HOEFLICH, K., SILVEIRA, L.F., ESTUDILLO-LOPEZ, J., GARCIA-KOCH. A.M., ONGAY-LARIOS, L. & PINERO, D. 2007. Increased taxon and character sampling reveals novel intergeneric relationships in the Cracidae (Aves: Galliformes). J. Zool. Syst. Evol. Res. [2]
  • GRAU, E. T., S. L. PEREIRA, L. F. SILVEIRA, E. HÖFLING, AND A. WAJNTAL. 2005. Molecular phylogenetics and biogeography of Neotropical piping guans (Aves: Galliformes): Pipile Bonaparte, 1856 is synonym of Aburria Reichenbach, 1853. Molecular Phylogenetics & Evolution 35: 637-645. [3]
  • PEREIRA, S.L., BAKER, A.J.& WAJNTAL, A. (2002). Combined nuclear and mitochondrial DNA sequences resolve generic relationships within the Cracidae (Galliformes, Aves). Systematic Biology 51(6): 946-958. [4]
  • PEREIRA, S.L. & BAKER, A.J. (2004). Vicariant speciation of curassows (Aves, Cracidae): a hypothesis based on mitochondrial DNA phylogeny. The Auk 121: 682-694. [5][ligação inativa]
  • Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (CBRO) - Lista de Aves do Brasil - versão 16 de agosto de 2007
  • Josep del Hoyo, Andrew Elliott, Jordi Sargatal, José Cabot (eds.) (1994). Handbook of the birds of the world (Volume 2, New World Vultures to Guineafowl) (em inglês). Barcelona: Lynx Edicions. ISBN 978-84-87334-15-3. Consultado em 7 de agosto de 2015 

Ligações externasEditar

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