Dia Internacional da Mulher Indígena

O Dia Internacional da Mulher Indígena é celebrado, anualmente, no dia 5 de setembro como um marco de apoio à luta das mulheres indígenas por justiça social e em defesa dos direitos individuais e coletivos de seus povos.[1][2] A data homenageia a liderança Bartolina Sisa, símbolo das resistências indígena e camponesa na história colonial da América do Sul.[3][4][5] De acordo com a ONU Mulheres, a data reconhece a continuidade do protagonismo histórico das mulheres indígenas desempenhado tanto no passado, quanto no tempo presente, como agentes de transformação social em suas famílias e comunidades, bem como guardiãs dos modos de vida nativos da América.[6][7][8]

Dia Internacional da Mulher Indígena
Tipo Internacional
Data 5 de Setembro
Tradições Relembra as lutas por direitos originários e de resistência anticolonial das mulheres indígenas

A data foi declarada no ano de 1983 em um encontro de movimentos sociais. O posterior reconhecimento da data foi consequencia direta da atuação diplomática das mulheres indígenas nos órgãos internacionais de direitos humanos a partir da década de 1990.[9]

O marco é na mesma data do Dia da Amazônia.[10]

HistóriaEditar

O Dia Internacional da Mulher Indígena foi instituído no ano de 1983, durante o II Encontro de Organizações e Movimentos da América, em Tiauanaco, na Bolívia.[3] data foi reconhecida, posteriormente, pela ONU Mulheres.[6][7]

A data foi escolhida em memória à figura histórica de Bartolina Sisa, mulher aimará que foi executada em 5 de setembro de 1782 durante a rebelião indígena anticolonial de Túpac Katari. Bartolina se destacou pela valentia frente às tropas espanholas que tentavam invadir o território dos povos originários do Alto Peru, hoje região de La Paz, na Bolívia.[1][2][4][5]

SignificadosEditar

A data têm como objetivo homenagear as mulheres indígenas do passado, mas também enfatizar as lutas de resistencia na atualidade.[6][7]

No Brasil do século XXI, por exemplo, a realidade dos povos indígenas é permeada de violências físicas e simbólicas: de retrocessos nas políticas de demarcação de terras e impactos psicológicos do apagamento de suas culturas, saberes e tradições. Sendo que, no caso das mulheres, estas violências são potencializadas.[11][12]

No caso do Chile, estudiosas revelaram uma tensão existente entre a política do reconhecimento do papel da mulheres indígenas, expresso na integração da data comemorativa no calendário oficial, e a negação sistêmica de suas tradições ancestrais e falta de garantia de seus direitos.[13]

Referências

  1. a b Guajajara, Eliane. «Dia Internacional da Mulher Indígena». Portal Institucional do Senado Federal. Consultado em 9 de setembro de 2021 
  2. a b «05 de Setembro – Dia Internacional da Mulher Indígena | Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania | Prefeitura da Cidade de São Paulo». www.prefeitura.sp.gov.br. Consultado em 9 de setembro de 2021 
  3. a b José, Marta (5 de setembro de 2021). «Dia Internacional da Mulher Indígena – Secretaria da Justiça e Cidadania». Secretaria da Cidadania e da Justiça de São Paulo. Consultado em 9 de setembro de 2021 
  4. a b «Dia Internacional da Mulher Indígena é lembrado pela morte da aymara Bartolina Sisa». Portal Amazônia. Consultado em 9 de setembro de 2021 
  5. a b «Hoje é Dia: semana traz Independência e 20 anos do 11 de Setembro». Agência Brasil. 5 de setembro de 2021. Consultado em 9 de setembro de 2021 
  6. a b c «ONU Mulheres apoia o Dia Internacional da Mulher Indígena». As Nações Unidas no Brasil. 6 de setembro de 2012. Consultado em 9 de setembro de 2021 
  7. a b c Cardoso, Bia (5 de setembro de 2013). «Dia Internacional da Mulher Indígena». Geledés. Consultado em 9 de setembro de 2021 
  8. Tupinambá, Potyra Te. Live MOC - Dia Internacional da Mulher Indígena, consultado em 9 de setembro de 2021 
  9. Chavarro, N. N. C., & Robles, G. A. A. (2021). Cumbres indígenas: Política y diplomacia ancestral en América Latina. Novum Jus, 15(1), 133-160.
  10. «Mulheres indígenas atuam em rede pela valorização de saberes ancestrais e pelos biomas brasileiros». As Nações Unidas no Brasil. Consultado em 9 de setembro de 2021 
  11. «5 de setembro - Dia Internacional da Mulher Indígena». Conselho Regional de Psicologia de São Paulo. Consultado em 9 de setembro de 2021 
  12. Modino, Luis Miguel (8 de setembro de 2020). «Dia Internacional da Mulher Indígena: momento de lutar para "poder expressar aquilo que sentem"». Instituto Humanitas Unisinos. Consultado em 9 de setembro de 2021 
  13. Ochoa, Gloria, et al. "Colonialidad de género y políticas públicas." Revista Chilena de Antropología 38 (2018): 384-397.