Catolicidade: diferenças entre revisões

284 bytes adicionados ,  16h22min de 24 de dezembro de 2010
Fiz ligações internas.
m (Revertidas edições por 187.89.167.204, para a última versão por Mschlindwein)
(Fiz ligações internas.)
{{cristianismo}}
 
'''Catolicismo''' (do [[Língua grega|grego]] ''καθολικος'', [[Transliteração|translit.]]: ''katholikos''; com o significado de "geral" ou "universal") é um termo amplo para o [[Igreja Católica|corpo da fé católica]], a sua [[teologia]], [[doutrina]]s, [[liturgia]], príncipios [[Ética|éticos]], e características comportamentais, bem como um povo religioso como um todo.<ref name="McBrien">{{cite book|last=McBrien|first=Richard P.|title=Catholicism|publisher=HarperCollins|date=1994|pages=3–19|isbn=9780060654054}}</ref> O [[termo]]'' catolicismo'' é "''usado geralmente para uma experiência específica do cristianismo compartilhada por cristãos que vivem em comunhão com a [[Igreja de Roma]].''" <ref name="Rausch">{{cite book|last=Rausch|first=Thomas P.|coauthors=Catherine E. Clifford|title=Catholicism in the Third Millennium|publisher=Liturgical Press|date=2003|isbn=9780814658994}}, xii.</ref> Muitos dos principais [[credo]]s (definições de [[]] semelhantes a preces[[prece]]s) cristãos, nomeadamente o [[Credo dos Apóstolos]] e o [[Credo Niceno]], utilizam este termo.
 
No seu sentido mais estreito, o termo é usado para referir-se à [[Igreja Católica Romana]], formada por 23 [[Igreja católica sui juris|igrejas ''sui iuris'']] que estão em comunhão total com o [[Papa]], e possui mais de um bilhão de fiéis <ref>O ''Annuarium Statisticum Ecclesiae'' (ISBN 978-88-209-7928-7) indica 1&nbsp;114&nbsp;966&nbsp;000 como número total dos fiéis registrados no último dia de 2005.</ref> (ou seja, mais de um sexto da população mundial <ref name="Zenit">{{cite web | last = | first = | authorlink = | coauthors = | title =Number of Catholics and Priests Rises | work = | publisher =Zenit News Agency | date =2007-02-12 | url =http://www.zenit.org/article-18894?l=english | format = | doi = | accessdate =2008-02-21 }}</ref> e mais da metade de todos os cristãos <ref name='Britannica'>{{cite book | author= Marty, Martin E., Chadwick, Henry, Pelikan, Jaroslav Jan |title="Christianity" in the Encyclopædia Britannica Millennium Edition |publisher=Encyclopædia Britannica Inc. |year=2000|quote=The Roman Catholics in the world outnumber all other Christians combined. }}</ref>). As suas características distintivas são a aceitação da autoridade e [[primado]] do [[Papa]], o [[Bispo]] de [[Roma]]. No entanto, outras igrejas também afirmam ser "católicas", como a [[Igreja Ortodoxa|ortodoxa]], e as [[igrejas não-calcedonianas]], a [[Igreja Assíria do Oriente]], a [[Velha Igreja Católica]] e as igrejas da [[Comunhão Anglicana]]. <ref>Gros, Jeffrey; Eamon McManus, Ann Riggs (1998). ''Introduction to Ecumenism.'' Paulist Press. pp. 154–155. ISBN 978-0-8091-3794-7.</ref>
 
== História do catolicismo ==
A palavra ''Igreja Católica'' ou ''catolicismo'' para referir-se à [[Igreja Universal]] é utilizada desde o [[século I]], alguns historiadores[[historiador]]es sugerem que os próprios [[apóstolo]]s poderiam ter utilizado o termo para descrever a Igreja. <ref name="Ray"/> Registros escritos da utilização do termo constam nas cartas de [[Inácio de Antioquia|Inácio]],<ref>{{cite web| last =Woodhead| first =Linda| title =An Introduction to Christianity| publisher =Cambridge University Press| date =2004| url =http://books.google.com/books?id=EsctaP__5yQC&pg=PA34&dq=ignatious+where+the+bishop+is+there+is+the+catholic+church&lr=| dateformat=dmy|accessdate=18 Nov 2008}}</ref> [[Patriarca de Antioquia|Bispo de Antioquia]], discípulo do [[apóstolo João]], que provavelmente foi ordenado pelo próprio [[São Pedro|Pedro]].<ref name="Ray">RAY, Stephen. Upon this Rock. San Francisco, CA: Ignatius Press, 1999. p.119.</ref>
 
Em diversas situações nos primeiros três séculos do [[cristianismo]], o Bispo de Roma,<ref> As primeiras listas de papas diziam que o segundo papa após Pedro, foi [[São Lino]]. Eamon Duffy, ''Saints and Sinners: A History of the Popes'' (Yale Nota Bene, 2002) Apêndice A.</ref> considerado sucessor do [[Apóstolo Pedro]], interveio em outras comunidades para ajudar a resolver conflitos,<ref name="The Primacy of Peter">Fr. Nicholas Afanassieff: ''"The Primacy of Peter"'' Ch. 4, pgs. 126-127 (c. 1992)</ref> tais como fizeram o [[Papa Clemente I]], [[Papa Vítor I|Vitor I]] e [[Calixto I]]. Nos três primeiros séculos a Igreja foi organizada sob três [[patriarca]]s, os bispos de [[Antioquia]], de [[jurisdição]] sobre a [[Síria]] e posteriormente estendeu seu domínio sobre a [[Ásia Menor]] e a [[Grécia]], [[Alexandria]], de jurisdição sobre o [[Egito]], e [[Roma]], de jurisdição sobre o [[Ocidente]]. <ref name="New Advent">{{Citar web |url=http://www.newadvent.org/cathen/11549a.htm |título=Patriarch and Patriarchate|língua= Inglês|autor= |obra= |data= |acessodata=1-7-2010}}</ref> Posteriormente os bispos de [[Constantinopla]] e Jerusalém foram adicionados aos patriarcas por razões administrativas.<ref name="New Advent"/> O [[Primeiro Concílio de Niceia]] em [[325]], considera o Bispo de Roma como o "''primus''" (primeiro) entre os patriarcas[patriarca]]s, afirmando em seus quarto, quinto e sexto cânones[cânon]]es que está "seguindo a tradição antiquíssima" <ref>Congar, Yves. Elgisé et papauté. Les Éditions du Cerf. [[1994]]. ISBN 2-204-05090-3</ref>, embora muitos interpretem esse título como o "''[[primus inter pares]]''" (primeiro entre iguais). Considerava-se que Roma possuía uma autoridade especial devido à sua ligação com São Pedro. <ref>Radeck, Francisco; Dominic Radecki (2004). Tumultuous Times . St. Joseph's Media. p. 79. ISBN 978-0-9715061-0-7.</ref>
 
Uma série de dificuldades complexas (disputas doutrinárias, Concílios[[Concílio]]s disputados, a evolução de ritos[[rito]]s separados e se a posição do Papa de Roma era ou não de real autoridade ou apenas de respeito) levaram à divisão em [[1054]] que dividiu a Igreja entre a Igreja Católica no Ocidente e a [[Igreja Ortodoxa]] no Leste ([[Grécia]], [[Rússia]] e muitas das terras [[Eslavos|eslavas]], [[Anatólia]], [[Síria]], [[Egipto]], etc.). A esta divisão chama-se o [[Cisma do Oriente]].
 
A grande divisão seguinte da Igreja Católica ocorreu no [[século XVI]] com a [[Reforma Protestante]], durante a qual se formaram muitas das igrejas [[Protestantismo|Protestantes]].
]]
 
No cristianismo ocidental, as principais fés a se considerarem "Católicas", para além da [[Igreja Católica Romana]], são a a [[Velha Igreja Católica]], a [[Igreja Católica Liberal]], a [[Associação Patriótica Católica Chinesa]], as [[Anexo:Lista de igrejas católicas dissidentes no Brasil|Igrejas católicas brasileiras dissidentes]] e alguns elementos [[Igreja Anglicana|anglicanos]] (os "Anglicanos da Alta Igreja", ou os "[[Anglo-Catolicismo|anglo-católicos]]"). Estes grupos têm crenças e praticam rituais religiosos semelhantes aos do catolicismo romano, mas diferem substancialmente destes no que diz respeito ao [[estatuto]], poder e influência do [[Bispo de Roma]].
 
As [[Igrejas não-calcedonianas]] e [[Igreja Ortodoxa|ortodoxas]] pensam em si próprias como Igrejas Católicas no sentido de serem a [[Igreja universal]]. A Igreja Católica e as Igrejas ortodoxas acusavam-se mutuamente de cismáticas e heréticas (veja [[Grande Cisma]]), embora recentemente devido à esforços [[Ecumenismo|ecumênicos]] estas acusações e excomunhões tenham sido retiradas e tenha se chegado à uma aceitação básica das prerrogativas do papa. <ref>{{Citar web |url=http://www.veritatis.com.br/article/5121 |título=''Leitor pergunta sobre ortodoxos, protestantes, maçons e rosacruzes''" do site ''Veritatis Splendor'' |língua= |autor= |obra= |data= |acessodata=}}</ref> Os [[Patriarca]]s [[ortodoxo]]s são [[bispo|hierarcas]] [[autocefalia|autocéfalos]], o que significa, ''grosso-modo'', que cada um deles é independente da supervisão directa de outro bispo (embora ainda estejam sujeitos ao todo do seu [[sínodo]] de bispos). Não estão em comunhão plena com o Papa.
 
Mas, nem todas as [[Igrejas orientais]] estão fora da comunhão católica. Existem também os chamados [[Católicos de rito oriental]], cuja [[liturgia]] e estrutura hierárquica se assemelham à dos Ortodoxos, e que também permitem a ordenação de homens casados, mas que reconhecem o Papa Romano como chefe da sua igreja. Estes católicos orientais formam as chamadas [[Igrejas Orientais Católicas]] ''[[sui juris]]''.
{{catolicismo}}
 
A principal [[denominação religiosa|denominação]] Católica é denominada no [[idioma inglês]] e [[português]] de "Igreja Católica Romana" ou "Igreja Católica Apostólica Romana", tal nome provém das [[Quatro marcas da Igreja|quatro características da Igreja]], a Unidade, a Santidade, a Catolicidade, e a Apostolicidade<ref>[[Avery Dulles]], ''The Catholicity of the Church'', Oxford University Press, 1987, ISBN 0-19-826695-2, page 131</ref> (a Romanidade está inclusa na última). Não obstante, em seus documentos oficiais para referir-se a Igreja apenas o termo "Católica" é utilizado. O termo "catolicismo romano" tem origem recente, passou a ser usada no idioma inglês apenas no [[século XVI]] <ref>Jaroslav Pelikan, 1985, ''The Christian Tradition'' University of Chicago Press ISBN 0-226-65377-3 page 245</ref>, sendo utilizado normalmente em outros línguas a partir do [[século XIX]].
 
=== Organização e Cargos da Igreja Católica Romana ===
[[Ficheiro:St Peter's Square, Vatican City - April 2007.jpg|esquerda|thumb|Vista da [[Praça de São Pedro]] do topo da [[Basílica de São Pedro]], na [[Cidade do Vaticano]].]]
 
Estruturalmente, o catolicismo romano é uma das religiões mais centralizadas do mundo. O seu chefe, o Papa, governa-a desde a [[Cidade do Vaticano]], um estado independente no centro de Roma, também conhecido na [[diplomacia]] internacional como a [[Santa Sé]]. O Papa é seleccionado por um grupo de elite de ''Cardeais'', conhecidos como ''Príncipes da Igreja''. Só o Papa pode seleccionar e nomear todos os clérigos[[clérigo]]s da Igreja acima do nível e [[padre]]. Todos os membros da hierarquia respondem perante o Papa e a sua corte papal, chamada [[Cúria]]. Os Papas exercem o que é chamado [[Infalibilidade Papal]], isto é, o [[direito]] de definir declarações definitivas de ensinamento Católico Romano em matérias de [[]] e [[moral]]. Na realidade, desde a sua declaração no [[Concílio do Vaticano I]], em [[1870]], a infalibilidade papal só foi usada uma vez, pelo [[Papa Pio XII]], nos [[Década de 1950|anos 50]].
 
A autoridade do Papa vem da crença de que ele é o sucessor directo de [[Apóstolo Pedro|S. Pedro]] e, como tal, o ''[[Vigário de Cristo]]'' na [[Terra]]. A Igreja tem uma estrutura hierárquica de títulos que são, em ordem descendente:
* [[Papa]], o bispo de Roma e também Patriarca do Ocidente. Os que o assistem e aconselham na liderança da igreja são os [[Cardeais]];
* [[Patriarca]]s são chefes de algumas [[Rito oriental|Igrejas Católicas Orientais]] ''[[sui juris]]''. Alguns dos grandes arcebispos [[Igreja Católica de Rito Latino|Católicos Latinos]] também são chamados Patriarcas; entre estes contam-se o Arcebispo de [[Lisboa]] e o Arcebispo de [[Veneza]];
* [[Diácono]]
 
Existem ainda cargos menores: Leitor e [[Acólito]] (desde o [[Concílio Vaticano Segundo]], o cargo de sub-diácono deixou de existir). As ordens religiosas têm a sua própria hierarquia e títulos. Estes cargos tomados em conjunto constituem o [[clero]] e no rito ocidental só podem ser ocupados, normalmente, por homens solteiros. No entanto, no rito oriental, os homens casados são admitidos como padres diocesanos, mas não como bispos ou padres monásticos; e em raras ocasiões, permitiu-se que padres casados que se converteram a partir de outros grupos cristãos fossem ordenados no rito ocidental. No rito ocidental, os homens casados podem ser ordenados diáconos permanentes, mas não podem voltar a casar se a esposa morrer ou se o [[casamento]] for anulado.
 
O Papa é eleito pelo Colégio dos Cardeais de entre os próprios membros do Colégio (o processo de eleição, que tem lugar na [[Capela Sistina]], é chamado ''[[Conclave]]''). Cada Papa continua no cargo até que morra ou até que abdique (o que só aconteceu duas vezes, e nunca desde a [[Idade Média]]).
{{Artigo principal|[[Doutrina da Igreja Católica]]}}
 
A doutrina oficial da Igreja Católica é o conjunto de [[crença]]s oficiais professadas pela Igreja Católica acerca de diversos aspectos relativos a [[Deus]], ao [[homem]] e ao [[mundo]]. Segundo a Igreja, essas [[verdade]]s foram sendo [[Revelação divina|reveladas]] por Deus através dos tempos (nomeadamente ao longo do [[Antigo Testamento]]), atingindo a sua plenitude em [[Jesus Cristo]], considerado pelos [[católico]]s e [[cristão]]s como o [[Filho de Deus]], o [[Messias]] e o [[Salvador]] do mundo e da [[humanidade]]. Mas, a definição e compreensão dessa doutrina é progressiva, necessitando por isso do constante estudo e reflexão da [[Teologia católica|Teologia]], mas sempre fiel à [[Revelação]] divina e orientada pelo [[Magistério da Igreja Católica]]. A doutrina Católica está expressa e resumida no [[Credo dos Apóstolos]], no [[Credo Niceno-Constantinopolitano]] e, actualmente, no [[Catecismo da Igreja Católica]] e no seu [[Compêndio do Catecismo da Igreja Católica|Compêndio]].
 
[[Ficheiro:NotreDameDeParis.jpg|thumb|250px|Entrada principal da [[Catedral de Notre-Dame]] em [[Paris]].]]
 
Com estes estudos teológicos todos, a Igreja vai-se gradualmente instituindo os seus [[Dogmas da Igreja Católica|dogmas]], que é a base da doutrina oficial, sendo o último [[dogma]] (o da [[Assunção da Virgem Maria]]) proclamado solenemente apenas em [[1950]]. Para os católicos, um dos dogmas mais importantes é o da [[Santíssima Trindade]], que, não violando o [[monoteísmo]], professa que Deus é simultaneamente uno (porque, em essência, só existe um Deus) e trino (porque está ''pessoalizado'' em três pessoas: [[Deus, o Pai|o Pai]], [[Jesus|o Filho]] e o [[Espírito Santo]], que se estabelecem entre si uma comunhão perfeita). Estas 3 Pessoas eternas, apesar de possuírem a mesma natureza, "''são realmente distintas''". Logo, muitas vezes, certas actividades e [[atributos divinos]] são mais reconhecidas (mas não exclusivamente realizadas) em uma Pessoa do que em outra. Como por exemplo, a [[criação divina do mundo]] está mais associado a [[Deus Pai]]; a salvação do mundo a [[Jesus]], [[Filho de Deus]]; e a protecção, guia, [[purificação]] e santificação da Igreja ao [[Espírito Santo]].<ref>''[[Compêndio do Catecismo da Igreja Católica]]'' (CCIC), n. 37, 41, 42, 44, 48, 49 e 50</ref>
 
A doutrina professa também a [[divindade]] de Jesus, que seria a segunda pessoa da Trindade, e que a nossa [[salvação]] deve-se, para além da [[graça divina]], ao Seu supremo e voluntário [[Mistério Pascal|Sacrifício e Paixão]] na [[cruz]]. Este tão grande [[sacrifício]] deveu-se à vontade e ao infinito [[amor de Deus]], que quis salvar toda a humanidade. Além disso, é também fundamental para a salvação a adesão livre do crente à [[fé]] em Jesus Cristo e aos Seus ensinamentos, porque a nossa [[liberdade]], como um dom divino, é respeitado por Deus, o nosso Criador. Esta fé leva à [[conversão]] das pessoas e à prática das [[boas obras]] (que nos afastam do [[pecado]] e nos ajudam a crescer na [[caridade]]), nomeadamente o acto de '''amar a Deus acima de todas as coisas''' (''Mt 22,37'') e também o de '''amar ao próximo como a si mesmo''' (''Mt 22,39''). Estes dois actos [[virtude|virtuosos]], juntamente com o acto de '''amar uns aos outros como Jesus nos ama''' (''Jo 15,10''), são justamente os [[mandamentos de Amor]] que Jesus deu aos seus discípulos e à humanidade. Estes mandamentos radicais constituem o resumo de "''toda a Lei e os [[Profeta]]s''" do [[Antigo Testamento]] (''Mt 22,40'').<ref>''CCIC'', n. 435</ref>
 
Nas suas muitas pregações, Jesus Cristo ensinou, para além dos seus mandamentos de Amor, as [[bem-aventuranças]] e insistiu sempre «''que o [[Reino de Deus]] está próximo''» (''Mt 10,7'') e que [[Deus]] estava preparando a Terra para um novo estado de coisas. Anunciou também que quem quisesse fazer parte do [[Reino de Deus]] teria de ''nascer de novo'', de se arrepender dos seus [[pecado]]s, de se converter e purificar. Jesus ensinava também que o [[poder]], a [[graça]] e a [[misericórdia]] de [[Deus]] era maior que o [[pecado]] e todas as forças do [[mal]], insistindo por isso que o [[arrependimento]] sincero dos [[pecado]]s e a [[fé]] em Deus podem salvar os homens.<ref>''[[Catecismo da Igreja Católica]]'' (CIC), n. 1427 e n. 545</ref> Este misterioso Reino de Deus, que só se irá realizar-se na sua plenitude no [[fim do mundo]], está já presente na Terra através da Igreja, que é o seu semente. A Igreja ensina que neste Reino, o [[Mal]] será inexistente e os homens salvos e justos, após a [[ressurreição]] dos mortos e o fim do mundo, passarão a viver eternamente em Deus, com Deus e junto de Deus.
 
==== Divergências com as outras Igrejas cristãs ====
Os pontos de vista católicos diferem dos [[Cristianismo oriental|ortodoxos]] em alguns pontos, incluindo a natureza do Ministério de S. Pedro (o Papado), a natureza da [[Santíssima Trindade|Trindade]] e o modo como ela deve ser expressa no [[Credo Niceno-Constantinopolitano]], e o entendimento da [[salvação]] e do [[arrependimento]]. Os católicos divergem dos [[protestantismo|protestantes]] em vários pontos, incluindo a necessidade da [[penitência]], o significado da [[comunhão]], a composição do [[Canon|Cânone das Escrituras]], a [[Veneração|veneração de santos]], o [[purgatório]] e o modo como se atinge a [[salvação]]:
 
Os protestantes acreditam que a [[salvação]] se atinge apenas através da fé e arrependimento, ao passo que os católicos acreditavam que a salvação também vinha por boas obras. Esta divergência levou a um conflito sobre a doutrina da [[justificação]] (na [[Reforma]] ensinava-se que "nós justificamos apenas pela fé"). O [[ecumenismo cristão|diálogo ecuménico]] moderno levou a alguns consensos sobre a [[justificação (teologia)|doutrina da justificação]] entre os católicos e os [[luteranos]], [[anglicanos]] e outros.
O acto de [[prece]] mais importante na Igreja Católica Romana é a [[liturgia]] [[eucaristia|Eucarística]], normalmente chamada [[Missa]]. A missa é celebrada todos os domingos de manhã na maioria das paróquias Católicas Romanas; no entanto, os católicos podem cumprir as suas ''obrigações dominicais'' se forem à missa no sábado à noite. Os católicos devem também rezar missa cerca de dez dias adicionais por ano, chamados [[Dias Santos de Obrigação]]. Missas adicionais podem ser celebradas em qualquer dia do ano litúrgico, excepto na [[Sexta-feira Santa]]. Muitas igrejas têm missas diárias. A [[missa]] contemporânea é composta por duas partes principais: a [[Liturgia da Palavra]] e a [[Liturgia Eucarística]]. Durante a Liturgia da Palavra, são lidas em voz alta uma ou mais passagens da Bíblia, acto desempenhado por um Leitor (um leigo da igreja) ou pelo padre ou diácono. O padre ou diácono lê sempre as leituras do [[Evangelho]] e pode também ler de outras partes da Bíblia (burante a primeira, segunda, terceira, etc. leituras). Depois de concluídas as leituras, é rezada a homilia (que se assemelha ao sermão protestante) por um padre ou diácono. Nas missas rezadas aos domingos e dias de festa, é professado por todos os católicos presentes o [[Credo Niceno-Constantinopolitano]], que afirma as crenças ortodoxas do catolicismo. Segue então a [[Liturgia Eucarística]], que nada mais é do que a Missa em seu sentido estrito. Nela, o pão e o vinho oferecidos, segundo o [[dogma]] católico da [[transubstanciação]], se tornam realmente o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo.
 
O [[movimento de reforma litúrgica]], iniciado no início da [[década de 1960]] pelo [[Concílio Vaticano II]], tem sido responsável nos últimos quarenta anos por uma convergência significativa das práticas predicamentais do [[Rito Romano]] com as das igrejas protestantes, afastando-as das dos outros ritos católicos, particularmente os [[Rito oriental|ritos orientais]]. Uma característica dos novos pontos de vista litúrgicos tem sido um "regresso às fontes", que se diz que tem origem na redescoberta de antigos textos e práticas litúrgicas, bem como muitas práticas novas. As reformas litúrgicas pós-conciliares (pós-[[Concílio Vaticano II]]) incluem o uso da língua vernacular (local), uma maior ênfase na Liturgia da Palavra, e a clarificação do simbolismo. A característica mais visível das reformas é a postura do padre. No passado, o padre virava-se para o altar, de costas para a congregação. As reformas fizeram com que o padre se voltasse para o povo, separado dele pelo altar. Isto simboliza o desejo de que a missa se torne mais centrada nas pessoas. Há, todavia, críticos que não concordam com a natureza da mussa pós-Vaticano II (conhecida por vezes como ''[[Novus Ordo Missae]]''). Em [[2003]] foi revelado que a [[Missa Tridentina]] pré-Vaticano II estava de novo a ser celebrada na [[Basílica de S. Pedro]] (embora não no altar principal) e que o [[Papa João Paulo II]] começou a celebrar Missas Tridentinas na sua capela privada no Palácio Apostólico, no [[Vaticano]]. A partir [[7 de Julho]] de [[2007]], pelo [[Motu proprio]] ''[[Summorum Pontificum]]'', o Papa [[Bento XVI]] reafirmou a validade da [[Missa Tridentina]] (pré-Concílio Vaticano II e rezada em [[latim]]) e a liberação de celebrá-la a pedido dos fiéis sem prévia autorização episcopal. Assim sendo, existem actualmente duas formas de celebração do [[rito romano]]: a forma ordinária (o ''Novus Ordo'') e a forma extraordinária (a Missa Tridentina).
 
=== Sacramentos ===
No Brasil, o movimento tomou força através da Canção Nova, Comunidade de Vida e Aliança criada pelo então Padre Jonas Abib (hoje Monsenhor) na cidade de [[Cachoeira Paulista]] para dar uma nova abordagem a temas polêmicos e morais e renovar conceitos já antigos da religião católica. Esse movimento ganhou força em meados dos anos 90 e já responde sozinho por grande parte dos católicos frequentantes no país. Possui um canal de televisão chamado [[Canção Nova]] e é presidido pelo [[Padre Jonas Abib]].
 
=== Críticas ===
{{ArtigoVer principalartigos principais|[[Anticatolicismo]], [[Críticas à Igreja Católica]]}}
 
== Anglocatolicismo ==
 
O termo '''Anglocatolicismo''' descreve pessoas, grupos, ideias, costumes e práticas dentro do [[Igreja Anglicana|anglicanismo]] que enfatizam a continuidade com a [[tradição católica]].
 
{{Ref-section}}
 
== {{Bibliografia}} ==
 
* ''Catechism of the Catholic Church'' - tradução inglesa (Libreria Editrice Vaticana, 2000). ISBN 1-57455-110-8 [http://www.vatican.va/archive/catechism/ccc_toc.htm]
* Crocker III, H. W. ''Triumph - The Power and the Glory of the Catholic Church: A 2,000-Year History'' (Prima Publishing, 2001). ISBN 0-7615-2924-1
* Duffy, Eamon. ''Saints and Sinners: A History of the Popes'' (Yale Nota Bene, 2002). ISBN 0-300-09165-6
 
== {{Ver também}} ==
{{multicol}}
* [[Ano litúrgico]]
* [[Beatificação]] e [[Canonização]]
* [[Cisma]]: [[Cisma do Ocidente]] e [[Cisma do Oriente|do Oriente]]
* [[Cristianismo]]
{{multicol-break}}
* [[Cruzadas]]
* [[Concílio ecuménico]]
* [[Missa]]
* [[Missa Tridentina]]
{{multicol-break}}
* [[Opus Dei]]
* [[Ordens militares]]
* [[Santo]] - [[Lista de santos]]
* [[Vaticano]]
{{multicol-end}}
 
 
{{Ref-section}}
 
== {{Bibliografia}} ==
 
* ''Catechism of the Catholic Church'' - tradução inglesa (Libreria Editrice Vaticana, 2000). ISBN 1-57455-110-8 [http://www.vatican.va/archive/catechism/ccc_toc.htm]
* Crocker III, H. W. ''Triumph - The Power and the Glory of the Catholic Church: A 2,000-Year History'' (Prima Publishing, 2001). ISBN 0-7615-2924-1
* Duffy, Eamon. ''Saints and Sinners: A History of the Popes'' (Yale Nota Bene, 2002). ISBN 0-300-09165-6
 
 
== {{Ligações externas}} ==
Utilizador anónimo