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|evento_início = [[Proclamação da República Rio-Grandense]]
|data_início = 11 de setembro
|evento1 = Confederação com a [[República Juliana]] (embora os poucos catarinenses que se encontravam no pequeno território catarinense tomado pelos revoltosos (- o território compreendia somente a cidade de Laguna) - não reconhecessem a República Juliana, além desta "república" ter durado apenas de 24 de julho a 15 de novembro de 1839)
|data_evento1 = [[24 de julho]]
|ano_evento1 = [[1839]]
|data_evento2 = [[8 de fevereiro]]
|ano_evento2 = [[1843]]
|evento_fim = [[Tratado de Poncho Verde]] (que põe fim à Revolução Farroupilha e extingue daa República Rio-Grandense)
|data_fim = 1 de março
|continente = [[América do Sul]]
}}
 
A '''República Rio-Grandense''', também conhecida como '''República de Piratini''', foi um [[Estado-nação]] não-reconhecido formado no extremo sul do [[Império do Brasil]], em território equivalente ao atual [[Unidades federativas do Brasil|estado]] do [[Rio Grande do Sul]]. O período constituiu sendo a mais longa revolta brasileira da história.<ref>[http://movimentogauchoindependente.blogspot.com/search/label/A%20Rep%C3%BAblica A República - Movimento Gaúcho Independente]</ref>. Foi proclamada em [[11 de setembro]] de [[1836]], pelo general [[Antônio de Sousa Neto]], como consequência direta da vitória obtida por forças oligárquicas gaúchas na [[Batalha do Seival]] (1836), durante a [[Revolução Farroupilha]] (1835-1845).<ref>{{Citar web|url=http://www.portaldasmissoes.com.br/site/view/id/1409/11-de-setembro-de-1836---proclamacao-da-republica-.html|titulo=11 de Setembro de 1836 - Proclamação da República Rio-Grandense. - Sites - Portal das Missões|data=11 de setembro de 2018|acessodata=10 de novembro de 2018|obra=www.portaldasmissoes.com.br|publicado=|ultimo=|primeiro=|lingua=pt-BR}}</ref> No entanto, o objetivo principal nunca foi proclamar um estado-nação próprio, e, portanto, separado do [[Estado brasileiro]], mas sim mostrar ao Império do Brasil que as [[oligarquia]]s gaúchas não estavam nem um pouco satisfeitas com os altos impostos.
 
A [[bandeira]] oficial da República Rio-Grandense era composta pelas cores [[verde]], [[amarelo]] e [[vermelho]]. Há duas versões para o motivo da composição da bandeira: uma versão explica que seriam as cores-[[símbolo]]s do [[Brasil]], o [[verde]]-[[amarelo]], com o [[vermelho]], que simboliza a [[república]], entrecortando as mesmas; outra versão explica que o verde representava a mata dos pampas, o vermelho o ideal revolucionário, e o amarelo as riquezas do território gaúcho; e uma outra versão diz tratar-se o verde da bandeira [[Portugal|portuguesa]] e o amarelo da bandeira [[Espanha|espanhola]] (respectivamente, o mais importante [[colonizador]] e o segundo mais importante colonizador do território do estado do Rio Grande do Sul), entrecortados pela listra vermelha em vertical que seria símbolo de [[federação]] na região [[Rio da Prata|platina]] desde a época de [[José Gervásio Artigas]] (1764-1850).<ref name=":1">{{Citar periódico|ultimo=|primeiro=|data=11 de setembro de 2015|titulo=História Hoje: República Riograndense foi proclamada há 169 anos devido a altos impostos|url=http://radioagencianacional.ebc.com.br/geral/audio/2015-09/historia-hoje-republica-riograndense-foi-proclamada-ha-169-anos-devido-altos|jornal=EBC - Radioagência Nacional|lingua=pt-BR|acessodata=10 de novembro de 2018}}</ref> No entanto, o verde só seria adicionado à [[bandeira]] portuguesa em 1910, 65 anos depois do término da Revolução Farroupilha, o que descarta esta última versão. Da mesma forma, a atual [[bandeira do estado do Rio Grande do Sul]] vem a ter as mesmas cores, tendo sido adicionado o [[brasão]] da República Rio-Grandense no meio da bandeira.
 
Os principais líderes sul-rio-grandenses eram [[estancieiro]]s, que estavam insatisfeitos com os altos [[imposto]]s sobre o [[charque]] e o [[couro]], de modo que os mesmos produtos estrangeiros fossem mais baratos que os nacionais. A [[Constituição da República Rio-grandense]] foi aprovada em [[1843]], em [[Alegrete (Rio Grande do Sul)|Alegrete]]. No entanto, as [[oligarquia]]s gaúchas se consideravam [[brasileiras]], ainda que tivessem se rebelado por essa disparidade econômica. O mesmo acontecia com a população do Rio Grande do Sul, que também se considerava brasileira, ainda que tenham sido convencidos a lutar em favor dos estancieiros gaúchos, em função dos altos impostos sobre o charque e o couro, que prejudicavam diversos setores da [[economia]] local. Entre as principais cidades da então [[Província de São Pedro do Rio Grande do Sul]] que não aderiram aos revoltosos, está [[Porto Alegre]], que por esse motivo recebeu do [[Império do Brasil|Império]] o título de "Leal e Valerosa Cidade de Porto Alegre", seu [[lema]] oficial até hoje.
Essa " brasilidade" não era unânime, pois os riograndenses estavam em contato com os povos platinos, afeitos a uma liberdade sem serem subvircentessub-vircentes ao régio poder da corte do Rio de Janeiro, a ex província da Cisplatina era um exemplo que poderiam se livrar das amarras brasileiras. Quando o império perdeu a província da Cisplatina, tornando como nome a república da banda oriental do Uruguai, os riograndenses fizeram o maior esforço na guerra da Cisplatina, sendo depois renegados pela perda dessa província rica em gado do qual alimentava as charqueadas no Rio Grande do Sul. É inegável a aproximação de amizade das autoridades uruguaias com os principais líderes riograndenses na guerra de independência do Rio Grande do Sul, do qual erroneamente se chama de " guerra dos farrapos".
O fato que os " farroupilhas" eram liberais exaltados e não toleravam uma regência centralista da corte do Rio de Janeiro, alheia às aspirações e interesses regionais.<ref>{{citar web|url=http://www.revistas.usp.br/alb/article/view/11604/13373|titulo=Textos e lenços: representações de federalismona república rio-grandense(1836-1845)|data=Maio de 2005|acessodata=10 de novembro de 2018|obra=Almanack Braziliense n°01|publicado=Universidade de São Paulo|ultimo=Barcellos Guazzelli|primeiro=Cesar Augusto|paginas=54 - 66}}</ref>
 
== História ==
{{ver artigo principal|[[Revolução Farroupilha]], [[História do Rio Grande do Sul]], [[Proclamação da República Rio-Grandense]]}}
[[Imagem:Flag_of_Piratini_Republic.svg|thumb|left|130px|Bandeira usada pelos farrapos durante a revolta (1835-1845).]]
A [[economia]] da então província de [[Província de São Pedro do Rio Grande do Sul|São Pedro do Rio Grande do Sul]] do [[Império do Brasil]] era voltada principalmente para a produção de [[charque]] e [[couro]]. A província voltava a sua produção para o mercado interno, do qual dependia inteiramente. Mas com o câmbio sobrevalorizado e os benefícios tarifários então oferecidos, o charque importado tinha um custo inferior ao nacional. Assim sendo, os [[estancieiro]]s da região iniciaram uma rebelião contra o [[Império do Brasil]], e, no dia [[10 de setembro]] de [[1836]], ocorreu a [[Batalha do Seival]]. Com a fulminante vitória dos revoltosos, liderados por [[Antônio de Sousa Neto]], a ideia [[separatismo|separatista]] tomou forma. No dia seguinte, em [[11 de setembro]], o general Souza Neto [[Proclamação da República Rio-Grandense|proclamou a República Rio-Grandense]].<ref name=encicrs_sp>{{citar livro | último = SPALDING | primeiro = Walter | contribuição = A revolução farroupilha | titulo = Enciclopédia Rio-grandense | editora = Regional | local = Canoas | ano = 1956}}.</ref><ref name=":0">{{citar web|url=https://www.ihgrgs.org.br/ebooks/Ebook-180anosProclamRepublica.pdf|titulo=180 anos da Proclamação da República Rio-Grandense - AS IDEIAS DE REPÚBLICA EM DEBATE|data=2017|acessodata=10 de novembro de 2018|publicado=Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul|ultimo=Antunes de Souza Gomes|primeiro=Carla Renata|ultimo2=Teles|primeiro2=Martins Jefferson}}</ref>
 
Outro líder separatista, [[Bento Gonçalves]], então preso por forças imperiais na província da [[Bahia]], foi aclamado presidente em [[6 de novembro]] de [[1836]], junto com 4 vice-presidentes:
A primeira capital da nova república foi a cidade de [[Piratini]].<ref name= encicrs_sp/> Em [[1839]], forças lideradas pelo revolucionário italiano [[Giuseppe Garibaldi]] e pelo gaúcho [[Davi Canabarro]] proclamaram a [[República Juliana]] na província de [[Santa Catarina]], tomando a cidade de [[Laguna (Santa Catarina)|Laguna]]. A nova república formou uma confederação com a Rio-Grandense mas não durou muito, pois não conseguiu tomar a capital provincial de [[Florianópolis|Nossa Senhora do Desterro]] (depois renomeada Florianópolis).
 
A República Rio-Grandense foi dissolvida em [[1 de março]] de [[1845]], pelo [[Tratado de Poncho Verde]], que manteve em vigor algumas leis derivadas da constituição rio-grandense. Teve ao todo seis capitais durante os seus nove anos de existência: [[Piratini]], [[Caçapava do Sul]], [[Alegrete (Rio Grande do Sul)|Alegrete]] e [[São Gabriel (Rio Grande do Sul)|São Gabriel]] (capitais oficiais), [[Bagé]] (somente por duas semanas) e [[São Borja]]. Os seus presidentes foram [[Bento Gonçalves]] e [[Gomes Jardim]].<ref name=":1" />
 
==Cisma religioso==
== Perenidade ==
[[Imagem:MuseuJulio10.jpg|thumb|right|200px|Retrato de Bento Gonçalves, acervo do [[Museu Júlio de Castilhos]], em Porto Alegre.]]
A República Rio-grandense está simbolicamente perenizada na [[Bandeira do estado do Rio Grande do Sul|bandeira]] e no [[Brasão do estado do Rio Grande do Sul|brasão]] do [[Unidades federativas do Brasil|estado]] do [[Rio Grande do Sul]], da mesma forma que outros estados brasileiros mantiveram em seus símbolos cívicos evocações a feitos relevantes. Seu território derivou de cisão parcial da [[Província de São Pedro do Rio Grande do Sul]], que teve seus limites totalmente definidos em relação ao [[Uruguai]] somente após o final da [[Guerra dos Farrapos]] (1835-45). Após a [[Proclamação da República Brasileira|proclamação da República brasileira]] (1889), todo o território da Província passou a constituir uma das [[unidades federativas do Brasil]], o estado do [[Rio Grande do Sul]].<ref name=":0" />
 
===Questionamento sobre o documento do Tratado de Poncho Verde===