Diferenças entre edições de "Angelina Vidal"

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'''Angelina Casimira do Carmo eda Silva Vidal''', '''Angelina Vidal''', ou '''Republicana Viseense''', ([[São José (Lisboa)|São José]], [[Lisboa]], 11 de março de 18531847 - [[Graça (Lisboa)|Graça, Lisboa]], -1 de agosto de 1917, Lisboa) foi uma jornalista, tradutora, professora, [[Olisipografia|olissipógrafa]] e escritora<ref name=":0">{{citar web|url=http://www.escritoras-em-portugues.eu/1417106880-Cent-XIX/2015-0720-Angelina-Vidal|titulo=Angelina Vidal|data=|acessodata=07/10/2017|publicado="Escritoras em Português" - Projeto Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa|ultimo=|primeiro=}}</ref><ref name=":1">{{citar web|url=https://debategraph.org/Details.aspx?nid=309100|titulo=Angelina Vidal (1853-1917)|data=|acessodata=07/10/2017|publicado=|ultimo=|primeiro=}}</ref>. Era considerada uma das figuras mais pertinentes na luta pelos direitos dos mais pobres<ref name=":1" />. Destaca-se, de igual modo, o seu ativismoactivismo pelos [[Direitos da mulher|direitos das mulheres]], compactuando com a ideologia [[Republicanismo|republicana]] e [[Socialismo|socialista]]<ref name=":1" />.
 
[[Ficheiro:Angelina Vidal.jpg|miniaturadaimagem|Retrato de Angelina Vidal.]]
{{Info/Biografia
|nome = Angelina Vidal
|nome_completo = Angelina Casimira do Carmo da Silva Vidal
|imagem = Angelina Vidal.jpg
|nascimento_data = [[11 de março]] de [[1847]]
|nascimento_local = [[São José (Lisboa)]]
|morte_data = [[1 de agosto]] de [[1917]] (70 anos)
|morte_local = [[Graça (Lisboa)]]
|residência = Rua de São Gens, n.º 41, Bairro da Graça, Lisboa
|Ocupação = Jornalista, escritora, tradutora, professora e olissipógrafa
}}
 
== Biografia ==
Angelina é filha natural do Maestro [[Joaquim Casimiro|Joaquim Casimiro Júnior]] e de sua esposa, Rita de Jesus. Os seus pais nunca casaram, Joaquim era viúvo de Maria do Carmo Figueiredo.<ref name=":0" />. Ficará orfã aos 9 anos<ref name=":1" />.
 
Não obstante ter nascido no seio de uma família [[Burguesia|médio-burguesa]], Angelina cedo se confrontou com inúmeras adversidades, desde logo por ter ficado órfã aos 9 anos. Inconformada com a educação prosaica que terá recebido num colégio de freiras, procurou sempre continuar a instruir-se da forma mais abrangente possível, atitude que acabou por a conduzir a Luís de Campos Vidal, um respeitado médico com quem viria a casar em 1872, com 19 anos. Apesar dos cinco filhos decorrentes do matrimónio, o casal acabaria por separar-se doze anos depois, situação que a levou inclusivamente a perder a tutela das crianças, uma vez que o estado de divorciada ou separada, aos olhos da sociedade monárquica portuguesa de finais do [[Século XIX|séc. XIX]], era ainda encarado com considerável relutância.
Casa com Luís Augusto de Campos Vidal, médico da Armada Portuguesa, em 1872, com apenas 19 anos<ref name=":0" /><ref name=":1" />.
[[Ficheiro:Angelina Vidal 1.jpg|esquerda|miniaturadaimagem|Placa comemorativa de Angelina Vidal, na casa onde viveu e faleceu (data de nascimento errada, como se comprova pelo assento de baptismo).<ref>{{citar web|url=https://digitarq.arquivos.pt/viewer?id=4819517|titulo=|data=|acessodata=|publicado=|ultimo=|primeiro=}}</ref>]]
Os desfavorecidos que defendia foram os seus principais aliados. No mesmo ano em que o ex-marido faleceu, em 1894, Angelina terá tentado o suicídio, devido às difíceis condições de vida. A pensão de viuvez fora-lhe negada dadas as suas actividades políticas. As operárias das fábricas do tabaco abriram uma subscrição para ajudá-la financeiramente. Socialmente estigmatizada e forçada a lutar pela sua subsistência, encontrou finalmente algum amparo em 1901, quando, após a insistência de operárias de fábricas de tabaco por quem Angelina havia lutado, lhe foi concedida uma subvenção mensal por parte da sociedade [[A Voz do Operário]], no âmbito da qual leccionaria a disciplina de francês. Igual esforço viria a repetir-se em 1904, quando necessitou de ser novamente socorrida, do ponto de vista financeiro, pelas sempre gratas operárias.
Pertencendo, à época, a um grupo residual de mulheres que procuravam auferir remuneração em empregos não-mecânicos/manuais, Vidal trabalhou como jornalista, tradutora, professora, [[Olisipografia|olissipógrafa]] e escritora. Multifacetada também no que respeita aos géneros literários, desde a poesia ao teatro, escreveu variadas peças, a maioria das quais subsequentemente encenadas, daqui passando a advir, ultrapassado o período de penúria, a sua principal fonte de rendimento. Com efeito, arrecadou, logo no início da sua carreira, dois prémios internacionais, pelo poema ''A Morte do Espírito'', em 1885, e por ''Ícaro'', em 1902.
 
Foi também amplamente respeitada enquanto jornalista, tendo integrado a Associação da Imprensa Portuguesa, embora se tenha tornado sobretudo reconhecida pelo vínculo propagandista que estabeleceu com o universo operário, sobretudo na sua associação à Sociedade de Instrução e Beneficência A Voz do Operário. Nesse sentido, colaborou com diversos jornais operários e sindicalistas, entre os quais o jornal Pró-Infância, em parceria com [[Heliodoro Salgado]], [[Francisco José Teixeira Bastos|Teixeira Bastos]], [[Miguel Bombarda]], [[Sebastião de Magalhães Lima|Magalhães Lima]], Máximo Brou, [[António Vitorino da França Borges|França Borges]], entre outros. Nesta linha de pensamento, destaca-se também o seu activismo em torno dos direitos femininos, designadamente direccionado à mulher operária, que acaba por estar em total consonância com a ideologia republicana, numa primeira fase, e com a doutrina socialista, num momento posterior, que viriam a pautar o seu percurso progressivamente político. À imagem de outras mulheres intelectuais da época, Vidal via na emancipação feminina uma condição imprescindível para o progresso civilizacional, defendendo que a educação e, sobretudo, o trabalho, constituiriam os mais importantes pilares da vida da mulher, que nunca deveria descurar, contudo, as suas responsabilidades maternais.
 
Para além das várias obras publicadas em Portugal, e em Português, Angelina é fluente em italiano, francês e espanhol, e publica no Brasil, em Espanha e em Angola. Dirigiu ainda as publicações: ''Sindicato'', ''Justiça do Povo'', e ''A Emancipação'' ([[Tomar]])<ref name=":0" />. Preocupou-se, sobretudo, com as condições das mulheres operárias, que tinham de garantir o sustento da família, conciliando esse papel com o de mãe. No seu texto ''Às operárias portuguesas'' (1886), incentivou-as a lutar pelas 12 horas de trabalho, à semelhança das operárias austríacas. O dia de trabalho tinha 15.
Angelina Vidal morreu aos 70 anos, a 1 de Agosto de 1917, justamente no ano em que lhe foi enfim atribuída uma pensão de viuvez, que tanta falta lhe fazia. Ao seu funeral, cujas despesas foram asseguradas pelo jornal ''[[O Século]]'', compareceram personalidades de diversas áreas, tendo-se assistido a discursos proferidos por representantes do [[Partido Socialista (Portugal)|Partido Socialista]], da Federação Municipal Socialista de Lisboa, da [[Voz do Operário]], da Liga das Associações Mutualistas, do Comité Nacional dos Indígenas e dos Manipuladores do Tabaco.
 
A 5 de Outubro de 2009 os [[CTT]] fizeram uma emissão filatélica com o objectivo de homenagear um grupo de “mulheres cuja acção e testemunho as tornaram figuras indelevelmente associadas à história da República”. Esta colecção, denominada Mulheres da República, “evoca activistas dos direitos femininos dos primeiros tempos da República”, e dela faz parte Angelina Vidal, juntamente com [[Ana de Castro Osório]], [[Maria Veleda]], [[Adelaide Cabete]], [[Carolina Beatriz Ângelo]] e [[Carolina Michaëlis de Vasconcelos]], [[Virgínia Quaresma]] e [[Emília de Sousa Costa]].<ref name=":0" /><ref name=":1" />
 
== Família ==
Angelina casou, em 7 de Novembro de 1872, na Igreja Paroquial de São José, da mesma freguesia, em Lisboa, aos 19 anos, com Luís Augusto de Campos Vidal ([[São Paulo de Frades]], [[Coimbra]], 1848 - [[Lisboa]], 21 de Julho de 1894), médico naval, filho de pai incógnito e Maria de Jesus, de [[Vacariça]]. Separam-se em 1884, sem obter divórcio, que à data não estava abrangido na lei portuguesa. Com a morte deste, em 1894, ficou no estado de viúva.
 
TêmTiveram 5cinco filhos:
 
Têm 5 filhos:
* Julieta Casimiro Vidal (1873-1944)
* Violeta Casimiro Vidal (1874-1916)
* Ema Casimiro Vidal (1879-1884)
* Hugo Casimiro Vidal (1886-1940)
Eventualmente, o casal divorciou-se, e Angelina perdeu custódia dos filhos.
 
Em 1901, é-lhe oferecida uma [[subvenção]] pel'''[[Sociedade de Instrução e Beneficência A Voz do Operário|A Voz do Operário]]'', em troca de aulas de [[Língua francesa|francês]].
 
Mais tarde, enquanto jornalista integrou a Associação da Imprensa Portuguesa<ref name=":1" />.
 
Para além das várias obras publicadas em Portugal, e em Português, Angelina é fluente em italiano, francês e espanhol, e publica no Brasil, em Espanha e em Angola. Dirigiu ainda as publicações: ''Sindicato'', ''Justiça do Povo'', e ''A Emancipação'' ([[Tomar]])<ref name=":0" />.
 
== Obras<ref name=":0" /> ==
 
=== Obras impressas ===
* ''Morte de Satan, (1879)''1879
* ''A Noite do Espírito, (1887)''1887
* ''Ícaro, (1902)''1902
* ''Jesus no Templo, (1881)''1881
* ''Jessa Helfmann às Mães, '' Lisboa, (1881)''
* ''O Marquês de Pombal à luz da Filosofia, ''Lisboa, (1882)''
* ''O Ultrage. Dedicado ao Major de Quillinan'', Lisboa, (1883)''
* ''Folhas Soltas'', (1887)''
* ''A Provocação. Carta ao Rei, (1887)''1887
* ''Arquivo Histórico. Narrativa da Fundação das Cidades e Vilas do Reino e seus Brasõ''es''Brasões de Armas,'', ''(1889)''
* ''Ódio à Inglaterra'', (1890)''
* ''Protesto contra a Inglaterra'', (1890)''
* ''Justiça aos vencidos, (1890)''1890
* ''Liquidando... Espirais de Dor'', Lisboa, (1894)''
* ''Nas Florestas da Vida, ''Lisboa, (1906)''
* ''Semana da Paixão'', (1906)''
* ''Contos Negros, (1896)''1896
* ''Lisboa Antiga e Lisboa Moderna. Elementos Históricos da sua Evolução'', 3 volumes, (1900-1903)''
* ''Os Contos Vermelhos, (1904)''1904
* ''Contos de Cristal, (1905)''1905
* ''Evangelho da Instrução, (1907)''1907
* ''Os Contos Cristalinos, ''(1907-1908)''
* ''AbcedárioAbecedário do Amor, (1908)''1908
* ''Avé Charitas! Ao grande coração de lusluz do ilustre sr. dr. Manuel d'Arriaga'', Lisboa, (1912)''
 
=== Teatro ===
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