Imigração italiana no Rio Grande do Sul: diferenças entre revisões

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::"As sagas migrantistas, embora possam ter um valor histórico questionável, são inestimáveis, do ponto de vista antropológico, pois alertam o pesquisador acerca das categorias que, no presente, merecem ser acionadas sobre o passado. Entre tradições inventadas ou ressignificadas (ou não), a história se refaz. Para o antropólogo, a riqueza dos escritos históricos consiste em poder neles observar, mesmo que de uma forma limitada (como foi o meu exercício neste artigo), o modo como se posicionavam, em termos sociais (espaciais e temporais também), aqueles homens e aquelas mulheres e crianças — observar não só a maneira como viviam mas, acima de tudo, o que permitiu historicamente que eles se reproduzissem culturalmente, considerando-se que a cultura é sempre um campo aberto, dinâmico, vivido por personagens reais que sentem, pensam, agem e procuram sobreviver, física ou psicologicamente. Esses sujeitos são negociadores que aprenderam a se referenciar conforme as interações sociais advindas de suas demandas. As ítalo-brasilianidades são negociações, seja em termos individuais ou coletivos. Embora se baseie num passado tido como fonte, trata-se de uma construção do presente sobre o passado, clivada por situações de classe, gênero, idade, entre outras".<ref>Zanini, Maria Catarina Chitolina. [http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132007000200009 "Um olhar antropológico sobre fatos e memórias da imigração italiana"]. In: ''Mana'', 2007; 13 (2)</ref>
 
A "epopeia do imigrante", como tantas vezes é chamada, além de ter gerado uma vasta bibliografia crítica, já deu origem a uma grande quantidade de produções literárias, poéticas, teatrais, televisivas e cinematográficas, de caráter documental, humorístico, ficcional ou artístico.<ref>Santos, Mirian de O. & Zanini, Maria Catarina C. "As memórias da Imigração no Rio Grande do Sul". In: ''Mneme'', 2010; 11 (27) </ref> A despeito das contradições e inconsistências das narrativas e das controvérsias entre os críticos, é um consenso que os italianos deixaram um legado importante em múltiplos níveis, nas capelas enos edifíciosartesanatos, nosna artesanatosarquitetura, nas festas e lendas, no folclore e nas lendas, nos esportes e brincadeiras, nas artes eruditas, na língua, na ciência, nas formas de trabalhar, de verentender o mundo, de viver e se relacionar e de atuar em grupo.<ref>Venturini, Ana Paula Marzari & Gaspary, Fernanda Peron. [https://periodicos.ufn.edu.br/index.php/disciplinarumALC/article/view/1826 "O legado arquitônico da imigração italiana no Rio Grande do Sul: o Moinho Moro"]. In: ''Disciplinarum Scientia — Artes, Letras e Comunicação'', 2015; 16 (1) </ref><ref>Souza, Raquel Eleonora. "O legado estético da colonização italiana no sul do Brasil". In: ''Revista Icônica'', 2016; 2 (1)</ref><ref>Colbari, Antonia. "Familismo e Ética do Trabalho: O Legado dos Imigrantes Italianos para a Cultura Brasileira". In: ''Revista Brasileira de História'', 1997; 17 (34):53-74</ref><ref>[https://radiocaxias.com.br/portal/noticias/ultima-reportagem-especial-mostra-o-legado-deixado-pela-imigracao-na-serra-50832 "Última reportagem especial mostra o legado deixado pela imigração na Serra"]. ''Rádio Caxias'', 22/05/2015 </ref><ref>Burgos, Mirtia Suzana et al. "Jogos tradicionais e legado histórico dos descendentes italianos em Caxias do Sul, Relvado e Santa Maria - RS". In: Reppold Filho, Alberto Reinaldo & Mazo, Janice Zarpellon (orgs.). ''Atlas do Esporte no Rio Grande do Sul''. UFRGS, 2005, p. 10</ref><ref>Manfio, Vanessa & Pierozan, Vinício Luís. "Território, cultura e identidade dos colonizadores italianos no Rio Grande do Sul: uma análise da Serra Gaúcha e da Quarta Colônia". In: ''Geousp – Espaço e Tempo'', 2019; 23 (1):144-162 </ref>
 
A presença italiana está difundida generalizadamente no estado, e muitos descendentes dos antigos imigrantes radicados no estado foram ou são figuras de projeção nacional. [[Eliseu Paglioli]], [[Ildo Meneghetti]], [[José Fortunati]], [[Leonel Brizola]], foram prefeitos de Porto Alegre. [[Euclides Triches]], [[Germano Rigotto]], [[José Ivo Sartori]], [[Sinval Guazzelli]], [[Walter Peracchi Barcelos]], foram governadores. [[Mário Meneghetti]], [[Blairo Maggi]], Sinval Guazzelli e [[Mário Andreazza]], entre outros, foram ministros de Estado. [[Emílio Garrastazu Médici]] foi presidente do Brasil. [[Benedito Zorzi]], [[Leomar Antônio Brustolin]], [[Luís Victor Sartori]], [[José Barea]], [[Nei Paulo Moretto]], [[Altamiro Rossato]], [[Alberto Trevisan]], [[Girônimo Zanandréa]], entre outros, foram ou são bispos católicos. [[Armindo Trevisan]], [[José Clemente Pozenato]], [[Júlio Calegari]], [[Celeste Gobbato]], [[Luís Alberto De Boni]], [[Rovílio Costa]], [[Mário Gardelin]], [[João Spadari Adami]], [[Pietro Stangherlin]], [[Antônio Caringi]], a [[Família Zambelli]], [[Carlos Alberto Petrucci]], [[Renato Borghetti]], [[Jayme Paviani]], [[Thaisa Storchi Bergmann|Thaisa Storchi]], [[Carla Maffioletti]], [[Radamés Gnattali]], [[Leopoldo Gotuzzo]], [[Olinda Allessandrini]], entre muitos outros, foram ou são destaques nas artes, na literatura ou nos estudos acadêmico-científicos.