Kirchnerismo: diferenças entre revisões

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'''Kirchnerismo''' é um termo usado para se referir à [[filosofia política]] e aos simpatizantes do falecido [[Néstor Kirchner]], presidente da [[Argentina]] de 2003 a 2007, e de sua esposa, [[Cristina Fernández de Kirchner]], presidente do país de 2007 a 2015. Embora os Kirchners sejam membros do [[Partido Justicialista]] (o original, maior e oficial partido [[Peronismo|peronista]], fundado por [[Juan Perón]] em 1947), o movimento peronista em si é amplo e muitos de seus membros se opõem aos kirchneristas.
 
Por outro lado, o kirchnerismo, apesar de originalmente ser uma divisão do Partido Justicialista, posteriormente recebeu o apoio de outros partidos políticos argentinos menores (como o Partido Comunista ou o Partido Humanista), e de parte de alguns dos partidos tradicionais (como a União Cívica Radical e o Partido Socialista). Em resposta à ascensão do kirchnerismo, o termo "anti-kirchnerismo" surgiu para descrever os setores e pessoas, mesmo que de dentro do peronismo, que se opõem aos governos de Néstor e Cristina Kirchner.
 
== Características ==
Tanto [[Néstor Kirchner]] quanto [[Cristina Fernández de Kirchner]] vêm da ala [[Esquerda (política)|esquerdista]] do [[peronismo]] e ambos começaram suas carreiras políticas como membros da [[Juventude Peronista]] (''Juventud Peronista''). Muitos dos aliados mais próximos do casal Kirchner pertencem à esquerda peronista. Os anti-kirchneristas muitas vezes criticam este pano de fundo ideológico com o termo ''setentista'', sugerindo que o movimento político é excessivamente influenciado pela luta populista da década de 1970.
 
* O kirchnerismo tem se mostrado preocupado com a defesa dos [[direitos humanos]], particularmente ao processar aqueles que cometeram violações de direitos humanos durante a [[Guerra suja na Argentina|Guerra Suja]] e tornaram-se imunes à penalidades no governo de [[Carlos Menem]] (1989-1999). A disposição do governo Kirchner de revogar estas imunidades levou muitos organizações de direitos humanos argentinas, como as [[Mães da Praça de Maio]] e as [[Avós da Praça de Maio]] a tomar uma posição ativa entre os kirchneristas.<ref>[http://www.clarin.com/diario/2006/05/26/elpais/p-01001.htm ''Reencuentro de Carlotto y Bonafini. Las titulares de las Abuelas y Madres de Plaza de Mayo fueron reunidas por Kirchner'', Clarín 26 de mayo de 2006]</ref> Isso levou a muitas controvérsias, alegando que os Kirchner nunca foram totalmente comprometidos com os direitos humanos, especialmente durante a última ditadura militar, e só quando Néstor Kirchner se tornou presidente e começou a fazer alianças com os partidos de esquerda do congresso, e as Mães da Praça de Maio, que iniciou-se uma completa campanha sobre direitos humanos, para promover sua plataforma e ganhar a opinião pública.
* O kirchnerismo tem se mostrado expressamente oposto às políticas [[Neoliberalismo|neoliberais]].
* Economicamente, o kirchnerismo tem prosseguido com uma política econômica de [[desenvolvimentismo]] industrial.
* O kirchnerismo tem forte oposição aos acordos de [[livre comércio]] multilaterais e bilaterais prosseguidos pelos [[Estados Unidos]]. O [[clímax]] dessa política ocorreu com o confronto entre Kirchner e [[George W. Bush]], durante a [[Cúpula das Américas]] de 2005, em [[Mar del Plata]], que resultou na recusa da Argentina para assinar o acordo da [[ALCA]].<ref>[http://www.voltairenet.org/article130689.html ''Bush y el ALCA sufrieron duro traspié en Mar del Plata'', Voltaire net, 2005]</ref>
* Internacionalmente, o kirchnerismo tem apoiado fortemente o [[Mercosul]] e vice-versa, a ponto de o presidente do Mercosul, [[Carlos Álvarez]], ser um kirchnerista.
* Uma das posições mais proeminentes do kirchnerismo é fortalecer as relações da Argentina com os países da [[América Latina]] e [[América do Sul|do Sul]], para estabelecer um eixo econômico sul-americano com o [[Brasil]].
* O kirchnerismo, em particular o ministro da saúde [[Ginés García]], tem mostrado uma atitude marcadamente progressiva no [[controle de natalidade]] e sexualidade, o que provocou a oposição da [[Igreja Católica]] e de outros setores conservadores da sociedade argentina.<ref>{{Citar web |url=http://www.convencion.org.uy/menu8-118.htm |titulo=''Ginés García legalizaría el aborto'', La Nación, 15 de febrero de 2005 |acessodata=2012-12-05 |arquivourl=https://web.archive.org/web/20071102055909/http://www.convencion.org.uy/menu8-118.htm |arquivodata=2007-11-02 |urlmorta=yes }}</ref>
* O kirchnerismo tem se mostrado preocupado sobrecom a educação. emEm percentagem do PIB, o gasto em educação subiu de 3,64% em 2003 para 6,02% em 2010. Em termos absolutos, aumentou de 14,501 milhões de pesos em 2003, para 89,924 milhões pesos em 2010, um aumento de 520%.<ref>[http://www.pagina12.com.ar/diario/economia/2-157800-2010-11-30.html]</ref>
 
== Críticas ==