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Jean Gaspard Félix Ravaisson-Mollien
Jean Gaspard Félix Ravaisson-Mollien
Nascimento 23 de outubro de 1813
Namur
Morte 18 de maio de 1900 (86 anos)
Paris
Nacionalidade francês
Escola/tradição Aristotelismo
Espiritualismo francês
Principais interesses Filosofia e Arqueologia

Félix Ravaisson (Namur, 23 de outubro de 1813 – Paris 18 de maio de 1900) foi um filósofo e arqueólogo francês. Ele foi aluno de Schelling e mestre de Bergson. Ravaisson é conhecido por seus estudos aristotélicos e por remodelar o ensino acadêmico.[1] Ele ainda manifestou interesse pela arte, sobretudo pela pintura.[2]

Índice

BiografiaEditar

Ravaisson estudou no Colégio Rollin de Paris. Em 1834 ele venceu uma competição acadêmica organizada pela Académie des Sciences Morales et Politiques, apresentando um trabalho sobre a metafísica de Aristóteles. Ele se graduou em filosofia em 1836 desenvolvendo ainda mais sua tese sobre a metafísica aristotélica. Essa tese, mais tarde, seria publicada em 4 volumes.[3]

Ravaisson foi chefe da Secretaria do Ministério da Educação, cargo que abandonou rapidamente. Em 1839 ele foi nomeado inspetor geral das bibliotecas francesas[3] e mudou-se para Munique para estudar a nova filosofia alemã com Schelling.[2]

Ele morreu em 1900, sendo nomeado professor emérito da Académie des Sciences Morales et Politiques e da Académie des inscriptions et belles-lettres.[3]

FilosofiaEditar

 
Retrado de Ravaisson por Théodore Chassériau.

Para Ravaisson não há muita distinção entre os personagens míticos e os seus equivalentes históricos. Como exemplo, ele lembra que Júlio César se declarou um descendente carnal da deusa Vênus, de forma que os personagens mitológicos eram, no ambiente greco-latino, realidades presentes e referências trais como se fossem personagens históricos. Ravaisson dá o mesmo tratamento a esses personagens e aos gregos, não distinguindo o mítico do histórico.[4]

Ravaisson tira de Hércules, Teseu e Aquiles conclusões de ordem moral. Dessas conclusões ele destaca certas distinções psicológicas que vão marcar também dois tipos clássicos de filosofia que se perfilam com clareza já na história do pensamento antigo: de um lado, Epicuro, Demócrito, toda a escola materialista; do outro lado, Sócrates, Platão, Aristóteles e seus sucessores.[5]

"Assim formaram-se, desde os tempos mais antigos, duas maneiras diferentes de compreender as coisas: de acordo com uma, elas reduziam-se quase que inteiramente a corpos inertes esparsos, que o acaso cego reunia ou dispersava no vazio; segundo a outra, potências ocultas, almas ou deuses, tinham feito tudo e dirigiam o mundo. Dessas duas maneiras de pensar deviam sair, pouco a pouco, duas filosofias. Uma, que Cícero chama plebeia, que no século XVIII Berkeley chama filosofia pequena e Leibniz paupertina philosophia é a dos Demócritos e dos Epicuros, cujos principais fatores foram os sentidos e o entendimento, o entendimento sendo o auxiliar natural das matemáticas. A outra que se poderia chamar real ou aristocrática, é a de Sócrates, de Platão, de Aristóteles e de seus semelhantes. A primeira, buscando princípios nas coisas inferiores, que são para as superiores o que os materiais são para as formas em que aparecem a ordem e a beleza, pode ser denominada o materialismo. A segunda, em oposição, como o sutil e o fino se opõe ao grosseiro, pode ser chamada a filosofia espiritual ou espiritualista."[5]

ObrasEditar

  • De hábito, Paris, Impr. H. Fournier de 1838
  • Ensaio sobre a metafísica de Aristóteles, Paris, Imprimerie Royale, 2 vols, 1837-1846
  • Filosofia na França no Século XIX, Paris, Hachette de 1867 ed de 1889
  • A Vênus de Milo, Paris, Hachette de 1871
  • Filosofia de Pascal, Paris, Editions du Sandre, 2007 (1887).
  • Revisão da Metafísica e Moral de 1893 "Metafísica e moralidade"
  • Testamento filosófico, em revisão da Metafísica e Moral de 1901
  • Arte e os mistérios gregos, Paris, L'Herne de 1985
  • A partir do ensino de desenho em escolas, Paris, Paul Dupont de 1854
  • Ensino de desenho por Félix Ravaisson, a segunda parte do artigo "A partir do ensino de desenho em escolas" (primeira edição 1887)
  • O Institut de France mantém o manuscrito do Ensaio sobre a Metafísica de Aristóteles

Referências

  1. «L'agrégation de philosophie en 1836» (em francês). textes rares 
  2. a b «Ravaisson, lecteur et interprète de Schelling» (em francês) 
  3. a b c «Jean-Gaspard-Félix Lacher Ravaisson-Mollien» (em inglês) 
  4. Leon, Xavier (1908). REVUE DE METAPHYSIQUE ET DE MORALE (em francês). [S.l.: s.n.] p. 1. ASIN B000L9S8KE 
  5. a b Leon, Xavier (1908). REVUE DE METAPHYSIQUE ET DE MORALE (em francês). [S.l.: s.n.] p. 2. ASIN B000L9S8KE 
O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Félix Ravaisson
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