Geraldo Roca

Geraldo Roca, nascido Geraldo de Almeida Roca (Rio de Janeiro, 9 de junho de 1954 — Campo Grande, 25 de dezembro de 2015)[1], foi um cantautor brasileiro, considerado um dos principais compositores da musica regional do estado do Mato Grosso do Sul.[2]

Geraldo Roca
Informação geral
Nome completo Geraldo de Almeida Roca
Nascimento 9 de junho de 1954
Local de nascimento Rio de Janeiro, Rio de Janeiro
País  Brasil
Morte 25 de dezembro de 2015 (61 anos)
Local de morte Campo Grande, Mato Grosso do Sul
Gênero(s) Música tradicional, rock, folk
Período em atividade 1976 - 2015

No início da década de 1970, Geraldo Roca compôs, junto a Paulo Simões, a canção Trem do Pantanal, popularizada na voz de Almir Sater.[3] Esta é considerada hino da "moderna música popular urbana" do Mato Grosso do Sul,[4] tendo sido eleita no ano de 2002, por concurso popular, como a música símbolo do estado.[5][6]

Ao longo de sua carreira, lançou três albúns: Geraldo Roca (1988), Litoral central (1997) e Veneno light (2003).[7] Participou, ainda, da coletânea GerAções (2006).[8]

É considerado um dos percursores do estilo musical polka-rock.[7]

Teve como grande referência o artista plástico Humberto Espíndola[9] e trabalhou junto a artistas da chamada Geração Prata da Casa da música sul-mato-grossense[10], como os irmãos Espíndola, Geraldo, Tetê, Alzira e Gilson. Inspirou o trabalho de músicos mais jovens, como as bandas Filhos dos Livres e o Bando do Velho Jack.[6][11]

Geraldo Roca foi criador da expressão Litoral Central para se referir à música e à cultura de raízes platinas, do interior meridional do Brasil, a parte mais ao sul da região Centro-Oeste.[12]

Carioca, nascido no Rio de Janeiro, mas de família sul-mato-grossense e tendo vivido a maior parte de sua vida no Mato Grosso do Sul, morreu na cidade de Campo Grande no ano de 2015, sob hipótese de suicídio.[13][14] Deixou dois filhos e, ainda, canções inéditas.[7]

Trem do PantanalEditar

Com seu parceiro Paulo Simões, compôs a famosa música "Trem do Pantanal", hino não oficial do estado do Mato Grosso do Sul. Em 1975 os dois moravam no Rio de Janeiro mas viajavam para Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, numa cabine dormitório do Trem do Pantanal da NOB que ia até Corumbá, e dalí embarcaram no chamado Trem da morte boliviano.[15] Durante essa viagem tiveram a ideia de compor a canção, que não chamaram inicialmente "Trem do Pantanal", deram um titulo provisório de "Trilhos da Terra", mas com a fama mundial do Pantanal convenientemente o título definitivo ficou como "Trem do Pantanal". Só compuseram a primeira estrofe nessa viagem, em meia hora de trabalho, conforme várias entrevistas que Roca deu a Internet. O ambiente da viagem, a angústia da fuga da Ditadura, os induziu a compor essa canção, conforme as próprias palavras de Roca em entrevistas, as referências a "mais um fugitivo da guerra" na música são porque Paulinho fugia dos militares do Golpe de Estado de 1964, que tinham atacado a célula do PCB no Rio de janeiro a qual Paulinho frequentava em 1975 - apesar de tão jovem, na época os dois eram adolescentes com aproximadamente 17 anos. Nessa época nem faziam shows nem eram famosos, só tocavam em casa e com amigos, mas a partir de 1976 começaram a lutar por sua divulgação, por shows, etc. No inicio não tiveram sucesso com a música mas nas últimas décadas, com a gravação de Almir Sater e muitos outros cantores, ficaram surpreendidos com a repercussão da música.

No inicio de suas carreiras se apresentaram num festival no Mato Grosso do Sul, com a música "Trem do Pantanal", mas ela foi desclassificada porque foi acusada de subversiva pelas palavras "mais um fugitivo da guerra", que se referiam a "fugitivo da Ditadura", segundo o entendimento dos jurados. Eles só souberam do motivo da desclassificação muitos anos depois pois a referencia à Ditadura Militar era bem velada.

Geraldo e Paulinho seguiram em carreiras solo, apesar da dupla do inicio.

Roca calculou, em 2014, que suas composições foram gravadas 100 vezes, entre cantores, orquestras e bandas.[carece de fontes?]

Roca é um dos compositores mais gravados e influentes do Mato Grosso do Sul, autor também de "Uma pra estrada", "Polca outra vez", "Japonês tem três filhas", "Mochileira", entre outras.

Ele mistura em suas composições ritmos regionais e elementos da música folk e do rock, com uma lírica realista própria, onde mistura elementos beatniks, tropicalistas, e com traços até dadaísta, tudo numa tonalidade de cores regionais.

Roca é carioca de nascimento mas sua familia tem fazendas no Mato Grosso do Sul, daí sua ligação com a região. Em 1988 mudou-se do Rio para a capital do Mato Grosso do Sul, devido ao sucesso desta musica.[carece de fontes?]

Morreu em 25 de dezembro de 2015, em sua casa, com um tiro na cabeça.[16]

DiscografiaEditar

LPEditar

AlbunsEditar

  • Litoral central (1997)
  • Veneno light (2003)

ParticipaçãoEditar

Referências

  1. Juliene Katayama (25 de dezembro de 2015). «Corpo de Geraldo Roca, compositor de 'Trem do Pantanal', é velado em MS». G1. Consultado em 23 de maio de 2021 
  2. «Geraldo Roca - Biografia». Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Consultado em 29 de fevereiro de 2016 
  3. a b Teixeira, Rodrigo (14 de março de 2007). «Geraldo Roca: Sobre Todos os Trilhos da Terra». Overmundo. Consultado em 23 de maio de 2021. Cópia arquivada em 20 de janeiro de 2021 
  4. GUIZZO, José Octavio (2012). Moderna música popular urbana de Mato Grosso do Sul [1982]. Campo Grande: Editoral UFMS ISBN 978-85-7613-385-8
  5. Dorsa, A. C. (2009). Uma visão intertextual e interdiscursiva do trem do pantanal. InterMeio: Revista do Programa de Pós-Graduação em Educação-UFMS, 15(30).
  6. a b Maciulevicius, Paula (11 de outubro de 2012). «Feita em meia hora, numa cabine, a música símbolo de MS: Trem do Pantanal». Campo Grande News. Consultado em 23 de maio de 2021 
  7. a b c d Teixeira, Rodrigo (29 de junho de 2016). «Geraldo Roca será homenageado no FIB com tributo de artistas de Mato Grosso do Sul em show especial». Fundação de Cultura. Consultado em 23 de maio de 2021. Cópia arquivada em 23 de maio de 2021 
  8. Teixeira, Rodrigo (14 de setembro de 2006). «CD GERAÇÕES: Clube da 'outra' Esquina». Overmundo. Consultado em 23 de maio de 2021. Cópia arquivada em 20 de maio de 2016 
  9. Teixeira, Rodrigo (17 de maio de 2006). «Os filhos de Humberto». Overmundo. Consultado em 23 de maio de 2021. Cópia arquivada em 29 de outubro de 2017 
  10. Teixeira, Rodrigo (2016). Prata da casa: um marco da música sul-mato-grossense. Campo Grande: UFMS. ISBN 978-85-7613-534-0 
  11. Geraldo Roca e a Música do Litoral Central, consultado em 23 de maio de 2021 
  12. Neder, Alvaro (2014). Enquanto este novo trem atravessa o Litoral Central. Rio de Janeiro: Mauad 
  13. Pavão, Gabriela (25 de dezembro de 2015). «Geraldo Roca, compositor de 'Trem do Pantanal', é encontrado morto». G1. Consultado em 23 de maio de 2021 
  14. Maciulevicius, Paula; dos Santos, Aline (26 de dezembro de 2015). «Adeus a Geraldo Roca tem emoção, lágrimas e Trem do Pantanal». Campo Grande News. Consultado em 23 de maio de 2021 
  15. Rodrigo Teixeira (14 de março de 2007). «Geraldo Roca: Sobre Todos os Trilhos da Terra». Overmundo. Consultado em 29 de fevereiro de 2016 
  16. Gabriela Pavão (25 de dezembro de 2015). «Geraldo Roca, compositor de 'Trem do Pantanal', é encontrado morto». G1. Consultado em 29 de fevereiro de 2016 
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