Germano Pisani e sua esposa Amélia Albé.

Germano Pisani (Caxias do Sul, 28 de março de 1903 — Caxias do Sul, 28 de dezembro de 1978) foi um empresário e político brasileiro e um benemérito do futebol, um dos fundadores e presidente do SER Caxias.

Descendente de imigrantes italianos radicados em Caxias, era filho de Antonio Pisani e Amalia Panigas, que possuíam uma madeireira e uma carpintaria.[1] Germano trabalhou com o pai quando jovem, e depois lançou-se em uma carreira independente abrindo uma fábrica de marmelada,[2] que em 1936 já era destacada entre as principais empresas da cidade por um jornal do Rio de Janeiro[3] e foi a origem de um grupo empresarial. Sua primeira indústria empregava engradados de madeira para embalagem e transporte, e a necessidade fez com que fundasse uma carpintaria para produção do material. Como na entre-safra havia pouca demanda, a carpintaria passou a produzir caixas e engradados para refrigerante e cerveja, estrados e outros itens para as empresas locais.[4]

A carpintaria evoluiu para uma forte madeireira, que na década de 1950 já fazia negócios de vulto e comprava em Lages, Santa Catarina, grandes quantidades de madeira. Ali a Madeireira Germano Pisani abriu uma filial em 1965, comprando a estrutura da Sociedade de Resserrados Catarinense, e prosperou, ensejando o batismo com seu nome do bairro que cresceu em seu redor.[2][5] Nos anos 1970, quando Germano se retirou da direção, assumida pela família Webber — associada aos Pisani por casamento de sua sobrinha Vilma Pisani com Orozimbo Webber, um dos diretores da influente Associação dos Comerciantes[6] —, deixava a madeireira como uma das maiores fornecedoras brasileiras de embalagens de madeira para a indústria de bebidas.[7]

Paralelamente à sua vida empresarial, Germano Pisani desenvolveu intensa atividade comunitária e esportiva.[8] Foi vereador pelo Partido de Representação Popular (1948-1951), na primeira legislatura depois de dez anos de recesso parlamentar sob o Estado Novo;[9] fabriqueiro da nova e monumental Igreja de São Pelegrino e um dos principais beneméritos da paróquia;[10] festeiro de São José e de São Cristóvão,[11] conselheiro do Orfanato de Santa Teresinha,[12] dono do Cinema Guarany, e participou da construção do Hospital Pompeia.[2]

Primeira diretoria da Liga Esportiva Caxiense: Leon Cia, Adelino Pauletti, Ricardo Cruz, Francisco da Cunha Rangel, Domingos Jorge, Arlindo Maia e Germano Pisani.

No futebol, foi presidente do clube Rio Branco;[2] um dos fundadores e primeiros dirigentes da Liga Esportiva Caxiense, que passou a organizar os campeonatos da cidade e disseminar a prática do esporte pela região;[13] um dos idealizadores e fundadores do Grêmio Esportivo Flamengo (atual SER Caxias), membro da primeira diretoria,[14] diretor de campo,[15] diretor esportivo,[16] conselheiro,[17] três vezes vice-presidente,[18][19][20] presidente duas vezes (1936 e 1941),[21] e presidente da comissão para a construção do seu primeiro estádio.[22] Décio Vianna testemunhou em 1954 que ele não apenas dirigiu os trabalhos mas também engajou-se pessoalmente nas obras: "Ainda sábado à tarde víamos, por exemplo, um Germano Pisani, de mangas arregaçadas, roupa suja como um autêntico obreiro em plena faina, marretando duro lá no campo do Flamengo".[23]

Foi casado com Amélia Albé. Não tendo filhos naturais, criaram Irma Moretto, que depois casou-se com Lauro de Carvalho, industriário, cronista esportivo e presidente do Esporte Clube Juventude, deixando descendência.[24] Em 1980, após sua morte, foi inaugurado um busto diante da fábrica caxiense.[25] Em 2014 sua memória foi homenageada pelo clube ao qual dedicou muitos esforços, sendo chamado de "o primeiro patrono da S.E.R. Caxias e figura importante para a cidade de Caxias do Sul". Na ocasião foram entregues uma camiseta e uma placa para sua filha adotiva Irma Moretto de Carvalho e seu neto Newton Carvalho.[2][21]

A empresa que ele fundou prosseguiu depois de sua retirada em uma trajetória em geral ascendente, passando por várias adaptações e mudanças. Em 1973 a Madeireira Pisani substituíra o material da produção pelo plástico, a partir de novas tendências de mercado e da joint venture com a empresa belga DW Plastics, sendo fundada a Plásticos Pisani S.A., com matriz em Caxias do Sul, que se especializou na produção de caixas plásticas para garrafas e alimentos, contentores industriais, pisos para granjas e móveis. Em 1995, por razões estratégicas, foi aberta uma fábrica em Pindamonhangaba. Em 1998 a LINPAC Mouldings Ltda, pertencente ao grupo inglês LINPAC, assumiu o controle, adquirindo 75% das ações, passando a chamar-se LINPAC Pisani Ltda. Em 2002 a empresa ingressou no segmento de autopeças. Em 2009 foi encerrado um processo de reestruturação e o controle voltou para a família juntamente com a CRP Companhia de Participações, que passaram a planejar uma expansão com mais duas novas fábricas e a especialização da unidade de Pindamonhangaba no setor de autopeças. Naquele ano sua carteira de clientes incluía desde pequenas padarias e agricultores até gigantes como a Brasil Foods, Marfrig, Coca-Cola, AmBev, Volkswagen, GM e Peugeot/Citröen, com um faturamento bruto anual de R$ 150 milhões. Em 2011 foi aberta uma fábrica no Recife.[26][27] Enquanto isso o ramo madeireiro baseado em Lages continuava em atividade, produzindo cercas, isoladores elétricos e caixas para peixe e hortifrutigranjeiros, mas o pico do movimento ocorreu entre as décadas de 1960 e 1970, quando a Madeireira Pisani chegou a ter mais de 300 funcionários. Depois de 2009 o declínio se acentuou e em 2012 trabalhavam cerca de 90 pessoas.[5] Em 2014 a assembleia geral aprovou um plano de falência, estando em recuperação judicial.[28]

Ligações externasEditar

Referências

  1. “Junta Comercial”. A Federação, 29/07/1921
  2. a b c d e "Família do primeiro patrono grená recebe homenagem na Confraria". Imprensa S.E.R. Caxias, 04/12/2015
  3. "Circulou hoje numero especial de Terra Fluminense". O Momento, 20/07/1936
  4. Madeireira Germano Pisani. A Pisani Madeiras.
  5. a b "Bairro Pisani construído por trabalhadores em 1957". Correio Lageano, 24/04/2012
  6. “Correspondencia Oficial”. O Momento, 08/11/1934
  7. "Pisani Ind. de Plásticos Ltda". Jornal O Presente Rural, 01/12/2009
  8. "O dia de hoje, 28 de dezembro, na história regional". Canguçu em Foco, 28/12/2012
  9. Centro de Memória da Câmara Municipal de Caxias do Sul [Geni Salete Onzi (org.)]. Palavra e Poder: 120 anos do Poder Legislativo em Caxias do Sul. Ed. São Miguel, 2012, pp. 62-63; 119
  10. “Igreja Matriz de São Pelegrino da cidade de Caxias do Sul”. O Momento, 22/04/1944
  11. "O resultado de uma greve". O Momento, 23/03/1946
  12. “Orfanato Sta. Terezinha”. O Momento, 07/09/1946
  13. "Liga Esportiva Caxiense". O Momento, 01/06/1936
  14. “Grêmio Esportivo Flamengo completou 15 anos de existência”. O Momento, 15/04/1950
  15. “Grêmio Esportivo Flamengo". O Momento, 11/05/1936
  16. "Desportos". A Época, 09/10/1938
  17. "G. E. Flamengo". O Momento, 07/08/1943
  18. “Grêmio Sportivo Flamengo". O Momento, 13/06/1935
  19. “Grêmio Sportivo Flamengo". O Momento, 28/06/1937
  20. “O Flamengo tem nova Diretoria”. A Época, 23/03/1941
  21. a b Brambilla, Miguel. "Última Confraria Grená de 2014 é sucesso". Sabe Caxias, 05/12/2014
  22. "Estádio do Flamengo". O Momento, 23/12/1950
  23. Vianna, Décio. "O Campo do Flamengo". A Época, 01/04/1954
  24. "Família do primeiro patrono grená recebe homenagem na Confraria". Imprensa SER Caxias, 04/12/2015
  25. "Grupo Pisani homenageou seu sócio fundador". Pioneiro, 28/05/1980
  26. “Pisani volta a ser controlada pela família fundadora”. Valor Econômico, 28/09/2009
  27. Hunoff, Roberto. "Pisani especializará unidade paulista". AutoData, 02/10/2009
  28. "Movimento falimentar". Clipping Sindivarejista, 11/12/2015