Igapó

bairro do Natal
Disambig grey.svg Nota: Se procura a vegetação característica da Amazônia, veja mata de igapó.

Igapó é um bairro da zona norte de Natal, capital do estado do Rio Grande do Norte. Com 28 819 habitantes no último censo, é o oitavo bairro em população da cidade e o quinto da zona norte,[1] Possui uma área de apenas 2,2 km²,[3] resultando em uma densidade demográfica superior a 13 000 hab/km².

Igapó
  Bairro do Brasil  
Localização
Localização de Igapó em Natal
Localização de Igapó em Natal
Unidade federativa  Rio Grande do Norte
Região administrativa Norte
Município  Natal
Características geográficas
Área total 2,2 km²
População total (2010) 28 819 hab.
Densidade 13 099 hab./km²
Outras informações
Taxa de crescimento 0,64% ao ano
(2000-2010)
Domicílios 8 500 (2010)
Rendimento médio mensal 0,95 salários mínimos
Limites Norte: Potengi e Nossa Senhora da Apresentação
Sul: São Gonçalo do Amarante
Leste: Salinas
Oeste: São Gonçalo do Amarante
Fonte: IBGE[1]/Prefeitura de Natal[2][3]

HistóriaEditar

Seu nome original era Aldeia Velha, herança do sitio que era a morada do Indio Potiguassu. A urbanização da área tem sua origem na década de 1900, ao redor do que hoje é a Praça São Vicente de Paula. Foi inicialmente ocupado por ferroviários, agricultores, vaqueiros e pescadores. Nessa época, tudo além rio pertencia a São Gonçalo do Amarante. Com a construção da estrada de ferro e depois da ponte de ferro, pertencente à via férrea, a ocupação se intensificou. Na década de 20, foi finalizada a construção da Igreja da Santa Cruz ou Igreja da Praça, como é popularmente conhecida.

Na época das primeiras habitações "civilizadas", o índio potiguara chamado Potiguassu foi o responsável pela interação entre os indígenas e os novos moradores, em geral ferroviários que vieram para a construção da linha que ligara a estação da coroa (estação para barcas no lado norte do rio Potengi, hoje demolida, de onde saiam e chegavam barcas do Cais da Rua Tavares de Lira, na outra margem) aos interiores do estado. Esta primeira linha hoje é reduzida à ligação entre Natal — Ceará-Mirim). Nessa época, o trem trazia, além de pessoas, gado da baixa verde, algodão de Lajes, cana de Ceará-Mirim e sal da região salineira de Macau, e posteriormente a construção da ponte de ferro.

O índio teve seu nome dado à primeira escola pública do bairro, em homenagem aos seus feitos. Até os anos 60 era um bairro exclusivamente rural, assim como toda a Zona Norte, perecia a São Gonçalo do Amarante e concentrava a população às margens da ferrovia. Assim como boa parte da Zona Norte, foi afetado pela expansão imobiliária dos conjuntos habitacionais na segunda metade dos anos 70, quando a primeira parte do Conjunto Igapó foi construída, à direita da estrada da Redinha. Esse conjunto, em sua maioria, foi vendido a funcionários públicos.

Todo o lado esquerdo e parte, hoje bairro Jardim Lola, São Gonçalo do Amarante, e parte do lado direito da estrada que levava a Ceará Mirim era da Família Cavalcante Sant'Iago, a qual, na história mais recente, era formada pelo casal Adalgiso Sant'Iago e Josefa Cavalcanti, que tinha 03 (três filhos) João, José e Maria da Glória.

Na década de 80, após a morte de Dona Fefita, como era conhecida Josefa Cavalcanti Sant'Iago, foi completamente loteado e vendido para permitir a expansão urbana, formando o bairro de Jardim Lola, pertencente ao município de São Gonçalo do Amarante (Lola era o apelido da mãe de Fefita), porém é chamado por alguns de Igapó. Com razão, pois os limites dos municípios ainda não estavam bem definidos. Os assentamentos cartoriais de várias residências ainda se encontram nos cartórios da vizinha São Gonçalo do Amarante. A venda de parte dessas terras trouxe mais famílias para região.

Igreja de Santa CruzEditar

 
Capela da Santa Cruz

A capela de Santa Cruz, no Igapó, foi inaugurada em 11 de julho de 1920, pelo Monsenhor Alfredo Pegado, e entregue aos Missionários da Sagrada Família, responsáveis pela Paróquia de São Pedro Apóstolo, no Alecrim. Antes havia uma capelinha de Nossa Senhora de Soledade, que teve suas estruturas abaladas com o início das operações da linha férrea na região. Por isso, ficou decidida a construção de uma capela mais acima.

No final dos anos 60, a igreja foi entregue para o Padre Tiago Theisen, belga que veio para o Brasil, como outros tantos padres europeus, movimento migratório que foi narrado na música Cidadão do Infinito, de Padre Zezinho. Nessa época os olhos da cidade se viravam para além rio, e os conjuntos habitacionais que começaram a ser construídos a partir de 1975 vinham acompanhados de uma igreja católica, o que culminou na criação da Paróquia de Santa Maria Mãe, com sede no Conjunto Santa Catarina e a capela passou a integrar a nova paróquia.

ComércioEditar

 
Unidade do Atacadão no bairro Igapó

Possui um comércio variado, principalmente na Av. Tomaz Landin, próximo ao "gancho", onde faz limite com Jardim Lola e Amarante, bairros de São Gonçalo do Amarante, cidade vizinha. Na região do gancho, foi inaugurado em 2021 um complexo viário, objetivando desafogar o trânsito da região e promover mais segurança às pessoas.

Perpendicular, se encontra a Av. João Medeiros Filho, que concentra, na área do bairro, residências e comércios. Divide o bairro ao meio. Atualmente, vem sendo invadido por grandes empreendimentos comerciais, a exemplo do Atacadão (foto), entre outros. A área do conjunto financiado pela CEF nos aos 80 é totalmente saneada.

TransporteEditar

O bairro é bem servido de linhas de ônibus e alternativos, apesar de não possuir um sistema de transporte próprio, dependendo das linhas dos outros bairros da zona norte. Este bairro é também atravessado pela linha norte do Sistema de Trens Urbanos de Natal, possuindo uma estação de trem.

Ponte de Igapó

Nesse bairro fica localizada a Ponte de Igapó, que na verdade é Ponte Presidente Costa e Silva (mais conhecida como Ponte de Igapó, em referência ao bairro onde a ponte está localizada, ou ainda Ponte Velha, em referência a ponte nova, Ponte Newton Navarro, Ponte de Todos ou Ponte Forte-Redinha). A finalidade da ponte é ligar a Zona Norte de Natal ao restante da cidade, passando pelo Rio Potengi que corta a cidade.[carece de fontes?]

Na realidade, há duas pontes: a primeira, cuja construção iniciou em 1913 e teve sua conclusão em 1915. Foi inaugurada em 20 de abril de 1916 e era totalmente de ferro e possuia uma via para a linha férrea, complementada com taboas e depois aço para permitir a passagem de veículos. Sua função era a de permitir a passagem dos trens da Estrada de Ferro Central vindos de Lages e Macau, facilitando o transporte entre a Capital e o interior do Rio Grande do Norte, que até então só era possível transpondo-se o Rio Potengi por meio de embarcações. Construída durante o governo do Des. Ferreira Chaves. Possuía uma extensão que totalizava 550 metros, com nove vãos de 50 metros e um de 70.

Devido ao crescimento urbano da Zona Norte e o alto tráfego de fluxo de carros indo para aquela zona, a estrutura metálica foi deixada de lado, e ao lado dela, foi construída uma segunda ponte de concreto com sustentações de concreto e ferro. Essa segunda ponte foi concluída em 1970, na administração de Mons. Walfredo Gurgel, e contava com uma via simples para carros, uma para pedestres e uma via férrea. Posteriormente, foi duplicada e entregue ainda nos anos 80. [carece de fontes?] Segundo narrativas de antigos moradores do Igapó, passear na ponte de concreto antes da sua inauguração era um "programa badalado" entre os moradores. Muitos trabalharam ou acompanharam de perto a construção.

Hoje, além da nova Ponte Newton Navarro, a estrutura metálica é um símbolo e cartão postal informal da Zona Norte. Entretanto, a estrutura de ferro continua abandonada e enferrujada.

Viaduto de Igapó

O Complexo Viário Ulisses de Góis, mais conhecido como Viaduto de Igapó, faz o encontro das avenidas Tomás Landim (através de um viaduto), e a Av. João Medeiros Filho (através de um túnel), direcionando o fluxo para a Ponte de Igapó. A obra desse complexo foi executada pelo Departamento de Estradas e Rodagem do Rio Grande do Norte, iniciada no segundo semestre de 2001 e entregue somente em dezembro de 2002, inicio e fim no governo de Fernando Freire. O complexo não segue o projeto original, pois várias das 67 desapropriações que deveriam ter sido executadas, não chegaram a acontecer. Um exemplo disso, é a Escola Municipal José Soreto que estava na lista de desapropriação, mas funcionou normalmente até meados de 2011.

Viaduto do Gancho

Localiza-se no limite com o município de São Gonçalo do Amarante, região historicamente conhecida como Gancho de Igapó. Promove fluxo de pessoas a pé ou em veículos entre as Avenidas Bel. Tomaz Landim, a BR 101 Norte, a Avenida das Fronteiras e a RN 160, completamente sem semáforos, apenas com segregação vertical das vias e sinalização. Era obra da Copa do Mundo de 2014, mas só foi concluída em 2021. [4]

Referências

  1. a b IBGE. «Tabela 202 - População residente, por sexo e situação do domicílio». Consultado em 12 de novembro de 2021 
  2. «Conheça melhor seu bairro: Igapó» (PDF). 2012. Consultado em 12 de novembro de 2021 
  3. a b «Conheça melhor seu bairro: Região Administrativa Norte» (PDF). 2017. Consultado em 12 de novembro de 2021 
  4. [1]
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