Igreja Católica na Abcásia

A Igreja Católica na Abcásia[1][2][3][4][5][6] (também grafada Abecásia[7][8], Abecázia,[8] Abcázia,[9] ou ainda Abkházia[10]) é parte da Igreja Católica universal, em comunhão com a liderança espiritual do Papa, em Roma, e da Santa Sé. Vale lembrar que essa é uma região que visa separar-se da Geórgia, e não constitui um país independente, não sendo reconnhecido pela maioria da Comunidade Internacional.[11]

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Abcásia
Igreja de São Simão Zelote, em Sukhumi
População total 243.206
Católicos 1,000

O catolicismo é a terceira maior denominação cristã no território da República da Abecásia, sendo que a maioria dos cristãos abcásios é ortodoxa. Devido ao reconhecimento parcial da Abecásia, a administração católica vem de dioceses da Rússia. A Igreja Católica na Abcásia consiste principalmente de mais armênios, poloneses e expatriados que vivem na região. A Santa Sé não tem relações diplomáticas com a Abcásia, mas desfrutou de duas visitas de alto nível do núncio apostólico.

HistóriaEditar

Nos séculos XIII e XIV comerciantes genoveses estabeleceram suas empresas comerciais na Abcásia. Com os mercadores, vieram missionários de várias ordens religiosas católicas. A presença da Igreja Católica na Abcásia está intimamente ligada à história do catolicismo na Geórgia. Em 1240 o Papa Gregório IX enviou à rainha georgiana os missionários rusudanos da ordem monástica dos franciscanos. Em 1328 Papa João XXII estabeleceu em Tbilisi ​​uma diocese católica em cujo território também incluía Abcásia. Em 1507, a Diocese de Tbilisi, da Igreja Católica, foi abolida. Em 8 de novembro de 1632, os católicos que viviam na Abcásia foram anexados à jurisdição do bispo de Isfahan. No século XVI, os católicos armênios, que estavam sob os cuidados da Igreja Católica Armênia, começaram a se estabelecer no território da Abcásia. Em 1626, os missionários chegaram à Geórgia da ordem monástica dos teatinos, que lá permaneceram até 1700.

Após a anexação do leste da Geórgia em 1783 pelo Império Russo, o governo russo expulsou os carmelitas, que estavam na Geórgia desde 1661. Em 1850 os católicos abecásios estavam sob a jurisdição da Diocese de Tiraspol. Na segunda metade do século XIX, após distúrbios ocorridos na Polônia, os exilados imigraram e fundaram numerosas comunidades católicas. Em 1908 eles construíram uma pequena igreja católica em homenagem a São Simão, o cananeu, que permanece intacta até os dias atuais.

Após o estabelecimento na Geórgia, em 1921, os católicos abecásios soviéticos foram perseguidos. Muitos crentes foram perseguidos. A igreja de Sukhumi foi fechada até 1993. Depois da guerra da Abcásia em 1993, a comunidade católica de Sukhumi foi transferida para os cuidados da Diocese de São Clemente em Saratov. O reitor da paróquia católica na cidade de Sukhumi foi nomeado reitor de Sóchi, da chegada dos apóstolos Simão e Tadeu, ministro Bogdan Severin, que fez visitas periódicas a Sukhumi, sermões e prestação de assistência caritativa aos católicos locais. Serviços católicos foram realizados naquele tempo no clube Sukhumi Botanical Garden. Em 1996 a igreja foi transferida para a comunidade católica sobrevivente. Desde aquela época, começou-se a fazer as celebrações regularmente.

AtualmenteEditar

Atualmente a comunidade católica da Abcásia tem 150 pessoas (80 dessas pessoas vivem em Sukhumi). A maioria delas são armênios e poloneses. Existem pequenos grupos de católicos em Gagra e Pitsunda. Em Sukhumi está o padre católico residente Jerzy Pillas e a Caritas Católica. Após o reconhecimento parcial do status canônico da Abcásia, a comunidade católica em Sukhumi não está definida. Atualmente, a paróquia católica em Sukhumi estava sob a jurisdição da Administração Apostólica do Cáucaso.

A Abcásia teve duas vezes uma visita oficial do núncio papal, Claudio Gugerotti, em outubro de 2005 e 4 de janeiro de 2006, quando se reuniu com lideranças abecásias. Na decisão de 2011 do governo da Abcásia, a comunidade católica em nome de São Simão Zelote, em Sukhumi foi contemplada com o uso gratuito do edifício da igreja, parte de uma série de patrimônios históricos e culturais da Abcásia. Não há relações diplomáticas entre a Santa Sé e a Abcásia.

Referências

  1. A "Décima edição - revista corrigida, muito aumentada e actualizada - do Grande Dicionário da Língua Portuguesa" (12 volumes, 1949-1959) regist(r)a, para o povo e a língua, as formas (adjetivo, substantivo e etnônimo) "abcásio" (relativo ou pertencente aos Abcásios") e "Abcásios" ("povo da Transcaucásia, na costa do Mar Negro").
  2. Grande e Novíssimo Dicionário da Língua Portuguesa, de Laudelino Freire (Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre), Editora José Olympio (1954): Abcásios, ou Abkasios, ou Abkhazios: povo da Transcaucásia, na costa do Mar Negro
  3. A Enciclopédia Lello Universal (Porto, 1978) grafa "Abcásia" como "pequena república hoje anexada à Geórgia", e abcásios como "povo do Cáucaso Ocidental".
  4. «Dicionário Priberam da Língua Portuguesa: "abcásio" (sinônimo: "abcázio"), relativo à região da Abcásia (ou Abcázia), região do Cáucaso, junto ao Mar Negro». Consultado em 17 de agosto de 2016 
  5. «Infopédia: "Geórgia". Porto Editora, 2003-2015» 
    Citação: "Em julho, um novo conflito surgiu, quando a República Autónoma da Abcásia... "
  6. «Abcásia é forma usada pelo Ministério das Relações Exteriores e demais órgãos do Governo no Brasil». Arquivado do original em 10 de julho de 2015 
  7. «Forma raramente usada pela União Europeia (em 13 documentos, contra mais de 300 documentos da União Europeia usando "Abcázia")» 
  8. a b Prokopyshyn, Ana Carina (16 de outubro de 2008). «Os gentílicos de Ossétia e Abecásia/Abecázia». Ciberdúvidas da Língua Portuguesa. Consultado em 9 de março de 2015 
  9. Grande Dicionário Delta Larousse, verbete abcázio (adj. e s.m.): que se refere ou pertence aos abcázios, ou indivíduo dos abcázios, povo caucasiano que vive na margem E. do mar Negro, entre os rios Oshari e Gagri
  10. Ciro Campos (9 de junho de 2018). «Ao lado da seleção brasileira, um vizinho rebelde e sonhador». Folha de S.Paulo. Consultado em 9 de junho de 2018 
  11. «Além da Crimeia, quatro outros territórios da região buscam liberdade». G1. 16 de março de 2014. Consultado em 20 de outubro de 2018 

Ver tambémEditar