Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos (Pirenópolis)

igreja em Pirenópolis, Goiás

A Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos foi um templo católico em Pirenópolis, Goiás, dedicado à população negra da cidade, proibida de frequentar as outras igrejas devido à segregação racial vigente na época. Foi construída entre 1743 e 1757 e demolida em 1944 por ordem da autoridade diocesana. Localizava-se onde hoje está a Praça do Coreto, que possui um memorial em sua homenagem. Era a igreja da cidade que continha mais altares (sete) os quais, segundo Jarbas Jayme, eram "artisticamente cinzelados e de custosa e belíssima arquitetura". Seu altar-mor hoje encontra-se na Igreja Matriz e seus dois altares colaterais estão hoje na Igreja do Carmo.

Vista da Igreja do Rosário, por volta de 1886.

HistóricoEditar

 
Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, escultura barroca do século XVIII, pertencente à Igreja dos Pretos; hoje encontra-se na Igreja do Carmo.

Foi edificada entre 1743 e 1757, conforme atestam os dois únicos documentos disponíveis. Foi construída por milhares de escravos na época em que a mineração era a principal atividade econômica da cidade. Possuía um estilo genuinamente colonial. O altar-mor tinha entronizada a imagem de Nossa Senhora do Rosário, hoje abrigada na Igreja do Carmo. Nos dois nichos laterais do altar-mor ficavam as imagens de São Rafael e São Bento. Ambas as imagens se encontram na Matriz. O altar-mor chegou a ser vendido. No entanto, a reação enérgica da população local evitou que ele fosse transportado para São Paulo. Ele hoje encontra-se montado na Matriz. O altar lateral direito era dedicado a São Sebastião, cuja imagem, levada para a Igreja do Bonfim, foi de lá furtada em 1978. O altar lateral esquerdo era dedicado a São Benedito, cuja imagem hoje se encontra na Matriz.

 
Imagem de São Benedito, peça barroca do século XVIII, pertencente a Irmandade São Benedito, venerada no Juizado na Igreja Matriz de Pirenópolis

Com o fim do ciclo do ouro veio o ciclo do agro-pastoreio e o empobrecimento geral da cidade. Apesar disso, a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos empenhou-se durante mais de um século e meio para preservar o santuário. Durante mais de cem anos, a igreja possuiu apenas uma torre, do lado poente. Em 1870, foi construída uma segunda torre, do lado nascente. Nessa ocasião foram realizados trabalhos de restauração no telhado e nas paredes, por dentro e por fora. Em 1886, foi transferido da Igreja Matriz para a Igreja do Rosário, o antigo relógio de repetição, primeiro regulador público de Pirenópolis. A partir de 1889, com a aprovação da Lei Áurea, a miséria da população negra da cidade cresceu e foi transmitida a seus descendentes, aos quais faltaram verbas para manter limpo, conservado e bem cuidado o templo de seus antepassados.

No século XX sofreu alterações onde foram destruídas torres, sacristia e consistório, passando sua fachada do estilo colonial para neo-gótico, ocasionado futuramente sua demolição em 1944, sendo os dois altares laterais e o altar-mor levados para a Igreja do Carmo e o sino para a Igreja do Bonfim. Imagens, alfaias, paramentos, móveis e demais pertences do templo foram repartidos entre essas três igrejas ainda hoje existentes na cidade. Em 2002, após incêndio na Matriz, o altar-mor foi montado naquela Igreja.

ReferênciasEditar

  • Jayme, Jarbas (1895-1968) - Esboço Histórico de Pirenópolis.
  • Matos, Raimundo José da Cunha - Corografia histórica da província de Goiás.
  • Saint-Hilaire, Auguste de (1779-1853) - Viagem à Província de Goiás.
  • Jayme, Jarbas e Sizenando, José - Pirenópolis: Casa de Deus, Casa dos Mortos.

Ligações externasEditar