Impacto da tecnologia nos protestos

A tecnologia está cada vez mais adentrando na vida do ser humano. Não é diferente nos protestos, que vem acontecendo com mais frequência e escala nessa década de 2010-2019. Essa intensificação dos protestos se dá por alguns fatores, um deles é a crescente tendência dos governos atuais: tomar medidas anti democráticas, fascistas e/ou autoritárias.

Além disso, podemos destacar mais um motivo para essa intensificação dos protestos: a revolução da informação. Isso levou o mundo a ter uma fluidez e velocidade de informação numa crescente diretamente proporcional a evolução da tecnologia.

Revolução da informação e protestosEditar

Graças a era da revolução da informação, que recomeçou em meados de 1980, foi possível que as pessoas conseguissem entrar em contato umas com as outras, em qualquer lugar do mundo, de forma anônima e segura.

Entre 1986 e 2007, teve um aumento de 30% ao ano na capacidade de troca de informação e um aumento de 60% ao ano na capacidade computacional[1]. Esses são são alguns dos fatores que contribuiram para essa facilidade de comunicação. Dentre os exemplos de sistemas que permitem essa comunicação, podemos destacar 3: a ferramenta TOR, Telegram e as redes sociais. Além disso, uma consequência direta dessa revolução, na economia, foi uma mudança no capitalismo, gerando o chamado Capitalismo informacional [2]

TOREditar

O Tor (The Onion Router) é um navegador web que usa um sistema que proporciona navegação anônima e segura na dark web. Apesar de ser mal vista por muitos, é uma ferramenta que possibilita a comunicação entre pessoas que vivem em regiões com sistemas de governos autoritários e opressores. Recentemente, a BBC colocou seu conteudo no TOR, alegando que todos tinham o direito a informaçao.

Para garantir a proteção, o TOR, que tem esse nome por que, assim como na cebola(Onion em inglês), tenta criar camadas de comunicação, repassando as requisições de usuários em usuários, até chegar no destino final da requisição. durante todo o processo, as mensagens estão criptografadas com os protocolos de stream cipher, chave pública cipher, protocolos de Diffie-Hellman e a função da chave[3]

TelegramEditar

O Telegram é um aplicativo de troca de mensagens que consegue criar uma comunicação um pouco menos segura que o tor, criando um sistema de mensagens criptografadas. Em compensação, é bem mais simples de usar e tem um sistema de deletar automaticamente as mensagens. É usado, entre outras coisas, para divulgação de estratégias de protestos. Porém não é tão seguro assim, vide um caso recente que aconteceu no Brasil, onde o jornal The Intercept divulgou conversas de telegram do ministro Sérgio Moro, mostrando uma colaboração ilegal com o procurador procurador Deltan Dallagnol sobre a prisão do ex-presidente Lula[4]

Redes sociaisEditar

Recentemente, o Twitter e Facebook anunciaram que baniram quase 1.000 contas vinculadas a ataques do governo chinês aos protestos de Hong Kong, além de suspender temporariamente aproximadamente 200.000 contas. O motivo foi a manipulação[5]. Porém, as redes sociais tem responsabilidade no controle de fakenews e o facebook, por exemplo, não dá o devido valor a essa responsabilidade, não fazendo basicamente nada a respeito[6].

HackativismoEditar

O hackativismo é uma das formas mais diretas de usar a tecnologia em favor dos protestos. Afinal, como a própria definição diz, hacktivismo é escrever os códigos ou manipular os bits para ideologias políticas, a fim de promover a liberdade de expressão e direitos humanos. Os 2 maiores grupos hacktivistas da atualidade são os Anonymous e o Wikileaks.

AnonymousEditar

Recentemente declarou guerra ao ISIS [7] , denunciando várias contas em redes sociais, além de informações sensíveis.

WikileaksEditar

Foi fundado em 2006 e, em 2008, publicou mais de 10.000 documentos de políticos inglêses que tentaram banir imigrantes de estados mulsumanos. Ganhou notóriedade em 2010 quando denunciou ao mundo os absurdos praticados pelo Estados Unidos na guerra do Iraque, que deixou mais de 60.000 civís mortos. Em 2016, denunciou emails da candidata a presidente Hilary Clinton, no qual falava mal do candidato Barnie Sanders por querer fazer acordos climáticos em Paris.[8]

Impacto da tecnologia nos protestos ao redor do mundoEditar

Podemos observar esse crescimento de protestos no neoliberalismo[9] francês, chinês, chileno, brasileiro, espanhol, entre outros... No caso da França, acabou gerando, entre outros protestos, os incendiários coletes amarelos[10]. No caso da China, gerou os protestos de Hong Kong[11]. Já no Brasil, apesar de não ter sido o maior protesto da década no país, vale destacar o que os índios fizeram em 2017

Tecnologias nos protestos do BrasilEditar

Com a evolução da tecnologia e com ela cada vez mais presente nas nossas vidas, foi criado uma dependência das pessoas mediante essas tecnologias. Foi baseado nisso que o grupo indígena do Brasil, o Guaraní, em 2017, para chamar atenção para as causas dos povos originários, cortou uma antena de TV e as luzes no Pico do Jaguará, o ponto mais alto de São Paulo. Após a informação dos possíveis acidentes aéreos que o corte das luzes poderiam gerar, eles ligaram de volta para preservação da vida(mas mantiveram os sinais de TV’s desligados)[12]

Tecnologias nos protestos em Hong KongEditar

Os protestantes, que começaram por causa de uma nova lei de extradição que fere os direitos e a liberdade dos moradores de Hong Kong, apesar de terem ganho boa parte de suas causas, não foi suficiente para parar. Até conseguirem ganhar as causas, a repressão da polícia foi grande, além de outras alegações. Os protestos continuaram. Esses protestos foram marcados, também, pela integração da tecnologia, tanto na parte dos protestantes quanto do governo.

Dentre essas características dos protestantes, podemos destacar:

Ativismo OnlineEditar

Boa parte das ideias dos protestos foram criadas em um forum online chamado LIHKG, com decisão popular[13][14]. Além disso, o telegram foi amplamente usado para se comunicar de forma criptografada numa tentativa de manter afastada a espionagem do governo, que está cada vez mais tentando fiscalizar o dia a dia da população.

Outra coisa foi a criação de um APP chamado "HKmap.live", que usa crowdsourcing para buscar a localização dos policiais e dos protestantes

ddoxingEditar

É uma tatica que busca disseminar informações pessoais do alvo. No caso de Hong Kong, além do grupo Anonymous ter espalhado dados de mais de 600 oficiais[13], o New York Times[15] noticiou que tinha um grupo de Telegram chamado “Dadfindboy”, com mais de 50.000 inscritos, contendo imagens e informações de familiares de oficiais, revelados juntamente a uma linguagem abusiva[16].

AirDropBroadcastEditar

Utilizam a ferramenta AirDrop, da Apple, que consegue transferir dados de iOS’s e iOS’s localmente, para espalhar a realidade do local para os turistas. Para conseguir isso, eles atraiam os turistas com o QR code dizendo que era dinheiro grátis, mas quando o QR code era processado, as informações sobre a realidade dos protestos apareciam.

P2P mesh broadcastingEditar

Sob as condições atuais, o SMS, Email e WeChat[17] são monitorados pelo estado facilmente, além das ameaças de cortar a internet sob estado de emergência[18], os protestantes criaram meios de comunicação alternativos, que é o caso da internet de smartphones ad hock. Através de um software chamado Bridgefy, que cria uma rede de network via bluetooth. Apesar de não ser seguro, é uma via alternativa que envia dados criptografados quando tem uma mensagem direcionada para um destinatário em específico

CrowdfundingEditar

Lançamentos de crowdfounding foram realizados. Segundo o New York Times, até junho, $700.000 dolares foram arrecadados para propagandas internacionais, na expectativa de levar o assunto ao G20.[19]

Tecnologias e protestos na EspanhaEditar

Na espanha aconteceu uma série de protestos do povo da Catalunia. Quem está organizando os protestos são um grupo intitulados de Tsunami Democratic[20] que pede por sua independência. Para isso, eles construiram um APP de comunicação para dispositivos Android que funciona da seguinte maneira: o sistema avisa onde estão acontecendo os protestos em grupos, individuais e onde estão os policiais. Cada pessoa que é convidada ao APP recebe um QR Code que dá direito a convidar apenas uma pessoa a mais para o aplicativo, essa medida foi tomada para evitar que policiais infiltrados entrassem no sistema.

Referências

  1. Hilbert, M.; Lopez, P. (2011). «The World's Technological Capacity to Store, Communicate, and Compute Information». Science. 332 (6025): 60–5. PMID 21310967. doi:10.1126/science.1200970 
  2. CASTELLS, Manuel. A Sociedade em Rede – A era da informação: economia, sociedade e cultura V1
  3. «Tor Protocol Specification o AI-5». TorProject 
  4. «Sergio Moro e a Lava Jato». The Intercept 
  5. «Twitter and Facebook crack down on accounts linked to Chinese campaign against Hong Kong». The Guardian 
  6. «Facebook could tackle fake news but chooses not to, regulator says». The Guardian 
  7. «anonymous in war with ISIS». The Guardian 
  8. «Wikileaks: Document dumps that shook the world». bbc 
  9. «história do neoliberalismo». bbc 
  10. «Just who are the gilets jaunes?». The Guardian 
  11. «The Hong Kong protests explained in 100 and 500 words». BBC 
  12. «Índios guarani desligam antenas de transmissão de TV e celular em SP» 
  13. a b «The organisation and future of Hong Kong's 'open source' anti-extradition law movement». Hong Kong Free Press 
  14. Banjo, Shelly; Lung, Natalie; Lee, Annie; Dormido, Hannah. «Hong Kong Democracy Flourishes in Online World China Can't Block». Bloomberg. For Hong Kong, this is all new—not least because Telegram and LIHKG were essentially niche products just a few months ago. In July alone, Telegram became the city's seventh-most downloaded app from No. 88 a year earlier, according to mobile data provider Sensor Tower. LIHKG usage surged tenfold from the year before. 
  15. Mozur, Paul; Stevenson, Alexandra. «Chinese Cyberattack Hits Telegram, App Used by Hong Kong Protesters». The New York Times 
  16. Mozur, Paul. «In Hong Kong Protests, Faces Become Weapons». The New York Times 
  17. «WeChat, o app faz-tudo que mudou a vida dos chineses». Veja 
  18. Banjo, Shelly. «How Hong Kong Protests Could Lead to Internet Cut Off». Bloomberg. Hong Kong's Chief Executive Carrie Lam has said all options are on the table as she tries to quell the pro-democracy demonstrations that have rocked the city for months – including invoking a colonial-era law that grants her broad powers similar to martial law. The last time it was used, in 1967, there was no internet. This time the law could be used to order the blocking of messaging apps or websites favored by protesters, or even to disrupt internet service entirely ... The law was written almost a century ago and has only been invoked once – during Hong Kong's 1967 riots. That was well before the internet was created. But the authority granted specifically covers 'the control and suppression of publications, writings, maps, plans, photographs, communications and means of communication.' 
  19. «Protesters in Hong Kong Have Changed Their Playbook. Here's How.». New York Times 
  20. «what is tsunami democratic». CatalanNews