Intervalo (cinema)

Intervalo é um conceito de cinema criado pelo diretor soviético Dziga Vertov, inspirado no termo homônimo na música. O intervalo cinematográfico é definido, de acordo com Vertov, como "movimento entre as imagens".[1]

IntroduçãoEditar

Em música, um intervalo é a distância entre duas notas, mensurável pela relação de suas frequências. O ouvido um pouco treinado consegue reconhecer e apreciar tais intervalos. Assim, "a música joga concretamente com o que é apenas uma relação abstrata (aritmética).[2]

Teoria de VertovEditar

É essa última observação que deu lugar à utilização metafórica do termo intervalo para designar a distância entre duas imagens moventes (dois planos), segundo teorizou o cineasta Dziga Vertov. Embora tal distância não fosse mensurável como aquela de dois sons, Vertov propunha, no entanto, fazer dela o fundamento de um tipo de cinematografia não narrativa e até mesmo não ficcional, no qual a significação e a emoção surgiriam da combinatória de tais relações abstratas.[2]

Essa teoria de intervalos no cinema foi esboçada apenas pelo realizador soviético, mas os escritos de Vertov sobre o assunto e seus filmes mostravam que ele queria aplicá-la tanto a planos sucessivos (intervalo "melódico") quanto a imagens simultâneas (intervalo "harmônico" - como demonstraram as sobreposições múltiplas de "O homem e sua câmera", de 1929).[2]

DefiniçãoEditar

Vertov definiu o intervalo como "movimento entre as imagens",[1] conforme três pontos de vista complementares:

  • molecular: o intervalo como diferença e correlação entre duas imagens, em termos de dimensões de quadro, de ângulo, de movimento, de luz, de velocidade, entre outros.
  • molar (global): o intervalo como conjunto composto de correlaçõs parciais.
  • biológico e ideológico: o intervalo como cálculo do "itinerário mais racional para o olho do espectador", da "fórmula visual que melhor expressa o tema essencial do filme".

Ver tambémEditar

Referências

  1. a b VERTOV, Dziga: "Articles, journaux, projets", Trad. fr. UGE
  2. a b c AUMONT, Jacques e MARIE, Michel: "Dicionário teórico e crítico de cinema", Papirus Editora, Campinas, 2003, páginas 171-172
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