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A Irmandade Fusquenlla foi uma irmandade formada em 1431 nas terras do nobre Nuno Freire de Andrade, o Mau, por causa da extrema dureza com que este tratava os seus vassalos. A irmandade iniciou uma revolta nas áreas de Pontedeume e Betanzos que se estende a outras comarcas dos bispados de Lugo, Mondoñedo e Compostela. À cabeça da revolta estava Roi Xordo, um fidalgo da área da Corunha ou Ferrol.

ContextoEditar

Durante o século XV, a fraqueza do poder dos reis em Castela coincide com o máximo momento de poder dos senhores feudais, que agem como reis nos seus próprios domínios[1]. Consequentemente com esse poder, produzem-se fortes confrontos entre os senhores e inclusive o alto clero[2] nos quais os bandos não estão claros e mudam rapidamente em função das circunstâncias. Perante esta situação, os burgueses das cidades e das vilas começam a formar irmandades com o fim de protegerem os seus direitos.

Portanto, os séculos XIV e XV são épocas de grande conflito social, com diversos confrontos protagonizados pelos vizinhos das cidades de Compostela (a irmandade de Roi Sánchez, fundada em 1418, rebela-se em 1421 contra o bispo), Ourense (em 1419 uma revolta termina com a morte do bispo), Lugo ou Tui.

CrónicaEditar

 
Castelo de Moeche, Galiza. Nele refugiou-se Nuno Freire de Andrade

Em 1431, nas terras de Nuno Freire de Andrade, Nuno II de Andrade, alcunhado O Mau, e com motivo do infante Henrique de Aragão ao Reino da Galiza, o senhor feudal impôs uma nova taxa. A reação dos vassalos é imediata e, comandados por Roi Xordo, derrubam algumas casas fortes, vinhas e hortas dos Andrade, estendendo depois as ações às comarcas próximas. Após o ataque ao castelo de Betanzos, os irmandinhos tentaram atacar Santiago de Compostela, onde Nuno Freire se refugia com a sua família. Lá, as tropas do bispo tentaram enfrentar a revolta, mas tiveram de ser retiradas. Porém, os irmandinhos não chegaram a tomar Compostela: tiveram conhecimento prévio da fuga de Nuno Freire para o castelo de Moeche, local para onde se dirigiram para localizá-lo. Durante o caminho, produz-se a batalha do Eume, em que são finalmente derrotados[3].

LegadoEditar

A Irmandade Fusquenlla foi a primeira grande irmandade com capacidade para levar a revolta a uma parte importante da Galiza. E foi também um dos mais claros precedentes da posterior Grande guerra irmandinha.

Veja tambémEditar

ReferênciasEditar

  1. de Tejada, Francisco Elías, e Pércopo, Gabriela (1966):El Reino da Galiza hasta 1700. Editorial Galaxia. (em galego)
  2. Idem
  3. Villares Paz, Ramón: Historia de Galicia, Editorial Galáxia, 2004. ISBN: 978-84-8288-655-8 (em galego)